Valores esquecidos somam R$ 10,57 bi e vão ao FGO
Os bancos deverão transferir R$ 10,57 bilhões em valores esquecidos ao Fundo Garantidor de Operações (FGO), conforme determinação do Banco Central.
Imagem: Adobe Stock
Os valores esquecidos nos bancos voltaram ao centro das atenções após uma nova determinação do Banco Central. As instituições financeiras deverão transferir ao Fundo Garantidor de Operações (FGO) um montante bilionário referente a recursos não resgatados por clientes. A medida ocorre em um momento estratégico, pois parte desse dinheiro será usada para fortalecer o programa de renegociação de dívidas Desenrola 2.0. Os valores esquecidos somam mais de R$ 10,57 bilhões e envolvem milhões de pessoas físicas e empresas em todo o país.
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A principal decisão envolve a transferência obrigatória dos valores esquecidos pelas instituições financeiras ao Fundo Garantidor de Operações (FGO). O prazo estabelecido é até esta terça-feira (12), seguindo uma norma publicada no início de maio pela Portaria Normativa nº 1.243/2026.
A determinação estabelece que os bancos, cooperativas e administradoras de consórcios devem enviar eletronicamente os recursos classificados como “valores a devolver”. Essa medida faz parte de uma estratégia do governo para reorganizar recursos parados no sistema financeiro e direcioná-los a políticas públicas de crédito.
Quanto dinheiro está parado no sistema financeiro
De acordo com o levantamento mais recente do Banco Central, os valores esquecidos chegam a R$ 10,57 bilhões em março de 2026. Esse montante está distribuído entre milhões de usuários do sistema bancário.
Do total:
- R$ 8,13 bilhões pertencem a pessoas físicas
- R$ 2,43 bilhões estão vinculados a empresas
Ao todo, mais de 45 milhões de pessoas e cerca de 5 milhões de empresas possuem algum tipo de recurso esquecido em contas bancárias, consórcios ou cooperativas.
Esse volume expressivo de valores esquecidos reforça a importância do Sistema de Valores a Receber (SVR), ferramenta criada para permitir a consulta e devolução desses recursos.
Destinação dos valores esquecidos para o Desenrola 2.0
Parte dos valores esquecidos terá uma finalidade específica: financiar o programa Desenrola 2.0, também chamado de Novo Desenrola Brasil.
Do total transferido ao FGO, cerca de R$ 5 bilhões serão utilizados para cobrir riscos de inadimplência em operações de crédito. Isso permitirá que instituições financeiras ofereçam melhores condições para renegociação de dívidas.
O programa é voltado principalmente para cidadãos com renda de até cinco salários mínimos, o que equivale a aproximadamente R$ 8.105 em 2026. O objetivo central é facilitar a regularização financeira de famílias endividadas e reduzir o nível de inadimplência no país.
Onde estão concentrados os valores esquecidos
Os valores esquecidos estão distribuídos entre diferentes tipos de instituições financeiras. Os bancos concentram a maior parte dos recursos, seguidos por outros segmentos do setor.
A divisão é a seguinte:
- Bancos: R$ 6,25 bilhões
- Administradoras de consórcios: R$ 2,6 bilhões
- Cooperativas: R$ 975,3 milhões
Essa concentração mostra que os bancos tradicionais continuam sendo os principais guardiões dos valores esquecidos no sistema financeiro brasileiro.
Como funciona o Sistema de Valores a Receber (SVR)
O Banco Central mantém o Sistema de Valores a Receber (SVR), que permite que cidadãos consultem se possuem valores esquecidos em instituições financeiras.
Desde a sua criação, o sistema já devolveu R$ 14,55 bilhões aos correntistas. Apesar disso, ainda existe uma grande quantia não resgatada, o que motivou a decisão de transferência ao FGO.
A consulta ao SVR é feita de forma individualizada, garantindo segurança e privacidade ao usuário. Mesmo após a transferência dos recursos, os dados continuarão acessíveis em ambiente restrito.
Regras, transparência e possíveis devoluções
Após a transferência dos valores esquecidos, o Ministério da Fazenda deverá publicar um edital com detalhes dos recursos movimentados. O documento incluirá informações como banco de origem, agência e conta vinculada.
Além disso, 10% do total transferido será reservado para eventuais solicitações de devolução por parte dos beneficiários. Isso garante uma margem de segurança para casos em que o titular dos recursos ainda não tenha sido localizado ou tenha direito ao resgate posterior.
O processo também busca aumentar a transparência na gestão dos valores esquecidos, permitindo maior controle público sobre o uso desses recursos.