GPA e Raízen dão adeus ao Ibovespa após pedido de recuperação
Em meio a crise, as duas gigantes são excluídas dos índices da B3. Ambas passam a negociar sob novo status na bolsa.
Imagem: GPA/Raízen/Reprodução (Montagem: MI)
As ações do Grupo Pão de Açúcar (GPA) e da Raízen foram excluídas do Ibovespa e de outros índices da B3, conforme confirmou a bolsa brasileira nesta segunda-feira (16). A decisão ocorre após ambas as companhias anunciarem processos de recuperação extrajudicial na última semana.
O GPA formalizou seu acordo com credores na terça-feira (10), enquanto a Raízen comunicou a medida no dia seguinte, quarta-feira (11). Com isso, os papéis passaram a ser negociados sob a classificação de “Recuperação Extrajudicial”, movimento que, pelas regras da B3, leva automaticamente à exclusão dos índices.
Segundo a bolsa, a retirada seguiu os critérios estabelecidos no Manual de Definições e Procedimentos. Os ativos foram excluídos com base no preço de fechamento dos pregões subsequentes ao anúncio, e seus pesos redistribuídos entre os demais componentes das carteiras.
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Recuperação extrajudicial ganha espaço
A saída de duas grandes companhias dos principais índices da bolsa evidencia o avanço da recuperação extrajudicial como alternativa para empresas em dificuldades financeiras.
Diferentemente da recuperação judicial — que envolve supervisão mais rígida do Judiciário desde o início —, a modalidade extrajudicial permite negociações diretas entre empresas e credores antes da formalização na Justiça.
Na avaliação do advogado Fernando Canuto, especialista em reestruturação, ouvido pela Gazeta do Povo, o modelo oferece mais agilidade ao processo. Ele explica que, ao contrário da recuperação judicial, que pode se estender por anos, a extrajudicial tende a ser concluída em prazos mais curtos, muitas vezes em poucos meses.
Outro ponto destacado é a flexibilidade. Segundo o especialista, a empresa pode negociar com grupos específicos de credores, sem a obrigatoriedade de incluir toda a base de dívidas no acordo.
Movimentação dos ativos em tempo real:
Prazo para reorganização financeira
Tanto GPA quanto Raízen passam agora por um período de suspensão temporária de pagamentos, com duração de 90 dias. Durante esse intervalo, as companhias buscam avançar nas negociações e cumprir as etapas necessárias para a homologação definitiva dos planos de reestruturação.
A exclusão dos índices marca um novo capítulo na crise das empresas e reforça o momento desafiador enfrentado por grandes grupos no mercado brasileiro.
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