Varejo cai em dezembro e fecha 2025 com forte desaceleração, aponta IBGE
Comércio cresce apenas 1,6% em 2025, bem abaixo de 2024, enquanto segmento ampliado quase estagna e evidencia efeito dos juros elevados.
Foto: Andre Coelho / Correspondente/Getty Images)
As vendas do comércio varejista recuaram 0,4% em dezembro frente a novembro, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (13).
O resultado veio abaixo do consenso de mercado, que projetava queda de 0,2%, e reforça sinais de perda de ritmo da atividade econômica no fim do ano.
No acumulado de 2025, o volume de vendas avançou 1,6%. Embora positivo, o crescimento ficou bem abaixo da alta de 4,1% registrada em 2024, evidenciando a desaceleração do consumo ao longo do ano. Já a receita nominal do varejo cresceu 6,4%, refletindo o impacto dos preços sobre o faturamento do setor.
Varejo ampliado
O comércio varejista ampliado (que inclui veículos, motos, material de construção e atacado especializado em alimentos, bebidas e fumo) apresentou queda mais intensa, de 1,2% em dezembro. No fechamento de 2025, o segmento praticamente ficou estagnado, com leve alta de 0,1%.
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Retração é reflexo da taxa de juros
Para Sara Paixão, analista de macroeconomia da InvestSmart XP, o desempenho mais fraco do setor reflete os efeitos da política monetária restritiva.
“As vendas no varejo caíram 0,4% em dezembro, uma queda maior do que o consenso de mercado. O fechamento de 2025 mostrou um avanço de 1,6%, mas a amplitude é bem menor quando comparado ao crescimento de 4,1% em 2024, refletindo os impactos da taxa de juros em patamar contracionista para o comércio varejista”, afirma.
Segundo a analista, o varejo ampliado sente de forma ainda mais intensa o impacto dos juros elevados, especialmente no segmento de veículos, motos, partes e peças, que recuou 2,9% no ano.
“Produtos de maior valor dependem de financiamento, e a taxa de juros elevada desacelera as vendas”, explica.
Na avaliação de Sara, os indicadores mostram uma moderação já esperada da atividade econômica brasileira. Para os próximos meses, a expectativa é que o consumo seja parcialmente sustentado por medidas fiscais, como a ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil.