Mercado reduz projeção do IPCA pela 1ª vez em 16 semanas
Estimativa para o IPCA em 2026 recuou de 5,33% para 5,30%, enquanto previsões para Selic, PIB e dólar permaneceram praticamente inalteradas.
Imagem: Marcelo Casal/Agência Brasil/Reprodução
O mercado financeiro revisou para baixo a expectativa de inflação para 2026 pela primeira vez em 16 semanas. De acordo com o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (6) pelo Banco Central, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 5,33% para 5,30%, interrompendo uma sequência de revisões para cima observada desde março.
Apesar do recuo, a estimativa continua acima do teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central. O objetivo da autoridade monetária é de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
Enquanto a projeção para este ano diminuiu, as expectativas para os anos seguintes permaneceram praticamente estáveis. Para 2027, houve um leve aumento na estimativa, enquanto as previsões para 2028 e 2029 não sofreram alterações relevantes.
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Mercado mantém expectativa para a Selic
As projeções para a taxa básica de juros também apresentaram estabilidade. Segundo o levantamento semanal do Banco Central, o mercado continua projetando a Selic em 14% ao ano ao fim de 2026, abaixo da taxa atual de 14,25%, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na última reunião.
A manutenção dessa estimativa reforça a expectativa de que o Banco Central possa realizar mais um corte de 0,25 ponto percentual nos próximos meses, caso o cenário de inflação continue mostrando sinais de desaceleração.
Para os anos seguintes, as projeções seguem em 12% para 2027, 10,5% para 2028 e 10% para 2029. A próxima reunião do Copom está prevista para os dias 4 e 5 de agosto, quando os investidores voltarão a acompanhar os próximos passos da política monetária.
PIB segue estável próximo de 2%
As estimativas para o crescimento da economia brasileira também permaneceram praticamente inalteradas. O mercado manteve a previsão de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 1,99% para 2026, mesmo percentual da semana anterior e acima dos 1,91% projetados há um mês.
Para 2027, houve um pequeno ajuste positivo, com a expectativa passando de 1,68% para 1,69%. Já as projeções de longo prazo continuam mostrando estabilidade. O crescimento esperado permanece em 2% para 2028, patamar mantido há mais de dois anos, e também em 2% para 2029.
Dólar permanece em R$ 5,20
O cenário para o câmbio também pouco mudou. A mediana das projeções aponta o dólar encerrando 2026 cotado a R$ 5,20, mesma estimativa da semana anterior.
Para os anos seguintes, o mercado continua projetando a moeda americana em R$ 5,28 em 2027, R$ 5,35 em 2028 e R$ 5,40 em 2029, indicando expectativa de relativa estabilidade no horizonte mais longo.
IGP-M também recua nas projeções
Outro indicador que apresentou mudança foi o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), amplamente utilizado no reajuste de contratos de aluguel. A previsão para 2026 caiu de 6,15% para 5,68%, interrompendo um período de estabilidade nas estimativas.
Para 2027, a projeção permaneceu em 4,10%. Em 2028, houve um leve ajuste, passando de 3,82% para 3,85%, enquanto a estimativa para 2029 permaneceu em 3,77%.
O que é o Boletim Focus?
Divulgado semanalmente pelo Banco Central, o Boletim Focus reúne as projeções de dezenas de instituições financeiras e consultorias para os principais indicadores da economia brasileira, como inflação, taxa Selic, crescimento do PIB, câmbio e índices de preços.
Embora não represente uma previsão oficial da autoridade monetária, o relatório funciona como um dos principais termômetros das expectativas do mercado e é acompanhado de perto por investidores, empresas e formuladores de política econômica.