O agronegócio brasileiro é um dos pilares da economia nacional, representando uma parcela significativa do Produto Interno Bruto (PIB) e sendo responsável por uma grande parte das exportações do país. 

Com um mercado em constante crescimento e diversas oportunidades de investimento, muitos se perguntam: vale a pena investir no agronegócio? Neste artigo, o Melhor Investimento explora as vantagens e desafios desse setor, discutindo as principais opções de aporte e as perspectivas futuras para investidores.

Potencial econômico do agronegócio no Brasil

O agronegócio brasileiro é um setor gigante em constante crescimento, o que por sua vez, reflete em um potencial econômico vasto e diversificado. Sendo assim, sem dúvida, hoje o agro representa um pilar fundamental para a economia nacional e global.

O Brasil se destaca como um dos maiores produtores e exportadores de commodities agrícolas do mundo, com itens como soja, milho, café, carne bovina e suína figurando entre os principais itens da pauta exportadora.

Essa pujança se reflete diretamente na economia nacional, com o agronegócio contribuindo significativamente para o Produto Interno Bruto (PIB) do país. Em 2022, o setor já ostentava uma participação de aproximadamente 25% no PIB brasileiro.

Os números mais recentes comprovam a força do agronegócio como motor do crescimento do país. Segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o PIB da agropecuária registrou um crescimento de 15,1% em 2023 em relação a 2022, o que representa o maior resultado da série histórica.

Conforme apontou a confederação, o desempenho robusto impulsionou o PIB brasileiro como um todo, que registrou uma alta 2,9% em 2023

Exportações e mercados Internacionais

Até meados da década de 1980, o Brasil figurava como um improvável ator no cenário global do agronegócio. Dependente de importações para suprir sua demanda interna de alimentos, o país vivenciava frequentes crises de abastecimento.

Diante de eventos como o crescimento urbano e investimentos em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias, ao longo do tempo o agronegócio brasileiro se consolidou como um importante player no mercado internacional

As exportações de produtos agrícolas dispararam, impulsionadas pela crescente demanda global por alimentos. Em 2022, o Brasil já se posicionava como terceiro maior exportador agro do globo, estando atrás apenas do conjunto de países membros da União Europeia (UE), e dos Estados Unidos. É o que apontam os dados da UNComtrade reportados pela Insper Agro Global 

As exportações do agronegócio brasileiro totalizaram US$ 165,05 bilhões em 2023, um novo recorde que evidencia a importância do setor para a economia nacional. 

O montante representa 48,6% do total das exportações brasileiras no período entre janeiro e dezembro do último ano, um aumento de 1,04 ponto percentual em comparação com 2022. Embora o PIB do agro tenha retraído, o agronegócio manteve sua posição de destaque na economia nacional, com uma participação de 23,8% no PIB total do país em 2023.

Números do comércio exterior do agronegócio em 2023

IndicadorResultados em 2023Variação em relação a 2022
Superávit AcumuladoUS$ 148,58 bilhões+4,9%
Exportações do AgronegócioUS$ 165,05 bilhões+3,9%
Importações do AgronegócioUS$ 16,47 bilhões-4,5%
Participação das Importações do Agronegócio no Total Importado pelo Brasil6,8%Estável
Participação do Agronegócio no Total Exportado pelo Brasil48,6%+1,04 p.p.
Fonte: Carta de Conjuntura/IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada)   

Desafios e perspectivas do agro

Apesar do cenário promissor, o agronegócio brasileiro também enfrenta desafios. A queda de preços em todos os segmentos da cadeia produtiva em 2023 resultou em uma diminuição de 2,99% no PIB do Agronegócio em relação ao ano anterior, segundo dados da CNA e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Segmentos mais impactados: 

SegmentoVariação em 2023
Insumos-23,57%
Agroindústria-2,05%
Agrosserviços-1,31%
Setor Primário-1,00%

O ano de 2023 foi marcado por um cenário desafiador para o segmento de insumos do agronegócio brasileiro. Comparado com 2022, o setor vivenciou uma queda expressiva de 23,57%, em grande parte, devido a fatores como 

  • Declínio nos preços de fertilizantes, insumos e rações registraram; E
  • Queda na produção de máquinas agrícolas. 

