Bitcoin: analistas veem queda como última grande janela de entrada

A queda do Bitcoin pode abrir uma última oportunidade de compra antes de o ativo ganhar status soberano, segundo análise da Bernstein.

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Última atualização:  02 de fev, 2026 às 13:09
bitcoin oportunidade Foto: Canva

A recente queda do Bitcoin (BTC) pode estar criando uma oportunidade rara de entrada no longo prazo, segundo análise da Bernstein Research. Para a casa, o movimento de correção acontece em um momento de transição estrutural do mercado e pode representar “a última grande oportunidade antes da elevação do Bitcoin como um ativo soberano”.

A avaliação é de Gautam Chhugani, analista da Bernstein, em depoimento ao portal Investing Brasil, que destaca que os últimos dois anos marcaram uma fase decisiva de institucionalização dos ativos digitais, impulsionada principalmente pela explosão dos ETFs de Bitcoin e pelo aumento da demanda de tesourarias corporativas.

ETFs de Bitcoin aceleram adoção institucional

Segundo a Bernstein, os ETFs de Bitcoin à vista alcançaram cerca de US$ 165 bilhões em ativos sob gestão em apenas 21 meses, configurando o crescimento mais rápido da história desse tipo de produto financeiro. No mesmo período, a Strategy sozinha acumulou mais de US$ 48 bilhões em Bitcoin, reforçando a tese de demanda estrutural.

Mesmo com esse avanço, o desempenho recente do Bitcoin ficou abaixo do ouro, o que reacendeu questionamentos sobre a narrativa do chamado “ouro digital”.

Bitcoin perde espaço para o ouro no curto prazo

Chhugani observa que a capitalização de mercado do Bitcoin caiu para cerca de 4% da do ouro, próxima ao limite inferior da faixa histórica. O movimento ocorreu em paralelo a um aumento expressivo das compras de ouro por bancos centrais, especialmente na China e na Índia, em um contexto de maior incerteza geopolítica.

Apesar disso, a Bernstein avalia que essa assimetria pode não se sustentar no médio e longo prazo.

Mudanças políticas nos EUA entram no radar

O relatório destaca que o ambiente macro e político nos Estados Unidos pode alterar o equilíbrio entre Bitcoin e ouro. Entre os fatores citados estão:

  • a aprovação da Lei GENIUS, que dá maior legitimidade às stablecoins lastreadas em dólar;
  • a criação de uma Reserva Estratégica de Bitcoin dos EUA, prevista em ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump;
  • e a expectativa de Kevin Warsh assumir a presidência do Federal Reserve.

Leia em detalhes:

Segundo Chhugani, esse conjunto de fatores cria uma “probabilidade não nula” de que os EUA passem a reconhecer o Bitcoin como um ativo soberano alternativo, inclusive como complemento (ou eventual substituto parcial) das reservas de ouro.

Para o analista, se o Bitcoin continuar perdendo espaço relativo para o ouro, é provável que haja resposta política, como a aceleração do projeto de lei de estrutura de mercado de ativos digitais, conhecido como Lei da Clareza (CLARITY Act).

“Não vemos um governo dos EUA permanecendo passivo se os mercados de ativos digitais continuarem em queda”, escreveu Chhugani.

Visão de curto e longo prazo

No curto prazo, a Bernstein reconhece que o mercado de criptomoedas ainda pode enfrentar volatilidade e pressão baixista. No entanto, a expectativa é de uma reversão ao longo de 2026, com o Bitcoin encontrando suporte próximo aos US$ 60 mil, região dos máximos do ciclo anterior.

“Esperamos que a reversão seja rápida e estabeleça uma base estrutural mais elevada, lançando as bases para o ciclo mais importante da história do Bitcoin”, afirma o relatório.

Segundo a análise, os fluxos institucionais seguem resilientes, sem sinais de capitulação alavancada como nos ciclos anteriores, o que reforça a tese de que a atual queda pode representar mais uma janela estratégica de entrada do que o início de um colapso estrutural.

Com informações de Investing.com

Pedro Gomes

Jornalista formado pela UniCarioca, com experiência em esportes, mercado imobiliário e edtechs. Desde 2023, integra a equipe do Melhor Investimento.