IPO do PicPay tem demanda seis vezes maior que a oferta antes da estreia na Nasdaq

O IPO do PicPay registrou demanda de cerca de US$ 3 bilhões apenas dois dias antes da estreia na Nasdaq, valor seis vezes superior à oferta base de US$ 500 milhões.

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28 de jan, 2026 às 15:00
Imagem de um homem de terno apontando para um botão virtual escrito 'IPO'. Imagem: MaximP/ Shutterstock

O IPO do PicPay já provoca forte repercussão no mercado financeiro internacional antes mesmo de sua estreia oficial. A poucos dias da listagem na Nasdaq, a oferta de ações do banco digital brasileiro registra uma procura muito superior ao volume inicialmente colocado à venda, sinalizando elevado interesse de investidores estrangeiros por empresas de tecnologia financeira da América Latina.

A operação marca um novo capítulo na trajetória da fintech e reforça o apetite global por ativos ligados ao setor de meios de pagamento e serviços digitais, mesmo em um cenário ainda seletivo para aberturas de capital.

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Dois dias antes da estreia na bolsa de tecnologia dos Estados Unidos, a demanda pelas ações do IPO do PicPay já alcançou aproximadamente US$ 3 bilhões, valor que supera em cerca de seis vezes a oferta base de US$ 500 milhões. As informações foram divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, com base em fontes próximas à operação.

O forte interesse chama a atenção por ocorrer antes da precificação final dos papéis e indica confiança dos investidores no modelo de negócios da fintech brasileira, que vem ampliando sua atuação no mercado financeiro digital.

Precificação deve ficar entre o meio e o topo da faixa indicativa

Com a elevada procura, a expectativa do mercado é que o preço das ações seja definido entre o meio e o topo da faixa indicativa, estipulada entre US$ 16 e US$ 19 por papel. A definição do valor final ocorrerá na quinta-feira (29), após o fechamento do mercado em Nova York, seguindo o rito tradicional das ofertas públicas iniciais nos Estados Unidos.

Caso a precificação fique no teto da faixa, o IPO do PicPay poderá resultar em uma avaliação de mercado próxima de US$ 2,6 bilhões, consolidando a empresa como uma das fintechs brasileiras mais valiosas listadas no exterior.

Perfil dos investidores reforça visão de longo prazo

Segundo fontes ouvidas pelo jornal, a maior parte da demanda pelas ações vem de fundos “long only”, conhecidos por manter posições de longo prazo, além de investidores especializados em tecnologia e fintechs. Esse perfil sugere que o interesse não está restrito a operações de curto prazo, mas a uma aposta estrutural no crescimento do PicPay.

Esse tipo de investidor costuma avaliar fundamentos como base de clientes, potencial de monetização, escala operacional e capacidade de expansão, fatores considerados estratégicos para empresas do setor financeiro digital.

Como o PicPay pretende usar os recursos do IPO

O IPO do PicPay tem como objetivo reforçar a estrutura financeira da companhia. Os recursos captados serão destinados principalmente a:

  • capital de giro
  • despesas operacionais
  • atendimento a exigências regulatórias
  • financiamento da aquisição da Kovr Seguradora

A fintech será listada na Nasdaq sob o ticker “PICS”, ampliando sua visibilidade internacional e facilitando o acesso a investidores institucionais globais.

Histórico da empresa e contexto da listagem internacional

O PicPay foi adquirido em 2015 pelo Banco Original, instituição controlada pela J&F Investimentos, dos irmãos Wesley e Joesley Batista. Desde então, a empresa passou por uma série de transformações estratégicas e passou a concentrar as operações de varejo do banco, adotando um modelo mais amplo de serviços financeiros digitais.

Embora a abertura de capital tenha sido inicialmente planejada para 2021, o movimento foi adiado em meio à volatilidade dos mercados globais. A decisão de retomar o projeto agora ocorre em um momento de maior seletividade, mas também de retomada gradual das ofertas públicas nos Estados Unidos.

A última grande empresa brasileira a realizar um IPO fora do país foi o Nubank, também em 2021.

Base de clientes sustenta tese de crescimento

Um dos principais pilares que sustentam o interesse pelo IPO do PicPay é sua base de usuários. Em setembro, o banco digital registrava 42,1 milhões de clientes ativos, sendo que aproximadamente um terço utiliza o aplicativo como conta principal.

Esse nível de engajamento é visto pelo mercado como um indicador relevante de recorrência, fidelização e potencial de aumento de receita por cliente ao longo do tempo.

Investidor âncora garante parte da oferta

Parte da demanda do IPO do PicPay já estava assegurada antes mesmo do bookbuilding. A Bicycle Capital, empresa comandada por Marcelo Claure, ex-executivo do SoftBank, comprometeu-se a investir US$ 75 milhões como investidor âncora da operação.

A presença de um investidor desse porte tende a aumentar a confiança do mercado e reduzir riscos de volatilidade no início das negociações.

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