Trilhões em patrimônio mudarão de mãos: como o Wealth Management está se reinventando

A redistribuição de trilhões de dólares entre gerações e a expansão das grandes fortunas estão estão remodelando a gestão patrimonial e elevando a demanda por estratégias de preservação, sucessão e eficiência tributária.

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Última atualização:  03 de jul, 2026 às 14:43
Gestão patrimonial e sucessão familiar. Imagem: Envato Elements.

A maior transferência de riqueza da história já está em andamento e promete redesenhar o mercado global de gestão patrimonial nas próximas décadas. Caracterizado pelo envelhecimento da geração dos baby boomers, o processo fará trilhões de dólares mudarem de mãos, levando bancos, gestoras e escritórios especializados a reformular seus serviços de Wealth Management para atender uma nova geração de investidores.

Na esteira desse movimento, especialistas alertam que administrar uma grande herança pode ser tão desafiador quanto construí-la.

O que é a “grande transferência de riqueza”?

Nos Estados Unidos, a mudança já pode ser observada nos números. Dados citados pela revista Fortune, com base em levantamento da consultoria Equitable Advisors, mostram que o patrimônio líquido da geração millennial saltou de US$ 3,9 trilhões no fim de 2019 para quase US$ 16 trilhões ao final de 2024.

O crescimento ocorre em paralelo a uma importante transição demográfica. Cerca de 4 milhões de baby boomers completam 65 anos neste ano, enquanto um número semelhante de millennials chega aos 35 anos, período em que muitos começam a receber heranças, participações em empresas e outros ativos familiares.

O fenômeno, já descrito como a “grande transferência de riqueza”, representa a passagem de patrimônio acumulado ao longo de décadas para uma nova geração de herdeiros. O momento, entre outros pontos, marca uma alteração no perfil dos investidores e das famílias de alta renda.

Os dados também mostram que os millennials mais ricos já acumulam patrimônio superior ao registrado pela geração anterior na mesma idade. Entre os 10% mais ricos, a riqueza média aos 35 anos é cerca de 20% maior do que a observada entre os baby boomers quando tinham a mesma idade.

Recorde no número de milionários

O movimento acompanha uma tendência global de expansão do patrimônio privado. Segundo o World Wealth Report 2026, elaborado pelo Capgemini Research Institute, a população mundial de indivíduos com patrimônio superior a US$ 1 milhão voltou a crescer pelo terceiro ano consecutivo.

O levantamento aponta que o número de milionários alcançou 25,3 milhões de pessoas em 2025, um avanço de aproximadamente 2 milhões em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, o patrimônio total desse grupo aumentou 8,7%, chegando a US$ 98,3 trilhões.

No Brasil, o cenário também reflete essa expansão. Os dados mostram que o país encerrou 2025 com 386 mil milionários, após adicionar 9.215 novos integrantes ao grupo durante o ano. O resultado mantém o Brasil como o país com o maior número de milionários da América Latina.

Saiba+

Por que isso preocupa o mercado financeiro?

Embora o patrimônio esteja crescendo rapidamente, especialistas afirmam que o desafio central para nova geração é administrar essa riqueza de forma eficiente.

Levantamento da Equitable Advisors mostra que 80% dos millennials afirmam confiar em sua capacidade de tomar decisões financeiras. No entanto, apenas 27% dizem estar preparados para administrar estruturas patrimoniais mais sofisticadas, que envolvem imóveis, investimentos financeiros, planejamento tributário, previdência e sucessão familiar.

Essa falta de preparo preocupa instituições financeiras porque patrimônios elevados exigem decisões muito mais complexas do que a simples escolha entre aplicações de renda fixa ou variável.

Além disso, erros de gestão podem comprometer rapidamente fortunas construídas ao longo de décadas, principalmente em um ambiente marcado por maior volatilidade dos mercados, mudanças tributárias e necessidade de planejamento sucessório.

Outro fator que chama atenção é o avanço da concentração de riqueza. O crescimento do número de milionários reacendeu debates sobre desigualdade patrimonial e sobre a influência econômica exercida por grandes fortunas em diferentes países.