“O resultado do PIB divulgado pela CNA e pelo Cepea apresenta os dados de toda a cadeia produtiva (insumos, produção agropecuária, agroindústria e agrosserviços)”, informou a CNA em canal oficial de notícias. 

Embora o PIB do agro tenha retraído, o agronegócio manteve sua posição de destaque na economia nacional, com uma participação de 23,8% no PIB total do país em 2023.

Vantagens competitivas do agronegócio brasileiro

Dentre os diversos aspectos que destacam agro, pode-se destacar

1. Clima favorável e extensão territorial

O Brasil possui uma vasta extensão territorial com diferentes tipos de clima, o que permite a produção diversificada de uma ampla gama de produtos agropecuários durante todo o ano. Isso inclui grãos, frutas, carnes e outros produtos do segmento.

2. Tecnologia e inovação

O agro brasileiro é conhecido por investir significativamente em tecnologia e inovação. O uso de técnicas avançadas de cultivo, biotecnologia, agricultura de precisão e maquinário moderno tem aumentado a produtividade e a eficiência das operações agrícolas.

3. Recursos naturais abundantes

Não é novidade para ninguém que o Brasil é rico em recursos naturais, algo essencial para a produção agrícola. A disponibilidade desses recursos contribui para a alta produtividade e qualidade dos produtos agropecuários.

4. Diversificação de produtos

A capacidade de produzir uma ampla variedade de produtos agrícolas permite ao Brasil atender a diferentes mercados e reduzir a dependência de um único produto ou mercado. Isso contribui para a resiliência do setor frente a flutuações de mercado e condições climáticas adversas.

5. Exportações e acesso a mercados Internacionais

O Brasil é um dos maiores exportadores de produtos agropecuários do mundo, com acesso a diversos mercados internacionais. A qualidade e a competitividade dos produtos brasileiros são reconhecidas globalmente, o que fortalece a posição do país no comércio internacional.

6. Políticas de apoio ao agronegócio

O governo brasileiro tem implementado políticas de apoio ao agronegócio, incluindo incentivos fiscais, linhas de crédito específicas e programas de pesquisa e desenvolvimento. Essas políticas ajudam a sustentar o crescimento e a competitividade do setor.

Financeirização do agronegócio

O agronegócio agora também é de papel, ou seja, investir no agro brasileiro não se resume mais apenas à compra de terras, sementes ou gado. Hoje em dia, é possível aplicar parte das suas economias em títulos financeiros e lucrar com o setor mesmo sem precisar “colocar a mão na terra”.

Essa nova realidade, vem sendo descrita como a financeirização do agronegócio. Dados do Ministério da Agricultura comprovam essa tendência: o patrimônio total de instrumentos financeiros privados voltados ao agronegócio mais do que dobrou em apenas dois anos.

No final de 2021, o valor era de R$ 383 bilhões. Já em 2023, esse montante atingiu R$ 953 bilhões, superando inclusive o valor total do Plano Safra 2023/2024, principal programa de financiamento público do governo para o setor.

Embora criados com o objetivo de diminuir a dependência do agronegócio do crédito público, especialistas alertam que esses instrumentos financeiros não alcançaram completamente seu objetivo.

“Os instrumentos financeiros que não resolvem o problema da oferta de crédito e ainda têm um impacto brutal na estrutura agrária”, pontuou Gerson Teixeira, engenheiro agrônomo e diretor da Abra, em entrevista ao portal Brasil de Fato (BdF).

A título de exemplo, o especialista destacou os Fiagros, fundos de investimento que podem comprar terras com dinheiro de investidores, podem levar à especulação imobiliária e ao aumento do preço da terra, dificultando o acesso à posse de terra para pequenos produtores.

De todo modo, o agro hoje também é financeiro, ou seja, além da produção e comercialização de produtos agrícolas, ele também envolve uma série de operações financeiras e investimentos que hoje integram o desenvolvimento do setor.

Como investir no agro? 

O agronegócio oferece diversas opções de investimento para diferentes perfis de investidores, desde aqueles que buscam renda fixa até os que desejam se aventurar em investimentos mais arrojados.

Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA)

O Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) é um título de renda fixa lastreado em recebíveis originados de negócios entre produtores rurais e terceiros. Esses títulos são emitidos por companhias securitizadoras e são utilizados para financiar atividades relacionadas à produção, comercialização, beneficiamento ou industrialização de produtos agropecuários. 

