Crise na Raízen (RAIZ4) e no GPA (PCAR3) reacende alerta no crédito privado
Turbulências envolvendo Raízen e Grupo Pão de Açúcar levantam preocupações sobre contágio no crédito privado, especialmente entre investidores pessoa física.
Imagem: Raízen/Divulgação
Os recentes pedidos de recuperação extrajudicial da Raízen (RAIZ4) e do Grupo Pão de Açúcar – GPA (PCAR3) voltaram a colocar o mercado de crédito privado em estado de atenção.
A situação reacende entre investidores a memória da crise provocada pelo caso Americanas, no início de 2023, quando o mercado foi surpreendido por inconsistências contábeis que afetaram diversos fundos e ativos de renda fixa.
Embora especialistas avaliem que o impacto direto dessas empresas sobre fundos de crédito tradicionais tende a ser limitado, o principal receio está no efeito de contágio, capaz de ampliar a aversão ao risco entre investidores.
Risco maior está na reação do investidor PF
Segundo um gestor de crédito privado ouvido pelo InfoMoney, o caso da Raízen preocupa principalmente pela grande quantidade de investidores pessoa física expostos a títulos da companhia, como Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e debêntures incentivadas.
Esses papéis ganharam popularidade nos últimos anos, sobretudo pela isenção de Imposto de Renda, o que atraiu uma base ampla de investidores individuais.
De acordo com o gestor, o risco pode surgir quando os investidores perceberem o impacto da marcação a mercado desses ativos. Esse tipo de deságio expressivo pode gerar um efeito manada, levando investidores a evitar novas aplicações em crédito privado.
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Contágio psicológico preocupa
Analistas avaliam que o maior risco não está necessariamente na exposição direta das carteiras institucionais, mas no impacto psicológico no mercado.
Se investidores pessoa física passarem a questionar a segurança desse tipo de ativo, a consequência pode ser uma redução no fluxo de recursos para fundos de crédito, elevando o custo de financiamento de empresas.
Esse cenário já foi observado após o episódio da Americanas, quando diversos fundos registraram saídas relevantes e o mercado primário ficou temporariamente travado.
Setor sucroenergético pode encontrar apoio no petróleo
Apesar das dificuldades enfrentadas pela Raízen, o setor sucroenergético pode encontrar algum suporte no cenário internacional.
A recente alta do preço do petróleo, impulsionada por tensões geopolíticas, tende a favorecer o mercado de etanol, já que o combustível renovável se torna mais competitivo em relação à gasolina.
Nesse contexto, usinas com flexibilidade produtiva podem redirecionar parte da produção do açúcar para o etanol, melhorando a geração de caixa e equilibrando as métricas financeiras.
Além disso, uma eventual redução da produção global de açúcar poderia contribuir para sustentar os preços da commodity no mercado internacional.
Mesmo assim, especialistas ressaltam que o momento exige cautela. O episódio envolvendo grandes empresas reacende o debate sobre avaliação de risco, diversificação e transparência no mercado de crédito privado, especialmente em um ambiente com maior participação de investidores individuais.
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