Smart Summit 2026: ativos judiciais ganham espaço como alternativa de rentabilidade
No painel “A era dos alternativos”, especialista destaca oportunidades em créditos judiciais e disputas patrimoniais no Brasil.
Foto: Produção Smart Summit 2026
Durante o Smart Summit 2026, o Matheus Matos, sócio da MA7 Negócios, discutiram o crescimento dos ativos judiciais como alternativa de diversificação para investidores.
No painel “A era dos alternativos: o peso dos ativos judiciais na rentabilidade real”, o especialista destacou que disputas judiciais, créditos falimentares e litígios patrimoniais têm se tornado oportunidades cada vez mais exploradas por investidores que buscam retornos fora dos ativos tradicionais.
Segundo Matos, o mercado de créditos judiciais no Brasil ainda apresenta grande potencial, principalmente em áreas como falências, disputas societárias e conflitos familiares relacionados a heranças.
“Falar de ativo judicial com uma Selic a 15% e uma Justiça que movimenta meio trilhão de reais é muito interessante. Existe muito valor sendo gerado nesse mercado”, afirmou.
Falências e disputas familiares concentram oportunidades
De acordo com os executivos, muitas oportunidades surgem em processos complexos que envolvem inventários, espólios ou disputas entre herdeiros.
Esses casos costumam levar anos para serem resolvidos e, nesse período, investidores especializados podem adquirir direitos creditórios com desconto e aguardar a conclusão do processo judicial.
“Vemos muita oportunidade em inventários, disputas societárias entre famílias e também no ambiente de falência”, explicou Matos.
As mudanças recentes na legislação de recuperação judicial e falências também ampliaram o espaço para esse tipo de operação. A atualização da Lei 11.101, que passou por reformas nos últimos anos, abriu novas possibilidades para a negociação de créditos dentro de processos falimentares.
Análise jurídica é essencial para avaliar risco
Apesar do potencial de retorno, os especialistas destacaram que o investimento em ativos judiciais exige análise detalhada e conhecimento jurídico.
Segundo Matos, três fatores são fundamentais para avaliar um investimento nesse tipo de ativo: a capacidade de pagamento do devedor, a solidez jurídica da ação e o tribunal onde o processo tramita.
“Primeiro precisamos entender se o devedor tem capacidade de pagar. Depois analisamos se existe um bom direito naquele processo. E também avaliamos a comarca onde o caso está sendo discutido”, explicou.
Essa avaliação inclui estudar decisões anteriores do tribunal e entender como determinados temas costumam ser julgados.
Diversificação ganha espaço entre investidores
Para Matos, o crescimento dos ativos judiciais reflete uma busca maior por diversificação em um cenário de mercado mais complexo.
Produtos alternativos tendem a ganhar espaço especialmente entre investidores que já possuem exposição relevante a ativos tradicionais e procuram novas fontes de retorno.
“Eu acho que é muito importante nós termos em mente que os ativos judiciais são uma diversificação de portfólio. E para o investidor moderno, a diversificação vai ser muito importante”, afirmou.
Segundo o especialista, esse tipo de investimento ainda é pouco explorado no Brasil, mas deve ganhar relevância à medida que investidores busquem novas estratégias de rentabilidade no longo prazo.
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