Como o Wealth Management está se reinventando

A transformação do perfil dos investidores tem levado bancos privados, gestoras e escritórios especializados a ampliar o escopo do Wealth Management, que deixou de atuar apenas na administração de investimentos.

Hoje, o serviço reúne planejamento financeiro, gestão de ativos, estruturação tributária, proteção patrimonial, organização societária, sucessão familiar, planejamento internacional e consultoria personalizada para famílias de alta renda.

A mudança ocorre porque os novos clientes apresentam necessidades diferentes das gerações anteriores. Muitos acumulam patrimônio em empresas, ativos digitais, fundos de investimento, imóveis e participações societárias, exigindo uma visão integrada da gestão patrimonial. Ao mesmo tempo, cresce a demanda por soluções que conciliem preservação do patrimônio, eficiência tributária e planejamento para as próximas gerações.

Para investidores e famílias que buscam uma gestão patrimonial mais estratégica, a Paramis Capital oferece serviços de Wealth Management que incluem planejamento patrimonial, gestão de investimentos, consultoria imobiliária e soluções para empresas familiares, com estratégias personalizadas voltadas à preservação e ao crescimento do patrimônio.

Gestão patrimonial ganha papel estratégico

Para especialistas do setor, o Wealth Management tende a assumir um papel cada vez mais estratégico diante da maior circulação de riqueza entre gerações.

Em vez de focar apenas na rentabilidade dos investimentos, a gestão patrimonial passa a considerar objetivos de longo prazo, como proteção do patrimônio, sucessão familiar, governança, liquidez e redução de riscos.

Nesse cenário, o trabalho dos gestores também envolve educação financeira dos herdeiros, construção de estruturas capazes de preservar o patrimônio ao longo do tempo e adaptação das carteiras às mudanças econômicas e regulatórias.

Com trilhões de dólares mudando de mãos ao redor do mundo, o mercado financeiro se prepara para uma transformação que deve marcar as próximas décadas, tornando o Wealth Management um dos segmentos mais estratégicos da indústria global de investimentos.

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Family offices na nova geração

A evolução do Wealth Management também se reflete no crescimento e na profissionalização dos family offices, estruturas criadas para administrar o patrimônio de famílias de alta renda de forma integrada. Um levantamento da KPMG, publicado no relatório 2025 Global Family Office Compensation Benchmark Report, mostra que essas organizações estão cada vez mais sofisticadas.

Segundo o estudo, mais de 40% dessas estruturas já atendem a pelo menos duas gerações da mesma família, reforçando a necessidade de processos robustos de governança e sucessão.

Os dados também indicam um amadurecimento na gestão dessas organizações. Atualmente, 25% dos beneficiários finais (Ultimate Beneficial Owners – UBOs) ocupam diretamente a posição de CEO do family office, enquanto 51% das empresas familiares que mantêm essas estruturas já possuem planos formais de sucessão.

Outro movimento observado é a internacionalização dessas operações. Em 2023, apenas 30% dos family offices atuavam em mais de uma localidade. Em 2025, esse percentual avançou para 44%, evidenciando que a administração de grandes patrimônios passa a exigir estruturas cada vez mais globais para acompanhar ativos, investimentos e famílias distribuídas em diferentes países.

Diante do exposto, não é exagero concluir que administrar grandes fortunas deixou de significar apenas escolher investimentos mais rentáveis. Cada vez mais, preservar patrimônio, estruturar a sucessão entre gerações e estabelecer modelos de governança eficientes tornam-se fatores decisivos para garantir a longevidade das riquezas familiares.


Lucas Machado

Redator e psicólogo com quase 5 anos de experiência na produção de artigos e notícias sobre uma ampla gama de temas. Suas áreas de interesse e expertisse incluem previdência, seguros, direito sucessório e finanças, em geral. Atualmente, faz parte da equipe do Melhor Investimento, abordando uma variedade de tópicos relacionados ao mercado financeiro.