Focus: inflação segue em alta com pressão do petróleo e guerra no Irã
Alta do petróleo pressiona preços e mantém juros elevados, enquanto crescimento econômico segue moderado.
Imagem: Envato Elements
As expectativas de inflação do mercado financeiro voltaram a subir no Brasil, de acordo com o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central do Brasil nesta segunda-feira (28). O movimento ocorre em meio ao avanço dos preços do petróleo no cenário internacional, impulsionado pela guerra no Irã.
A estimativa para o IPCA — índice oficial de inflação — avançou para 4,86% em 2026, acima da projeção anterior de 4,80%. Para os anos seguintes, o cenário também indica pressão:
- 2027: 4,00% (quinta alta consecutiva)
- 2028: 3,61%
- 2029: 3,50% (estável)
O aumento das expectativas ocorre em um ambiente de incerteza global, especialmente com o petróleo operando acima de US$ 100 por barril, chegando a picos de US$ 108 no início do dia.
Petróleo caro pressiona economia
O encarecimento do petróleo tende a impactar diversos setores da economia, já que o insumo influencia diretamente custos de transporte, energia e produção. Esse efeito acaba sendo repassado aos preços finais, elevando a inflação.
PIB desacelera e dólar recua
No mesmo relatório, o mercado reduziu levemente a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 1,85% em 2026, sinalizando uma economia mais moderada. Por outro lado, a estimativa para o dólar caiu, com previsão de encerrar o ano em R$ 5,25, abaixo dos R$ 5,30 projetados anteriormente.
Juros permanecem elevados
A expectativa para a taxa básica de juros, a Selic, foi mantida em 13% ao ano para 2026. O nível elevado reflete a tentativa de conter a inflação em um ambiente de pressão externa. Para os anos seguintes, o mercado projeta queda gradual:
- 2027: 11,0%
- 2028: 10,0%
- 2029: 9,75%
Outros indicadores também sobem
Além do IPCA, outros índices de preços seguem em alta. O IGP-M, por exemplo, teve a projeção elevada para 4,80% em 2026, acumulando várias semanas consecutivas de revisão para cima.
Já os preços administrados — como energia e combustíveis — continuam pressionados no curto prazo, com expectativa de 4,98% neste ano.