Ativos atrelados à inflação são destaque para investir em 2026

Painel no Smart Summit aponta corte menor da Selic, reforço na diversificação internacional e oportunidades em fundos imobiliários atrelados ao IPCA.

imagem do autor
Última atualização:  17 de mar, 2026 às 13:35
onde investir em 2026 Foto: Rafa Pereira

A expectativa de início do ciclo de queda de juros no Brasil e as incertezas do cenário global foram alguns dos temas discutidos no painel “Onde investir em 2026”, realizado no Smart Summit 2026.

A palestra contou com a participação de Alexandre Fernandes, da Paramis Capital; Giancarlo Gentiluomo, da AZ Quest; e Roberto Lee, fundador e CEO da Avenue Securities. A mediação foi feita por Rafael Bellas, coordenador de produtos da InvestSmart.

Durante a abertura do painel, Bellas destacou que o mercado acompanha com expectativa a próxima decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil, prevista para ocorrer em breve.

Segundo ele, a dúvida entre analistas está na intensidade do primeiro corte da taxa básica de juros.

“Daqui a uma semana o Copom deve iniciar a tão esperada redução da Selic. A dúvida é se o corte será de 50 ou 25 pontos-base”, afirmou.

Conflitos geopolíticos mudam expectativa para juros

Para Alexandre Fernandes, o cenário internacional recente alterou parte das projeções do mercado.

“O conflito envolvendo o Irã mudou completamente o cenário. Antes a expectativa era de um corte de 50 pontos-base, mas com o aumento das tensões a projeção agora tende a ser menor, de 25”, afirmou.

Segundo ele, em um ambiente de maior incerteza global, ativos defensivos seguem tendo espaço nas carteiras de investimento.

Entre as alternativas citadas estão ativos indexados à inflação e fundos imobiliários de crédito, conhecidos como fundos de “papel”.

“Fundos imobiliários de crédito imobiliário hoje chegam a negociar próximo de IPCA mais 9%. São posições defensivas que ainda fazem sentido no portfólio”, disse.

Diversificação internacional ganha força nas carteiras

Já Roberto Lee destacou que a diversificação internacional tende a ganhar cada vez mais importância para investidores brasileiros.

“Investidores de todos os perfis precisam caminhar para uma diversificação internacional”, afirmou.

Segundo ele, o Brasil passou a ser visto por muitos investidores como um mercado de maior risco dentro do portfólio global.

“Hoje o investimento Brasil é um investimento de risco. Pelo menos 18% do patrimônio deveria estar exposto ao dólar”, disse.

Lee também destacou que, no passado, investir no exterior era visto como uma estratégia mais voltada à experimentação ou à busca por retornos mais elevados.

Hoje, segundo ele, a lógica mudou.

“O dinheiro que ia para fora era de experimentação, de tomada de risco. Hoje o principal objetivo é proteger o poder de compra em uma moeda forte”, afirmou.

Ele acrescentou que a diversificação internacional normalmente começa pela exposição cambial e, posteriormente, pode se expandir para outras classes de ativos, incluindo renda variável global.

Falta de acesso ainda limita investidores brasileiros

Apesar do avanço das plataformas internacionais, Lee afirmou que muitos investidores brasileiros ainda enfrentam barreiras para investir fora do país.

Segundo ele, a falta de acesso e de conhecimento sobre os instrumentos disponíveis continua sendo um dos principais fatores que mantêm o chamado “home buyer”, quando investidores concentram grande parte do patrimônio no próprio país.

Pedro Gomes

Jornalista formado pela UniCarioca, com experiência em esportes, mercado imobiliário e edtechs. Desde 2023, integra a equipe do Melhor Investimento.