Vereador rasga foto de Toffoli na tribuna e pede impeachment após relatório da PF

O vereador Lucas Pavanato (PL-SP) rasgou uma foto do ministro Dias Toffoli durante sessão na Câmara Municipal de São Paulo e defendeu seu impeachment.

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Última atualização:  12 de fev, 2026 às 22:27
Captura de tela de uma transmissão ao vivo da Rede Câmara SP. No centro, o vereador Lucas Pavanato (PL), um homem jovem de pele clara e cabelos curtos escuros, veste um terno azul-marinho. Ele está atrás de uma tribuna de madeira e segura, com as duas mãos, uma fotografia impressa do ministro Dias Toffoli, iniciando o gesto de rasgá-la ao meio. No canto inferior esquerdo, há um GC (legenda) com seu nome e partido, além de um QR Code. No canto inferior direito, há um intérprete de Libras realizando a tradução sinalizada. O fundo é uma parede de mármore claro. Foto: Reprodução/Youtube Câmara Municipal de São Paulo

O episódio em que vereador rasga foto de Toffoli na tribuna ganhou repercussão nacional nesta quinta-feira (12), após o parlamentar Lucas Pavanato (PL-SP) criticar duramente o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli durante sessão na Câmara Municipal de São Paulo.

O ato ocorreu em meio ao avanço das investigações envolvendo o Banco Master e ao pedido da Polícia Federal (PF) para que o ministro seja declarado suspeito no caso. O gesto de rasgar a imagem do magistrado foi publicado nas redes sociais, mas acabou sendo arquivado pouco depois — segundo a assessoria do vereador, por “baixo engajamento”.

O caso reúne questionamentos institucionais, embates políticos e possíveis desdobramentos jurídicos, colocando em foco a atuação do STF e a relação entre autoridades públicas e investigados.

PF pede suspeição de Toffoli no caso Banco Master

O ponto central da crise envolve a investigação sobre o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro. Na segunda-feira (9), a Polícia Federal encaminhou relatório ao presidente do STF, Edson Fachin, solicitando a suspeição de Dias Toffoli na relatoria do processo.

O pedido ocorreu após peritos encontrarem menções ao nome do ministro no celular do empresário investigado. Segundo apuração divulgada pela imprensa, também foram identificadas conversas entre Vorcaro e o próprio magistrado.

Diante das novas informações, Fachin solicitou que Toffoli se manifeste formalmente. No mesmo dia em que o vereador rasga foto de Toffoli na tribuna, o ministro determinou que a Polícia Federal encaminhe ao Supremo o conteúdo completo de todos os celulares apreendidos na investigação.

A decisão ampliou o alcance da análise interna no STF e aumentou a pressão sobre o relator do caso.

Vereador rasga foto de Toffoli na tribuna e pede impeachment

Durante a 100ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de São Paulo, Lucas Pavanato afirmou que Toffoli seria “uma vergonha para todos os brasileiros” e que a situação envolvendo a relatoria do caso “chega a dar náuseas”.

O momento mais emblemático ocorreu quando o parlamentar rasgou uma fotografia do ministro enquanto discursava na tribuna. O vídeo foi divulgado em suas redes sociais, mas acabou arquivado pouco depois. A equipe do vereador afirmou que a remoção ocorreu por causa do baixo alcance da publicação.

No pronunciamento, o vereador rasga foto de Toffoli na tribuna e defende abertamente o impeachment do ministro. Segundo ele, a permanência de Toffoli na relatoria comprometeria a credibilidade da Corte.

“Já passou da hora de darmos um recado. O impeachment é o mínimo que se espera para restabelecer o respeito do Supremo Tribunal Federal”, declarou.

Pavanato foi o vereador mais votado do País nas eleições de 2024, com 161.386 votos, consolidando-se como uma das principais vozes da ala bolsonarista na capital paulista.

Relações empresariais e esclarecimentos

Em meio às pressões, Dias Toffoli confirmou ser sócio e ter recebido dividendos de uma empresa que realizou negócios com fundo de investimentos ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro. O ministro afirmou, porém, que não mantém relação de amizade com o empresário e que jamais recebeu valores diretamente dele.

Reportagens apontaram que a empresa Maridt, da qual Toffoli é sócio ao lado de familiares, possuía participação em dois resorts da rede Tayayá e vendeu sua fatia a fundos que teriam ligação indireta com o banqueiro investigado.

A controvérsia alimenta o debate sobre eventual conflito de interesses, que é justamente a base do pedido de suspeição apresentado pela PF.

Questionamentos sobre contrato ligado à esposa de Alexandre de Moraes

O vereador também ampliou as críticas ao mencionar contrato firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Associados, vinculado à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes.

O contrato previa pagamento de R$ 3,6 milhões mensais durante três anos, podendo atingir R$ 129 milhões até 2027. Segundo o documento, o escritório atuaria na defesa dos interesses do banco junto ao Banco Central, Receita Federal e Congresso Nacional.

Em nota divulgada anteriormente, Moraes afirmou que o escritório de sua esposa “jamais atuou na operação de aquisição BRB-Master perante o Banco Central”.

Repercussão institucional

Após a divulgação do relatório da PF, Edson Fachin interrompeu sessão plenária do Supremo para reunião reservada com os ministros da Corte. A expectativa é que todos tenham acesso ao relatório e à manifestação formal da defesa de Toffoli.

O episódio em que o vereador rasga foto de Toffoli na tribuna ocorre em um momento de tensão institucional, marcado por críticas públicas ao Judiciário e disputas políticas envolvendo decisões da Suprema Corte.

O que começou como um pedido técnico de suspeição transformou-se rapidamente em um embate político com forte repercussão nas redes sociais e no cenário nacional. O desfecho dependerá da análise interna do STF e das próximas decisões relacionadas ao caso Banco Master.

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