Rogério Marinho vira alvo de fogo amigo no PL após viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA
Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, virou alvo de fogo amigo no PL após a viagem do senador aos EUA. Entenda a crise.
Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
O senador Rogério Marinho (PL-RN) virou o centro de uma nova crise na direita. Como coordenador-geral da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL), ele passou a ser alvo de “fogo amigo” dentro do próprio bolsonarismo. Portanto, a viagem de Flávio aos Estados Unidos acabou expondo uma disputa interna que já vinha crescendo.
Por que Rogério Marinho virou alvo
O estopim foi a ida de Flávio aos Estados Unidos. Na terça-feira (7), o senador participou de uma audiência para pedir que o país não taxe produtos brasileiros antes das eleições. No entanto, o gesto foi visto por muitos apoiadores como um erro de estratégia.
Diante disso, as críticas se voltaram para o comando da campanha. Segundo bolsonaristas, Rogério Marinho estaria “alucinado pelo poder”. Além disso, aliados passaram a classificar a pré-campanha como um “desastre” nas redes sociais.
Vale lembrar quem é o coordenador. Rogério Marinho é senador pelo Rio Grande do Norte e foi ministro no governo de Jair Bolsonaro. Além disso, é apontado como um dos principais articuladores da direita no Congresso. Por isso, o desgaste em torno do seu nome mexe com toda a estrutura da campanha.
Quem está criticando a pré-campanha
As cobranças partiram de nomes de peso do bolsonarismo. Em geral, os críticos apontam falta de coordenação e de sintonia com a base. Veja quem entrou na ofensiva:
- Os influenciadores Paulo Figueiredo e Kim Paim, ligados ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro;
- Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação do governo Bolsonaro.
Para esse grupo, a equipe à frente da pré-campanha é “incompetente”. Dessa forma, a pressão pública expõe uma divisão sobre quem deve conduzir a estratégia de Flávio.
O episódio de Vicente Santini
Outro ponto gerou desconforto. Vicente Santini, um dos coordenadores da pré-campanha, participou de um evento nos Estados Unidos. No encontro, ele apareceu ao lado do secretário de Estado americano, Marco Rubio, e do empresário Joesley Batista, da J&F.
A imagem incomodou parte da militância. Afinal, a aproximação com Joesley é vista como sensível pelo eleitorado bolsonarista. Por isso, o episódio reforçou as críticas ao time montado por Rogério Marinho.
A crítica ao “DNA bolsonarista”
Há ainda uma queixa de fundo ideológico. Parte dos apoiadores acredita que Flávio está se distanciando do “DNA bolsonarista”. Isso porque a estratégia da campanha aposta em acenos ao centro para atrair eleitores indecisos.
Contudo, esse movimento divide opiniões. De um lado, os moderados veem a mudança como necessária. Do outro, a ala mais radical teme perder identidade. Não por acaso, o debate se soma ao conselho de Valdemar para o senador focar na economia.
Rogério Marinho: o que esperar agora
Por enquanto, a crise ainda não tem solução à vista. Portanto, o coordenador precisa reorganizar o discurso e conter a insatisfação interna. Enquanto isso, os adversários aproveitam o momento de fragilidade.
Por fim, o desgaste se soma a uma sequência de reveses do campo de Flávio. Recentemente, a federação decidiu abandonar o apoio ao senador, e a ida aos Estados Unidos ainda respinga na negociação do tarifaço. Dessa forma, a saúde política de Rogério Marinho deve seguir no centro do debate.