ETFs de ouro ganham espaço e ampliam exposição ao metal via criptoativos
Alta do metal fortalece ETFs na B3 e estimula interesse por tokens lastreados em ouro como alternativa de diversificação.
Foto: Pinterest
A forte valorização do ouro no mercado internacional nos últimos meses impulsionou o interesse de investidores brasileiros por ativos conhecidos como “ouro digital”, criptomoedas lastreadas em ouro físico que acompanham diretamente o preço do metal.
Dados do Mercado Bitcoin indicam que o volume negociado desses ativos cresceu cerca de 300% em 2025, refletindo a busca por alternativas de proteção em um cenário global marcado por incertezas geopolíticas, fiscais e monetárias.
Apesar da expansão acelerada, o mercado de ouro digital ainda é pequeno no Brasil. O volume transacionado no ano passado ficou em torno de R$ 50 milhões, valor bem inferior ao movimentado pelos principais ETFs de ouro listados na B3, como o GOLD11, que concentram bilhões de reais sob gestão. Ainda assim, a plataforma observa uma mudança no perfil do investidor, com aumento tanto do valor médio aplicado quanto do número de pessoas que passaram a incluir esse tipo de ativo na carteira.
Também pode te interessar:
Segundo o levantamento, o tíquete médio investido em ouro digital quase dobrou em 2025, enquanto a base de investidores cresceu cerca de 20%. O movimento acompanha a valorização do metal no exterior, que voltou a ganhar força após uma correção no fim de janeiro, diante do aumento da demanda por ativos defensivos em um ambiente de maior aversão ao risco.
No mercado global, o crescimento também foi expressivo. Tokens lastreados em ouro físico, como o Pax Gold (PAXG), movimentaram bilhões de dólares ao longo de 2025, impulsionados pela entrada de investidores institucionais e pela ampliação da oferta desses produtos por grandes empresas do setor de criptoativos.
O que é ouro digital e como funcionam os tokens lastreados em ouro
Diferentemente do Bitcoin, frequentemente chamado de “ouro digital” de forma conceitual, esses tokens têm lastro direto em barras de ouro armazenadas em cofres certificados. Cada unidade representa uma fração do metal físico, permitindo exposição ao ouro sem a necessidade de custódia direta ou compra de grandes volumes, além de possibilitar a transferência para carteiras digitais próprias.
Especialistas apontam que a facilidade de acesso, a possibilidade de investir valores menores e a integração com o ecossistema cripto ajudam a explicar o crescimento do segmento. Por outro lado, destacam que se trata de um modelo centralizado, no qual o investidor depende da credibilidade do emissor responsável pela guarda do ouro e pela emissão dos tokens.
Mesmo com essas características, o avanço do ouro digital sinaliza uma diversificação crescente das estratégias de investimento no Brasil, combinando a tradicional busca por proteção do ouro com a infraestrutura tecnológica dos criptoativos.