CSN coloca ativos logísticos e ferroviários à venda para acelerar redução da dívida
Companhia avalia desinvestimentos em portos, participação na MRS e operação logística enquanto avança com processo de venda da CSN Cimentos
Imagem: Elvira Nascimento/Usiminas/Reprodução.
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) iniciou um novo movimento de desinvestimentos com o objetivo de reforçar sua estrutura financeira e reduzir o nível de endividamento. Segundo informações divulgadas pela imprensa, a empresa colocou à venda um pacote de ativos de infraestrutura e logística que inclui terminais portuários no Rio de Janeiro, a participação na operadora ferroviária MRS Logística e a Tora, companhia do setor logístico adquirida recentemente pelo grupo.
O processo estaria sendo conduzido com assessoria financeira do Citibank e do Bradesco, que receberam o mandato para buscar potenciais interessados nos ativos.
A iniciativa ocorre em um momento em que a CSN (CSNA3) busca acelerar seu plano de desalavancagem financeira, considerado uma das principais prioridades da administração diante do elevado nível de dívida registrado pela companhia.
Venda de ativos ocorre em meio à busca por redução da alavancagem
Ao fim do primeiro trimestre de 2026, a CSN reportou dívida líquida de R$ 40,5 bilhões. Embora o montante tenha ficado abaixo dos R$ 41,2 bilhões registrados no encerramento de 2025, ainda supera os R$ 35,8 bilhões observados no mesmo período do ano anterior.
A alavancagem financeira, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado, encerrou o trimestre em 3,36 vezes, apresentando leve melhora em comparação com os três meses anteriores.
Para analistas do mercado, a venda de ativos considerados não essenciais pode contribuir para fortalecer o caixa da companhia e reduzir a pressão sobre o balanço financeiro nos próximos anos.
CSN Cimentos também está no radar dos investidores
Paralelamente à venda dos ativos logísticos, a siderúrgica segue avançando no processo de desinvestimento da CSN Cimentos, segunda maior fabricante de cimento do país.
Segundo informações divulgadas pela Reuters, quatro empresas foram selecionadas para a fase seguinte da operação. Entre elas estão as brasileiras Votorantim e Polimix, além das chinesas Huaxin Cement e Sinoma International. As propostas vinculantes deverão ser apresentadas até o dia 7 de agosto.
Fontes de mercado estimam que a negociação possa movimentar entre R$ 12 bilhões e R$ 13 bilhões, valor superior à avaliação inicial de aproximadamente R$ 10 bilhões atribuída à unidade. Caso a operação seja concluída dentro dessa faixa, o valor obtido poderá superar o atual valor de mercado da própria CSN, que gira em torno de R$ 8 bilhões.
Estratégia busca reforçar geração de valor
O plano de venda de ativos foi anunciado pela companhia no início do ano como parte de uma estratégia mais ampla para otimizar a alocação de capital e fortalecer a estrutura financeira do grupo.
Além da redução do endividamento, a empresa busca aumentar a eficiência operacional e concentrar investimentos em negócios considerados estratégicos.
O mercado acompanha de perto os próximos passos da companhia, especialmente diante da expectativa de que os recursos obtidos com os desinvestimentos contribuam para melhorar indicadores financeiros e ampliar a capacidade de geração de valor para os acionistas.
Resultados mostram melhora operacional
Apesar de continuar registrando prejuízo líquido, a CSN apresentou melhora em seus resultados no primeiro trimestre de 2026.
A companhia reportou resultado negativo de R$ 555 milhões entre janeiro e março, uma redução de 24,2% nas perdas em relação ao mesmo período do ano anterior.
Já o Ebitda ajustado alcançou R$ 2,65 bilhões, avanço de 5,5% na comparação anual. A receita líquida somou R$ 10,6 bilhões no período.
Com O Globo e Money Times.