XP projeta redução da taxa de juros em março

Com a Selic mantida em 15%, bancos e corretoras projetam início dos cortes de juros e analisam os impactos para o Ibovespa.

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Última atualização:  29 de jan, 2026 às 11:28
fachada da XP INVESTIMENTOS, que projeta queda nos juros/selic em março de 2026 (Foto: Danielle Sampaulo)

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano reforçou, entre bancos e corretoras, a avaliação de que o Banco Central prepara o terreno para iniciar um ciclo gradual de cortes de juros, possivelmente já na reunião de março.

A leitura predominante é que, embora a política monetária siga em território contracionista, o comunicado trouxe uma sinalização mais clara de flexibilização condicionada aos dados, o que ajuda a explicar o bom desempenho recente do Ibovespa, que renovou máximas históricas e chegou à região dos 185 mil pontos nos últimos pregões.

Para a XP Investimentos, a comunicação foi consistente com a possibilidade concreta de cortes já em março. A casa destaca que as projeções de inflação do próprio Banco Central seguem em 3,2% no horizonte relevante (terceiro trimestre de 2027) e que, considerando o câmbio atual, esse número poderia se aproximar de 3,0%. Nesse cenário, a XP mantém a projeção de cinco cortes consecutivos de 0,50 ponto percentual, levando a Selic a 12,50% ao final do ciclo.

Impactos da redução da taxa de juros para o Ibovespa

A perspectiva de queda gradual dos juros tem efeitos diretos sobre o Ibovespa. Um ambiente de juros estruturalmente mais baixos reduz o custo de capital das empresas, favorece setores mais sensíveis ao crédito e aumenta a atratividade relativa da renda variável frente à renda fixa. Esse movimento já começa a ser precificado pelo mercado, como mostram as recentes máximas do índice.

Apesar disso, analistas ressaltam que o cenário positivo depende da confirmação de uma trajetória benigna para a inflação e da manutenção de um ambiente fiscal mais previsível. Caso esses fatores voltem a gerar ruído, o prêmio de risco exigido pelos investidores pode aumentar, limitando o potencial de valorização da Bolsa.

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Pedro Gomes

Jornalista formado pela UniCarioca, com experiência em esportes, mercado imobiliário e edtechs. Desde 2023, integra a equipe do Melhor Investimento.