“Não tem como fugir de volatilidade se você quer ganhar dinheiro”, dizem especialistas sobre investimento internacional
Especialistas discutem no Smart Summit 2026 como a gestão ativa e a diversificação ajudam investidores brasileiros a aproveitar oportunidades no exterior.
Foto: Melhor Investimento
O interesse dos brasileiros por investimentos internacionais tem aumentado nos últimos anos, impulsionado pelo acesso mais simples a ativos globais e pela busca por diversificação.
O tema foi debatido durante o Smart Summit 2026, em painel que reuniu especialistas para discutir oportunidades fora do Brasil e o papel da gestão profissional na construção de portfólios.
Participaram da conversa Roberta Barrocal, Client Relationship Manager do BNP Paribas, Bruno Suzuki Rangel, Head de Alocação da Dolarize.me, e o moderador Vinícius Mateus.
Acesso ao exterior ficou mais simples
Durante o painel, Vinícius destacou que o mercado evoluiu rapidamente nos últimos anos. Segundo ele, até pouco tempo atrás a presença de ativos internacionais nas carteiras de investidores brasileiros era pequena.
“Em 2018 e 2019, o investimento internacional tinha uma presença muito pequena na carteira do investidor pessoa física. Isso tem mudado bastante”, afirmou.
Ele ressaltou que produtos como BDRs e plataformas de investimento internacional facilitaram o acesso a empresas e títulos estrangeiros, permitindo que investidores individuais diversifiquem suas carteiras com mais facilidade.
Gestão ativa ganha relevância no crédito
Para Bruno Suzuki Rangel, quando se trata de crédito internacional, a gestão profissional pode fazer grande diferença na performance da carteira.
Segundo ele, o cenário recente mostrou uma redução relevante na diferença entre o retorno de títulos corporativos e o rendimento dos títulos do governo americano, o que exige mais análise na escolha dos ativos.
“Quando a gente fala de crédito, a gestão é essencial. Às vezes não é o melhor momento para fazer uma alocação direta em um bond. Um fundo com gestão ativa consegue trabalhar melhor os vencimentos e montar uma carteira com um carrego maior”, explicou.
Ele também destacou que a presença de um gestor ajuda a reduzir riscos associados à escolha de emissores específicos.
“Quando você compra um bond isolado, você fica exposto ao risco de crédito daquela empresa. Com um gestor fazendo uma análise robusta, você mitiga muito esse risco”, disse.
Profissional acompanha o mercado o tempo todo
Na visão de Roberta Barrocal, a gestão ativa também traz praticidade para o investidor que não acompanha o mercado diariamente.
Ela explicou que muitos clientes têm outras profissões e não conseguem monitorar constantemente os ativos da carteira.
“Imagina um médico, uma professora ou um comerciante tentando montar sozinho uma carteira de títulos e acompanhar esses investimentos o tempo todo. No fundo de investimento, existe um especialista olhando para isso continuamente”, afirmou.
Segundo ela, o gestor consegue identificar quando um ativo já entregou o retorno esperado ou quando é hora de substituí-lo por outro.
“Essa é a grande vantagem da gestão ativa: escolher o melhor ativo, o melhor setor e entender o momento certo de fazer mudanças na carteira”, disse.
Mercado global de crédito é gigantesco
Outro ponto destacado no painel foi o tamanho do mercado internacional de crédito. De acordo com os especialistas, o setor movimenta cerca de US$ 150 trilhões globalmente.
“Quando você pensa em um mercado desse tamanho e em títulos que têm duração média de cinco anos, estamos falando de cerca de 30 trilhões de dólares em novas oportunidades surgindo todos os anos”, explicou Vinícius.
Nesse contexto, a atuação de gestores pode ajudar a identificar oportunidades que o investidor individual dificilmente conseguiria acompanhar sozinho.
Diversificação ajuda a enfrentar volatilidade
O debate também abordou o cenário atual de incertezas no mercado global, influenciado por fatores geopolíticos e movimentos de juros.
Segundo Bruno, a diversificação entre classes de ativos, regiões e prazos ajuda a reduzir o impacto de momentos de maior volatilidade.
“Quando você tem um portfólio bem diversificado, com crédito de diferentes durações e ações em várias regiões, você consegue mitigar estresses pontuais do mercado”, afirmou.
Volatilidade maior também pode significar retorno maior
Roberta também destacou que alguns ativos internacionais apresentam volatilidade maior do que investimentos tradicionais no Brasil, mas isso faz parte da dinâmica do mercado global.
“Não tem como fugir de volatilidade se você quer ganhar dinheiro. O importante é ter uma gestão de qualidade para reduzir o risco e escolher empresas sólidas”, disse.
Segundo ela, o foco deve estar em companhias com boa geração de caixa e gestão consistente, o que reduz o risco de inadimplência mesmo em cenários mais instáveis.
Ao final do painel, os especialistas concordaram que o investimento internacional tende a ganhar cada vez mais espaço nas carteiras dos brasileiros, especialmente quando aliado à diversificação e à gestão profissional.
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