IBGE: setor de serviços fecha 2025 em alta, mas "freia" em dezembro
Foto: Reprodução Agência Brasil
O setor de serviços encerrou 2025 com crescimento de 2,8%, consolidando-se como um dos pilares da atividade econômica brasileira. No entanto, o dado de dezembro (-0,4%), divulgado pelo IBGE na Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), acendeu um alerta sobre a perda de ritmo no fim do ano.
A queda mensal interrompeu uma sequência de resultados positivos e veio pior do que o esperado pelo mercado. O principal impacto negativo partiu do setor de transportes, que recuou 3,1% no mês, pressionando o resultado geral.
Apesar da desaceleração pontual, o desempenho anual reforça a resiliência do setor; especialmente nos segmentos ligados à tecnologia e digitalização da economia.
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Tecnologia em alta
Enquanto transportes perderam fôlego, os serviços de informação e comunicação mantiveram trajetória consistente. Em 2025, o segmento avançou 5,5%, quase o dobro da média do setor, atingindo o maior nível da série histórica e ficando mais de 35% acima do patamar pré-pandemia.
O ramo de tecnologia da informação cresceu 12,2% no ano, acumulando expansão de 84,4% desde 2021. A demanda por serviços como desenvolvimento de softwares, computação em nuvem e segurança cibernética segue impulsionando o segmento.
Esse movimento tem implicações diretas para o investidor: empresas ligadas à digitalização e à infraestrutura tecnológica continuam inseridas em uma tendência estrutural de crescimento, menos dependente do ciclo econômico tradicional.
O que o dado sinaliza sobre o PIB?
A leitura predominante entre economistas é de desaceleração no quarto trimestre, com crescimento próximo de zero para o PIB no período. A perda de tração em dezembro reforça a percepção de que a economia entrou em 2026 em ritmo mais moderado.
Impacto na política monetária
Para Sara Paixão, analista de macroeconomia da InvestSmart XP, o resultado não altera o cenário central para a política monetária:
“Os serviços fecharam com a receita real em -0,4% em dezembro, uma queda maior do que os -0,1% esperados pelo mercado. O maior impacto de queda foi novamente do setor de transportes. Apesar da desaceleração durante o último trimestre do ano, a receita real de serviços cresceu 2,8% em 2025.”
Sobre 2026, a economista destaca um fator de estímulo à atividade:
“A expectativa dos analistas é de que o setor mantenha um crescimento robusto, principalmente pelo impacto esperado da isenção no imposto de renda para quem recebe até R$ 5 mil.”
No mercado financeiro, a reação foi limitada:
“Após o resultado, as curvas de juros se mantêm mistas, mostrando que o dado não deve ter impacto significativo na próxima reunião do Copom. A curva continua precificando um corte inicial de 0,5 ponto percentual em março.”
O que muda para quem investe?
O cenário desenhado pelo dado do IBGE combina:
- Crescimento estrutural em tecnologia
- Desaceleração cíclica em transportes
- PIB próximo da estabilidade no 4º trimestre
- Manutenção da aposta em corte da Selic
Se o Banco Central iniciar o ciclo de cortes em março, ativos mais sensíveis aos juros (como ações domésticas, small caps e fundos imobiliários) podem se beneficiar.
Ao mesmo tempo, a expansão consistente da tecnologia reforça oportunidades de longo prazo ligadas à digitalização da economia.