Setor de serviços cresce 0,1% em fevereiro e frustra projeções do mercado

O setor de serviços brasileiro registrou crescimento de 0,1% em fevereiro, segundo o IBGE, ficando abaixo das expectativas do mercado.

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Última atualização:  15 de abr, 2026 às 22:38
Visão em close das mãos de uma pessoa digitando em um laptop prata sobre uma mesa de madeira rústica. Imagem gerada por IA

O setor de serviços cresce 0,1% em fevereiro no Brasil e fica abaixo das expectativas do mercado, segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo IBGE. O resultado, que representa uma desaceleração em relação às projeções de analistas consultados pela Reuters, reforça sinais de moderação no ritmo da economia. Ainda assim, o segmento segue em nível recorde da série histórica, sustentado principalmente por atividades ligadas à tecnologia e ao consumo das famílias.

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O crescimento mensal de apenas 0,1% ocorre após previsões mais otimistas, que apontavam para uma alta de 0,5%. Na comparação com fevereiro do ano passado, o avanço foi de 0,5%, também aquém da expectativa de 1,7%.

O desempenho revela um cenário de desaceleração, ainda que o setor continue mostrando resiliência. Esse comportamento é relevante porque os serviços representam a maior fatia do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e têm forte influência sobre o nível de emprego e renda no país.

Atividade segue em nível recorde e mantém sequência positiva

Mesmo com o resultado abaixo do esperado, o setor de serviços permanece no ponto mais alto da série histórica iniciada pelo IBGE. Além disso, a atividade acumula 23 meses consecutivos de crescimento na comparação anual, evidenciando uma trajetória consistente desde o período pós-pandemia.

No acumulado de 12 meses, o avanço é de 2,7%, indicando que, apesar das oscilações mensais, a tendência geral ainda é positiva. Esse movimento tem sido impulsionado por mudanças estruturais na economia, como a digitalização de serviços e o aumento da demanda por soluções tecnológicas.

Tecnologia e transportes puxam o crescimento

Entre os destaques positivos, o segmento de informação e comunicação teve alta de 1,1% em fevereiro, sendo o principal responsável pelo desempenho do mês. Dentro desse grupo, atividades como desenvolvimento de software, hospedagem de dados e serviços digitais continuam ganhando espaço.

Outro fator relevante foi o crescimento de 0,6% no setor de transportes, com destaque para o transporte rodoviário de cargas, que avançou 0,9%. Esse resultado está diretamente ligado à atividade logística e ao escoamento de produção, refletindo o funcionamento da cadeia produtiva.

Além disso, os serviços prestados às famílias cresceram 1,4%, recuperando parte das perdas registradas em janeiro. O avanço foi impulsionado principalmente por segmentos como restaurantes e hotelaria, indicando retomada do consumo.

Segmentos negativos limitam avanço do setor de serviços

Apesar dos resultados positivos em algumas áreas, o crescimento do setor de serviços foi parcialmente contido por quedas em outros segmentos importantes.

Os serviços profissionais, administrativos e complementares recuaram 0,3% em fevereiro, registrando a terceira queda consecutiva. No período, o segmento acumula perda de 0,7%, refletindo menor demanda por serviços corporativos.

Já o grupo de “outros serviços” apresentou retração de 0,4%, devolvendo parte do ganho observado no mês anterior. Essas quedas ajudam a explicar por que o resultado geral ficou abaixo das expectativas do mercado.

Comparação anual mostra avanço mais disseminado

Na comparação com fevereiro de 2025, o setor de serviços cresceu 0,5%, com expansão em três das cinco atividades pesquisadas e em 44,6% dos serviços analisados.

O principal destaque foi novamente o segmento de informação e comunicação, que avançou 4,9% e exerceu o maior impacto positivo. Esse crescimento foi impulsionado por serviços de tecnologia, plataformas digitais e soluções de dados.

Os serviços prestados às famílias também tiveram desempenho relevante, com alta de 4,2%, enquanto os serviços profissionais cresceram 0,8%, apoiados por atividades ligadas ao ambiente digital e ao comércio eletrônico.

Transportes e serviços financeiros pressionam resultado anual

Por outro lado, os transportes registraram queda de 2,8% na comparação anual, influenciados principalmente pela redução nas receitas do transporte aéreo de passageiros e de atividades logísticas.

Os chamados “outros serviços” também recuaram 2,8%, pressionados por segmentos ligados ao sistema financeiro, como corretoras, seguros e previdência complementar.

Esse cenário reforça a leitura de que o crescimento do setor de serviços não é homogêneo, dependendo fortemente de áreas mais dinâmicas, como tecnologia e consumo.

O que explica a desaceleração do setor de serviços

O resultado de fevereiro pode ser explicado por uma combinação de fatores. Entre eles, destacam-se a perda de fôlego em segmentos corporativos, a volatilidade em transportes e um crescimento mais moderado do consumo.

Por outro lado, o avanço contínuo da digitalização e a demanda por serviços tecnológicos seguem sustentando o setor. Segundo analistas, esse movimento deve continuar influenciando o desempenho nos próximos meses.

Assim, embora o setor de serviços cresce 0,1% em fevereiro abaixo do esperado, o quadro geral ainda indica uma economia em expansão gradual, com mudanças estruturais que favorecem atividades mais modernas e digitais.