Os investidores que compram CRAs estão, na prática, financiando o agronegócio e, em troca, recebem uma remuneração que pode ser atrelada ao CDI, a índices de preços ou ser prefixada.

Letra de Crédito do Agronegócio (LCA)

A Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) é um título de renda fixa emitido por instituições financeiras, respaldado por créditos provenientes de financiamentos ao setor agropecuário. Uma das principais vantagens das LCAs é a isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas, tornando-as uma opção atraente para investidores. 

Esses títulos oferecem diferentes modalidades de rentabilidade, podendo ser prefixada, pós-fixada ou vinculada a índices de inflação, e contam com a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até um determinado limite.

Cédula do Produtor Rural (CPR)

A Cédula do Produtor Rural (CPR) é um título de crédito que representa uma promessa de entrega futura de produtos agropecuários ou de pagamento em dinheiro. Ela pode ser emitida por produtores rurais ou suas cooperativas e é utilizada como garantia em operações de crédito. 

Existem diferentes tipos de CPR, como a CPR física, que envolve a entrega de produtos, e a CPR financeira, que envolve o pagamento em dinheiro.

Fundos de Investimento em Cadeias Agroindustriais (Fiagros)

Os Fundos de Investimento em Cadeias Agroindustriais (Fiagros) são veículos de investimento que permitem a aplicação de recursos em ativos ligados ao agronegócio, como imóveis rurais, CRAs, LCAs e ações de empresas do setor. 

Os Fiagros oferecem aos investidores a possibilidade de diversificar seus investimentos e participar do crescimento do agronegócio brasileiro. Além de ter seus recursos geridos por profissionais da área, pode ser uma opção para quem deseja gerar rendas passivas por meio de dividendos. 

Ações de empresas do agronegócio

Investir em ações do agronegócio é uma forma de participar do crescimento desse setor. Empresas que atuam na produção, comercialização e industrialização de produtos agropecuários, bem como na fabricação de insumos e maquinários, podem oferecer boas oportunidades de investimento. 

Essas ações são negociadas na bolsa de valores e podem proporcionar ganhos de capital e dividendos aos investidores.

Afinal, Vale a Pena Investir no Agronegócio?

A resposta para a pergunta de se vale a pena investir no agronegócio em 2024 não é simples e depende de diversos fatores, como seu perfil de risco, objetivos de investimento e horizonte de tempo.

Em geral, o agronegócio brasileiro se apresenta como um setor resiliente com potencial para gerar retornos atrativos. Dentre, as vantagens do segmento pode-se destacar:  

  • Setor estratégico: o agronegócio é fundamental para a economia brasileira, respondendo por cerca de 23% do PIB e sendo um dos principais exportadores do país.
  • Resiliência: o agronegócio é considerado um setor resiliente, menos suscetível a crises econômicas do que outros setores.
  • Diversificação: investir no agronegócio pode ser uma boa maneira de diversificar seu portfólio, reduzindo os riscos gerais.
  • Opções de investimento variadas: existem diversas maneiras de investir no agronegócio, desde a compra de terras e commodities até fundos de investimento e startups.

De todo modo, toda decisão de investimento é individual, ou seja, ela deve partir de uma pesquisa própria, de modo que o potencial aporte se adeque ao seu perfil. Portanto, é recomendado considerar os seguintes pontos: 

  • Educação financeira: invista em conhecimento sobre o mercado financeiro e as diferentes modalidades de investimento. Leia livros, artigos, assista vídeos e participe de cursos para tomar decisões conscientes.
  • Assessoria profissional: Busque orientação de um profissional qualificado, como um planejador financeiro, para te auxiliar na construção de um portfólio adequado ao seu perfil e objetivos.

Por fim, vale reforçar que o presente artigo, não recomenda tampouco desaconselha qualquer tipo de aplicação voltada ao agronegócio. Sua natureza é meramente informativa, e busca servir como auxílio para o seu planejamento de investimentos.

Lucas Machado

Redator do Melhor Investimento e estudante de Psicologia, com mais de dois anos de experiência em redação de artigos relacionados aos mais variados assuntos e campos do saber.