IBGE: setor de serviços fecha 2025 em alta, mas "freia" em dezembro

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Última atualização:  12 de fev, 2026 às 15:46
ibge serviços 2025 Foto: Reprodução Agência Brasil

O setor de serviços encerrou 2025 com crescimento de 2,8%, consolidando-se como um dos pilares da atividade econômica brasileira. No entanto, o dado de dezembro (-0,4%), divulgado pelo IBGE na Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), acendeu um alerta sobre a perda de ritmo no fim do ano.

A queda mensal interrompeu uma sequência de resultados positivos e veio pior do que o esperado pelo mercado. O principal impacto negativo partiu do setor de transportes, que recuou 3,1% no mês, pressionando o resultado geral.

Apesar da desaceleração pontual, o desempenho anual reforça a resiliência do setor; especialmente nos segmentos ligados à tecnologia e digitalização da economia.

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Tecnologia em alta

Enquanto transportes perderam fôlego, os serviços de informação e comunicação mantiveram trajetória consistente. Em 2025, o segmento avançou 5,5%, quase o dobro da média do setor, atingindo o maior nível da série histórica e ficando mais de 35% acima do patamar pré-pandemia.

O ramo de tecnologia da informação cresceu 12,2% no ano, acumulando expansão de 84,4% desde 2021. A demanda por serviços como desenvolvimento de softwares, computação em nuvem e segurança cibernética segue impulsionando o segmento.

Esse movimento tem implicações diretas para o investidor: empresas ligadas à digitalização e à infraestrutura tecnológica continuam inseridas em uma tendência estrutural de crescimento, menos dependente do ciclo econômico tradicional.

O que o dado sinaliza sobre o PIB?

A leitura predominante entre economistas é de desaceleração no quarto trimestre, com crescimento próximo de zero para o PIB no período. A perda de tração em dezembro reforça a percepção de que a economia entrou em 2026 em ritmo mais moderado.

Impacto na política monetária

Para Sara Paixão, analista de macroeconomia da InvestSmart XP, o resultado não altera o cenário central para a política monetária:

“Os serviços fecharam com a receita real em -0,4% em dezembro, uma queda maior do que os -0,1% esperados pelo mercado. O maior impacto de queda foi novamente do setor de transportes. Apesar da desaceleração durante o último trimestre do ano, a receita real de serviços cresceu 2,8% em 2025.”

Sobre 2026, a economista destaca um fator de estímulo à atividade:

“A expectativa dos analistas é de que o setor mantenha um crescimento robusto, principalmente pelo impacto esperado da isenção no imposto de renda para quem recebe até R$ 5 mil.”

No mercado financeiro, a reação foi limitada:

“Após o resultado, as curvas de juros se mantêm mistas, mostrando que o dado não deve ter impacto significativo na próxima reunião do Copom. A curva continua precificando um corte inicial de 0,5 ponto percentual em março.”

O que muda para quem investe?

O cenário desenhado pelo dado do IBGE combina:

  • Crescimento estrutural em tecnologia
  • Desaceleração cíclica em transportes
  • PIB próximo da estabilidade no 4º trimestre
  • Manutenção da aposta em corte da Selic

Se o Banco Central iniciar o ciclo de cortes em março, ativos mais sensíveis aos juros (como ações domésticas, small caps e fundos imobiliários) podem se beneficiar.

Ao mesmo tempo, a expansão consistente da tecnologia reforça oportunidades de longo prazo ligadas à digitalização da economia.

Pedro Gomes

Jornalista formado pela UniCarioca, com experiência em esportes, mercado imobiliário e edtechs. Desde 2023, integra a equipe do Melhor Investimento.