Nos últimos anos, os chamados Fundos de Infraestrutura, também conhecidos como FI-Infra, têm se destacado como uma opção interessante no mercado financeiro. Em um país em constante crescimento e com necessidades urgentes de aprimoramento em sua infraestrutura, esses ativos agem como uma ponte entre o capital privado e o desenvolvimento nacional.

Criada em 2020, essa categoria de fundos oferece aos investidores a oportunidade de contribuir para projetos estruturantes no país, ao mesmo tempo que possibilita retornos financeiros e benefícios fiscais.

Neste artigo, o Melhor Investimento aprofunda em detalhes o funcionamento dos Fi-Infra, seus tipos, riscos e as melhores oportunidades de investimento nesse mercado promissor.

Definição e principais características dos fundos de infraestrutura

Em essência, Fundos de Infraestrutura (FI-Infra) são veículos de investimento que direcionam recursos para projetos voltados à infraestrutura, como o próprio nome indica. Isso inclui investimentos em áreas como, transporte, saneamento básico, energia, entre outras. 

A modalidade entrou em vigor em 2020, após a aprovação do Marco Legal do Saneamento Básico (Lei n.º 14.026/2020) por meio da Instrução CVM 606. Os aportes são realizados através de debêntures incentivadas, títulos privados que contam com incentivos governamentais para facilitar a captação de recursos.

Por terem o objetivo de financiar projetos de interesse público, as debêntures incentivadas oferecem isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas que investem nesse produto, o que representa um dos principais atrativos desse tipo de fundo.

Outra característica fundamental dos fundos de infraestrutura diz respeito à natureza de longo prazo, dos investimentos. Seu horizonte de longo prazo se desdobra na medida em que ele acompanha o ciclo de maturação dos projetos financiados, que podem levar anos para serem concluídos.

Tipos de projetos em que são alocados os recursos

Existe uma ampla gama de projetos voltados para a infraestrutura. Entre os principais, podemos citar:

1. Saneamento Básico: projetos ligados a interesses públicos como água potável, esgoto e resíduos sólidos. Os investimentos nesse setor financiam a construção e modernização de redes de água, esgoto e tratamento de resíduos, sendo intimamente atrelado às questões de saúde pública, qualidade de vida e proteção ambiental.

2. Transporte: englobam sistemas de transporte público, rodoviário, ferroviário, marítimo e aéreo. Recursos direcionados para esse campo são utilizados para construção, manutenção e modernização dessas estruturas, a exemplo expansão de uma linha de metrô, ou desenvolvimento de um terminal portuário.

3. Logística: envolve toda a cadeia de suprimentos, desde o armazenamento até a distribuição final. Fundos de infraestrutura podem investir em projetos que otimizam essa cadeia, como centros de distribuição, armazéns automatizados e sistemas de gestão inteligentes. 

4. Energia: projetos voltados à geração, transmissão ou distribuição de energia elétrica. . Bons exemplos de investimentos na área são: construção de uma usina hidrelétrica, instalação de painéis solares em uma área industrial, financiamentos de projetos de transmissão e distribuição de energia, entre outros

5. Telecomunicações: relacionados à expansão e modernização da infraestrutura de comunicação, como redes de fibra óptica, torres de celular e sistemas de transmissão de dados. Tais projetos podem financiar, por exemplo, a expansão de uma rede de internet de alta velocidade, instalação de antenas para cobertura móvel, entre outras finalidades semelhantes.

Funcionamento e estrutura dos Fundos de Infraestrutura

Ao investir em um Fi-Infra, o investidor se torna um cotista, posição semelhante à de um acionista que obtém ações de uma empresa. Assim como ocorre com os papéis no mercado acionário, as cotas do fundo são negociadas na bolsa de valores brasileira, a B3 (Brasil, Bolsa e Balcão).

Mediante a compra de cotas, a pessoa passa a ter participação nos lucros gerados pelos projetos financiados pelo fundo. Traçando novamente um paralelo com a área de ações, você se torna um sócio/cotista do negócio/fundo.

Em geral, um FI-Infra funciona de forma parecida com outros fundos investimentos, como FIIs (Fundos Imobiliários) e Fiagros (Fundos do agronegócio), na medida em que representam um grupo de pessoas se unindo para investir em conjunto. 

Nesta dinâmica, o investidor faz uma aplicação no fundo, por meio da aquisição de cotas. Os recursos aportados em conjunto pelos investidores, é gerido por profissionais experientes, que o aplicam em diversos tipos de ativos. 

Como anteriormente explicitado, os Fi-Infra investem em debêntures incentivadas, que são títulos de dívida emitidos por empresas, justamente, para financiar projetos de infraestrutura. Em termos simples, ao comprar essas debêntures, os fundos emprestam dinheiro para essas empresas e, em troca, recebem pagamentos mensais de juros.

