Senadores pedem acesso ao inquérito do Banco Master no STF e defendem convocação de Vorcaro

Senadores da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) se reuniram com o presidente do STF, Edson Fachin, para solicitar acesso ao inquérito do Banco Master, que investiga fraudes estimadas em até R$ 17 bilhões.

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12 de fev, 2026 às 11:00
Retrato em plano médio do senador Renan Calheiros. Ele é um homem de pele clara, cabelos grisalhos e usa óculos de grau com armação fina. Imagem: Lula Marques / Agência Brasil

A movimentação de parlamentares em torno do inquérito do Banco Master ganhou força na última quarta-feira (11), após reunião entre integrantes da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin. O pedido central é o acesso às investigações que apuram fraudes bilionárias na instituição financeira, liquidada pelo Banco Central no ano passado.

O encontro ocorreu em Brasília e foi liderado pelo presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL). Segundo ele, a comissão tem competência constitucional para fiscalizar o sistema financeiro nacional e, por isso, deve acompanhar de perto o andamento do inquérito do Banco Master. A investigação está sob relatoria do ministro Dias Toffoli no STF.

A iniciativa busca ampliar a transparência sobre o caso e permitir que o Senado atue na apuração de responsabilidades, especialmente diante da dimensão financeira das supostas irregularidades, que podem alcançar R$ 17 bilhões.

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O principal ponto defendido pelos parlamentares é que o Legislativo precisa ter acesso formal aos autos do inquérito do Banco Master para exercer sua função fiscalizatória. De acordo com Renan Calheiros, a CAE não pretende interferir na condução judicial, mas sim obter informações que permitam avaliar eventuais falhas regulatórias e propor medidas legislativas.

Após a reunião com Fachin, o senador afirmou que também buscará diálogo com outros ministros do STF e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet. A estratégia é construir um entendimento institucional que viabilize o compartilhamento das informações.

O argumento central é que o Senado, por meio da CAE, tem atribuição legal para acompanhar temas relacionados ao sistema financeiro, especialmente quando envolvem impactos econômicos relevantes e possíveis prejuízos ao erário.

O inquérito do Banco Master investiga suspeitas de concessão de créditos fictícios, manipulação de operações financeiras e tentativa de aquisição da instituição por meio de operações consideradas irregulares. O caso ganhou notoriedade após a deflagração da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal em novembro de 2025.

Convocação de Daniel Vorcaro entra na pauta da CAE

Além do acesso ao inquérito do Banco Master, a CAE pretende convocar o banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como controlador da instituição, para prestar esclarecimentos. Segundo Renan Calheiros, ouvir o empresário seria o primeiro passo para que os trabalhos avancem.

A proposta é iniciar uma fase de depoimentos na comissão, com o objetivo de reunir informações diretamente dos envolvidos. A convocação, caso aprovada, obrigaria Vorcaro a comparecer ao Senado.

A medida é vista como estratégica para esclarecer como funcionavam as operações sob suspeita e quais mecanismos permitiram que as irregularidades alcançassem cifras bilionárias. Parlamentares avaliam que o caso pode revelar falhas de supervisão e exigir mudanças regulatórias.

Para entender o contexto da liquidação e seus impactos no sistema financeiro, veja também nossa cobertura sobre a atuação do Banco Central em intervenções bancárias.

Operação Compliance Zero e suspeita de R$ 17 bilhões

O inquérito do Banco Master teve origem nas apurações da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal. A investigação aponta que a instituição teria concedido créditos considerados inexistentes ou sem lastro adequado, inflando artificialmente seus ativos.

Outro ponto sob análise é a tentativa de compra do banco pelo Banco de Brasília (BRB), instituição pública ligada ao governo do Distrito Federal. As autoridades investigam se a operação envolveu irregularidades e se houve omissão de informações relevantes.

Segundo estimativas preliminares, o volume das fraudes pode chegar a R$ 17 bilhões. Esse montante colocou o caso entre os mais expressivos do sistema financeiro recente.

A liquidação do Banco Master pelo Banco Central ocorreu após a identificação de inconsistências que comprometeriam a saúde financeira da instituição. O tema também levanta discussões sobre governança, fiscalização e transparência no setor bancário — assuntos frequentemente debatidos na CAE e em decisões do próprio STF.

O que está em jogo

O pedido de acesso ao inquérito do Banco Master ocorre em um momento de crescente pressão política por respostas. Parlamentares defendem que o caso não se limita à esfera judicial, mas envolve potenciais impactos econômicos e regulatórios.

A depender do avanço das investigações, o Senado pode propor mudanças na legislação bancária ou intensificar a fiscalização sobre instituições financeiras de médio porte.

Enquanto o STF conduz o processo judicial, o Legislativo busca cumprir seu papel institucional. O desfecho do inquérito do Banco Master poderá influenciar tanto o ambiente regulatório quanto a percepção de risco no mercado financeiro brasileiro.

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