Vendas no varejo brasileiro crescem pelo 3º mês seguido e batem recorde em março, diz IBGE

As vendas no varejo brasileiro cresceram pelo terceiro mês consecutivo em março e atingiram o maior nível da série histórica, segundo o IBGE.

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Última atualização:  13 de maio, 2026 às 17:31
Interior de uma loja de vestuário focada em moda de inverno e atividades ao ar livre. Vários casacos pesados, jaquetas térmicas e parkas em tons de marrom, cinza e preto estão expostos em araras e suportes de madeira. Imagem: Reuters/ Amanda Perobelli

As vendas no varejo brasileiro voltaram a crescer em março e registraram o terceiro avanço consecutivo, atingindo o maior nível da série histórica iniciada em 2000, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O resultado reforça o momento de recuperação gradual do consumo no país, mesmo em um cenário de juros elevados e incertezas externas.

O avanço foi de 0,5% em relação a fevereiro, após altas de 0,7% no mês anterior e de 0,5% em janeiro. Já na comparação com março do ano passado, o crescimento foi de 4,0%. O desempenho veio acima das expectativas do mercado, que projetava estabilidade no mês e alta mais moderada na base anual.

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As vendas cresceram pelo terceiro mês seguido em março, atingindo um novo recorde histórico. O resultado foi puxado principalmente por setores ligados a tecnologia, combustíveis e consumo pessoal.

No conceito de varejo restrito, que exclui veículos e materiais de construção, o crescimento de 0,5% confirmou a continuidade de uma trajetória positiva iniciada no final de 2025. No varejo ampliado, o avanço foi de 0,3% na comparação mensal.

Esse comportamento indica que as vendas seguem resilientes mesmo diante de custos elevados de crédito e inflação ainda sensível em alguns segmentos.

Quando, onde e como as vendas no varejo brasileiro cresceram?

O avanço ocorreu em março de 2026, em todo o território nacional, conforme levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

O crescimento foi registrado tanto no varejo restrito quanto no ampliado. No restrito, houve alta de 0,5%, enquanto o ampliado avançou 0,3%. A base de comparação foi o mês anterior, fevereiro de 2026.

O desempenho foi influenciado por cinco das oito atividades pesquisadas, com destaque para o setor de equipamentos de informática e comunicação, que avançou 5,7%. Esse movimento ajudou a impulsionar as vendas no varejo, especialmente em categorias de produtos importados.

Por que as vendas no varejo brasileiro cresceram?

O crescimento está ligado a uma combinação de fatores econômicos e conjunturais.

Apesar da taxa de juros elevada, o consumo segue sustentado por um mercado de trabalho ainda aquecido e por medidas de estímulo à renda. O Banco Central do Brasil reduziu recentemente a taxa Selic para 14,5%, mas manteve uma postura cautelosa em relação aos próximos passos da política monetária.

Outro fator relevante foi a valorização do real frente ao dólar, que reduziu o custo de produtos importados e favoreceu segmentos como eletrônicos e informática. Isso teve impacto direto no desempenho das vendas, especialmente em bens duráveis.

Além disso, o cenário externo também influenciou o consumo. A guerra no Oriente Médio, iniciada no fim de fevereiro, elevou o preço do petróleo e pressionou combustíveis e alimentos, afetando o comportamento dos consumidores, mas sem reverter a tendência de crescimento do setor.

Quais setores impulsionaram as vendas?

Entre os segmentos analisados, cinco apresentaram crescimento e ajudaram a sustentar as vendas no varejo brasileiro:

  • Equipamentos e material de informática e comunicação (+5,7%)
  • Combustíveis e lubrificantes (+2,9%)
  • Outros artigos de uso pessoal e doméstico (+2,9%)
  • Livros, jornais e papelaria (+0,7%)
  • Artigos farmacêuticos e de perfumaria (+0,1%)

O destaque absoluto ficou com o setor de tecnologia, que se beneficiou da queda relativa do dólar e da maior demanda por eletrônicos importados.

Por outro lado, alguns segmentos pesaram negativamente, como móveis e eletrodomésticos (-0,9%) e supermercados, alimentos e bebidas (-1,4%). O setor de vestuário permaneceu estável no período.