Esses juros, junto com outros rendimentos do fundo, podem ser utilizados para pagar dividendos aos cotistas.

Como podem ser estruturados os fundos de infraestrutura?

Os fundos de infraestrutura listados na bolsa operam na lógica de um “condomínio fechado”. Em suma, isso significa que as cotas não podem ser resgatadas a qualquer momento, mas podem ser negociadas no mercado secundário da B3

No entanto, ainda há aqueles constituídos na forma de “condomínio aberto”. Neste caso, compra-se cotas disponíveis em plataformas de investimento e bancos, podendo adquirir e resgatar os ativos, comumente com um prazo de liquidação de D+30.

Benefícios de Investir em Fundos de Infraestrutura

Investimento em fundos de infraestrutura podem refletir em diferentes vantagens. Entre elas, pode-se destacar: 

Incentivos fiscais e isenção de imposto sobre dividendos

Os Fundos de Infraestrutura (FI-Infra) oferecem a vantagem da isenção de imposto de renda, tanto nos rendimentos distribuídos quanto no ganho de capital. Isso ocorre porque as debêntures incentivadas, que compõem boa parte desses fundos, também são isentas de impostos. 

Essa característica é especialmente relevante quando comparada a outros tipos de fundos, como os imobiliários e os do agronegócio, que não possuem a mesma isenção nos mesmos moldes.

Diversificação de portfólio e redução de riscos

Investir em FI-Infra permite diversificar o portfólio, pois esses fundos aplicam recursos em diferentes projetos de infraestrutura. Essa diversificação ajuda a reduzir o risco associado a um único ativo ou setor.

Além disso, a infraestrutura é um setor menos volátil em comparação com outros segmentos do mercado financeiro, o que contribui para a estabilidade da carteira.

Potencial de retorno estável e previsível

Os FI-Infra têm seus portfólios atrelados ao IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), principal referencial da inflação brasileira. Isso proporciona um fluxo de caixa mais estável e previsível, já que os projetos de infraestrutura geralmente têm receitas indexadas à inflação.

Com essa característica, os investidores podem esperar rendimentos consistentes e, em alguns casos, superiores a 14% ao ano.

Ativos com garantias

Os FI-Infra investem em projetos apoiados pelo governo. Esses projetos geralmente envolvem concessões públicas, como rodovias, aeroportos, energia e saneamento.

As debêntures incentivadas e títulos de dívida privados presentes nas carteiras dos FI-Infra possuem garantias reais, o que oferece proteção aos investimentos. Essas garantias podem incluir recebíveis, hipotecas ou outros ativos tangíveis.

Gestão profissional

Assim como em outros fundos de investimento, FI-Infra são geridos por profissionais especializados. Essa gestão especializada visa otimizar os investimentos, selecionar os melhores projetos e monitorar o desempenho do portfólio.

A expertise desses gestores contribui para a eficiência na alocação de recursos e a maximização dos resultados para os cotistas.

Riscos Associados aos Fundos de Infraestrutura

Assim como em qualquer investimento, aplicações em fundos de infraestrutura também se refletem em riscos. Entre as possíveis situações que podem trazer desvantagens ao investidor, destaca-se: 

  1. Risco de crédito ou inadimplência: FI-Infras alocam boa parte de seus recursos em títulos de dívida. Possíveis inadimplências de empresas, são capazes de afetar o fluxo de caixa e o retorno do investidor.
  2. Risco de liquidez: dificuldade em vender as cotas do fundo quando você precisar, podem estar entre as desvantagens. Caso não haja um comprador, o que pode acontecer, o cotista ficará preso ao investimento por mais tempo.
  3. Risco de mercado: a desvalorização do ativo representa um dos riscos mais comuns em investimentos de renda variável. Uma eventual queda no valor das cotas do fundo, pode causar prejuízo ao investidor, caso ele precise vender
  4. Risco de projeto: projetos de infraestrutura mal planejados, com atrasos, custos maiores ou baixa demanda, podem gerar retornos menores ou perdas para o investidor.

Fundos de Infraestrutura na bolsa brasileira

CódigoNome do Fundo
BODB11Bocaina FI-Infra
BDIF11BTG Pactual Dívida Infra
CPTI11Capitânia Infra FIC FI-Infra RF
BIDB11Inter Infra FIC
IFRA11Itaú FIC FI-Infra
KDIF11Kinea FI-Infra
NUIF11Nu Infra FICII
OGIN11Nikos FIC-Infra
RBIF11Rio Bravo ESG FIC FI-Infra
CDII11Sparta Infra CDI FIC FI-Infra
JURO11Sparta Infra FIC Renda Fixa
SNID11Suno Infra Deb 
XPID11XP Infra Debêntures
A lista completa pode ser conferida diretamente no site da B3. 

