PicPay estreia na Nasdaq dia 29 e pode chegar à bolsa dos EUA valendo até US$ 2,6 bilhões
O PicPay vai estrear na Nasdaq no dia 29, em um IPO que pode avaliar o banco digital brasileiro em até US$ 2,6 bilhões.
Foto: Divulgação / PicPay
O PicPay estreia na Nasdaq no próximo dia 29, em uma oferta pública inicial de ações (IPO) que pode avaliar o banco digital brasileiro em até US$ 2,6 bilhões. A operação foi detalhada em documentos enviados nesta terça-feira (20) à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) e marca o retorno das empresas brasileiras ao mercado de capitais norte-americano após mais de três anos sem novas listagens.
A abertura de capital ocorre em Nova York, na bolsa eletrônica Nasdaq, e pode movimentar entre US$ 2,2 bilhões e US$ 2,6 bilhões, dependendo do preço final das ações. O processo é visto como estratégico para reforçar o caixa da fintech, ampliar sua visibilidade internacional e sustentar planos de expansão para novas frentes de negócios.
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O PicPay informou que a oferta envolve 26,3 milhões de ações, o equivalente a aproximadamente 21% do capital da companhia. A faixa indicativa de preço foi definida entre US$ 16 e US$ 19 por papel, com a precificação final prevista para o dia 28, véspera da estreia na bolsa.
Caso as ações sejam vendidas no centro da faixa, a fintech poderá captar cerca de US$ 400 milhões. Se o preço for fixado no teto, o valor pode chegar a US$ 500 milhões. A operação é liderada pelos bancos Citi e Bank of America, que atuam como coordenadores globais da oferta.
PicPay estreia na Nasdaq mantendo controle da J&F
Mesmo com a abertura de capital, o controle do PicPay continuará nas mãos da J&F Participações, holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista. A estrutura da oferta foi desenhada para permitir a entrada de novos investidores sem perda do comando estratégico da empresa.
A permanência da J&F no controle é um dos pontos de atenção destacados no prospecto, especialmente por conta do histórico de investigações envolvendo os controladores, tema que é abordado de forma explícita no documento enviado à SEC.
Oferta já nasce com investidor âncora
Um dos principais atrativos da operação é o fato de o IPO já nascer ancorado, com um pedido firme de US$ 75 milhões feito pelo fundo Bycicle, comandado por Marcelo Claure. Ex-executivo do SoftBank, Claure é conhecido por investimentos relevantes no setor financeiro digital, incluindo participações no Nubank e no Banco Inter.
As apresentações para investidores, conhecidas como roadshows, tiveram início nesta terça-feira em Nova York e seguem ao longo da semana, com encontros com fundos institucionais interessados na oferta.
Primeiro IPO brasileiro em Nova York desde 2021
A listagem do PicPay representa o primeiro IPO de uma empresa brasileira nos Estados Unidos desde dezembro de 2021, quando o Nubank abriu capital. Desde então, o cenário de juros elevados e maior aversão ao risco afastou novas operações do tipo.
Segundo analistas de mercado, a operação do PicPay pode servir como termômetro para outras fintechs brasileiras, avaliando o apetite de investidores internacionais por ativos do país.
Riscos de governança e histórico de adiamentos
O PicPay já havia tentado acessar o mercado norte-americano em 2021, quando submeteu um pedido inicial de IPO à SEC. No entanto, o processo foi adiado sucessivas vezes em meio a questionamentos relacionados à governança corporativa.
No prospecto mais recente, a empresa reconhece que as investigações criminais e civis envolvendo os irmãos Batista representam um risco de reputação. O documento destaca que eventuais novos processos podem impactar negativamente a estratégia de negócios, a capacidade de realizar aquisições e o valor das ações negociadas na Nasdaq.
Planos de expansão incluem apostas esportivas
Além do IPO, o prospecto revelou os planos do PicPay de entrar no mercado de apostas esportivas, um dos segmentos que mais crescem no Brasil. A subsidiária Nosso Time iGaming Ltda protocolou pedido para operar uma plataforma de apostas, atualmente em análise pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), ligada ao Ministério da Fazenda.
Segundo a fintech, o setor oferece potencial de retornos financeiros relevantes, impulsionado pelo ambiente digital e pelo alto engajamento do público em eventos esportivos, além de representar uma nova fonte de arrecadação tributária.
Por que o IPO do PicPay é relevante
O movimento do PicPay ocorre em um momento de reorganização do mercado de fintechs, com maior seletividade por parte dos investidores. Ao estrear na Nasdaq, a empresa busca não apenas captar recursos, mas também fortalecer sua posição competitiva em relação a rivais como Nubank, Inter e Mercado Pago.
A expectativa do mercado é que o desempenho das ações nos primeiros pregões ajude a definir o ritmo de novas aberturas de capital de empresas brasileiras no exterior ao longo de 2026.
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