Exemplos de fundos de destaque no mercado brasileiro

Conforme Marcos Milan, os três que apresentaram melhor performance nos últimos 12 meses foram: o Bocaina Infra (BIDB11), com rentabilidade de 22,49%; o BTG Pactual Dívida Infra (BDIF11), com 21,05%; e o Capitânia Infra (CPTI11), com variação de 16,12%

Diferenças entre FI-Infra e outros fundos

Um dos principais aspectos que distinguem os Fundos de Infraestrutura (FI-Infra) dos demais é seu foco de investimento. Esses fundos, exclusivamente, buscam captar recursos para investimentos em projetos de infraestrutura, enquanto outros variam, entre imóveis, títulos mobiliários, ativos de renda fixa. , etc. 

Além disso, os FI-Infra representam uma categoria de investimento incentivada pelo poder público. Em síntese, isso reflete na sua total isenção do Imposto de Renda, tanto nos rendimentos quanto no ganho de capital. Em contraste, outros fundos, como os FIIs, possuem rendimentos isentos, mas o ganho de capital não é tributado. 

Comparativo com outros investimentos

Colocando de forma comparativa, um dos diferenciais dos FI-Infra é a estabilidade dos rendimentos. Isso acontece porque as debêntures incentivadas, que são os principais investimentos dos FI-Infra, possuem pagamentos de juros pré-estabelecidos. 

Já os fundos imobiliários e Fiagros, por exemplo, apresentam rendimentos variáveis, que podem depender de recursos como o aluguel dos imóveis ou da produção agrícola, por exemplo.

Em relação aos títulos públicos, os FI-Infra podem oferecer retornos superiores aos títulos públicos, mas com um perfil de risco um pouco mais elevado. Isso porque, enquanto os títulos públicos são isentos de risco de crédito (ou seja, o governo sempre te pagará), os FI-Infra investem em projetos de infraestrutura, que podem ter imprevistos e atrasos.

Desde sua estreia há quatro anos, os fundos de infraestrutura vêm conquistando a confiança dos investidores com resultados consistentes. No acumulado dos últimos 12 meses, os FI-Infra superam em retorno diversas outras classes de ativos, incluindo fundos imobiliários, FIAGROs, e até mesmo benchmarks tradicionais como o CDI e o IMA-B.

Fundos de Infraestrutura comparados a outros investimentos.
Imagem: Divulgação/Guide Investimentos/Valor Data

Como integrar fundos de infraestrutura em uma carteira diversificada

A decisão de incluir um FI-Infra na carteira de investimentos, assim como o percentual a ser alocado, é relativa. Trata-se de uma escolha estratégica que depende de diversos fatores, a começar pelo perfil de investidor e objetivos financeiros, de quem cogita realizar o aporte.

Integrar fundos de infraestrutura em uma carteira diversificada pode ser uma estratégia interessante para investidores que buscam exposição a ativos de longo prazo e com potencial de retorno.  No entanto, isto não dispensa uma análise criteriosa e fundamentada sobre o como o fundo irá integrar o portfólio.

Antes de tomar qualquer decisão, deve-se questionar, à priori, a finalidade do investimento, e como ele se adequa a sua abordagem, enquanto investidor. Para tal, é altamente recomendável consultar um assessor financeiro qualificado, que poderá traçar estrategicamente como um FI-Infra pode compor a carteira ou se ele realmente deve fazer parte do seu portfólio.

Como escolher um Fundo de Infraestrutura?

Quem já analisou sua carteira e agora busca decidir em qual FI-Infra investir deve considerar que escolher o fundo de infraestrutura ideal exige planejamento. Veja alguns pontos essenciais a se considerar:

  • Explore os setores de exposição. Como visto, aportes na infraestrutura caminham em várias frentes, como transporte, energia e saneamento básico; 
  • Procure se informar sobre qualidade dos projetos, incluindo, viabilidade técnica, econômica e ambiental.
  • Avalie o histórico da empresa que irá executar o projeto
  • Analise também a gestora do fundo. Aqui são vários fatores a serem considerados, resultados em FI-Infra, expertise da equipe, filosofia de investimentos, entre outros pontos.

Aviso! As questões pontuadas não substituem uma avaliação completa e individualizada. Portanto, se você procura uma análise robusta e fundamentada, considere o auxílio de um profissional no assunto. Lembrando que este artigo é meramente informativo, logo, não recomenda, tampouco desaconselha, investimentos em fundos de infraestrutura.

Lucas Machado

Redator do Melhor Investimento e estudante de Psicologia, com mais de dois anos de experiência em redação de artigos relacionados aos mais variados assuntos e campos do saber.