O que vai mexer com o mercado nesta sexta: payroll dos EUA, IPCA e tarifas no radar
Os mercados acompanham nesta sexta-feira uma agenda intensa, com destaque para o payroll dos Estados Unidos, o IPCA de dezembro no Brasil e a expectativa por decisões sobre tarifas comerciais nos EUA. I
Foto: franckreporter/Getty Images Signature
O que vai mexer com o mercado nesta sexta-feira (9) é uma combinação de dados econômicos relevantes no Brasil e no exterior, decisões judiciais com potencial impacto global e desdobramentos políticos que podem influenciar expectativas de investidores. A agenda concentra atenções na divulgação do payroll dos Estados Unidos, no IPCA de dezembro e em uma decisão da Suprema Corte americana sobre tarifas comerciais, além do impasse envolvendo o acordo entre União Europeia e Mercosul.
Esses fatores devem influenciar o comportamento das bolsas, do câmbio e dos juros ao longo do dia, em um momento em que o mercado busca sinais mais claros sobre a trajetória da política monetária nos EUA e no Brasil.
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O destaque absoluto do dia é a divulgação do relatório de empregos não agrícolas dos Estados Unidos, conhecido como payroll, referente a dezembro. O dado será publicado nesta sexta-feira (9) e é acompanhado de perto por investidores em todo o mundo por seu impacto direto nas decisões do Federal Reserve (Fed).
A expectativa do mercado é de criação de cerca de 60 mil vagas de trabalho no mês, com recuo da taxa de desemprego para 4,5%, após marcar 4,6% em novembro. Caso o resultado confirme uma desaceleração mais consistente do mercado de trabalho, pode reforçar apostas de até dois cortes de juros pelo Fed ao longo deste ano.
Nos últimos dias, indicadores antecedentes já apontaram perda de fôlego no emprego nos EUA. O governo americano informou que o número de vagas em aberto caiu ao menor nível em 14 meses em novembro. Além disso, os pedidos semanais de auxílio-desemprego registraram leve alta, sinalizando um mercado menos aquecido.
Esse conjunto de informações ajuda a explicar por que o payroll é considerado o dado mais importante do dia e um dos principais elementos que vão mexer com o mercado nesta sexta.
IPCA de dezembro testa cenário de desaceleração da inflação no Brasil
No Brasil, o principal indicador da agenda econômica é a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de dezembro. O dado será conhecido nesta sexta-feira e deve mostrar alta mensal de 0,35%, segundo projeções do mercado.
No acumulado de 12 meses, a expectativa é de inflação em 4,30%, abaixo do teto das estimativas e dentro do intervalo da meta perseguida pelo Banco Central. Caso o resultado se confirme, reforça a leitura de desaceleração gradual dos preços ao longo do segundo semestre.
O IPCA é acompanhado de perto por investidores por seu impacto direto sobre as expectativas de juros no país e sobre o desempenho de ativos locais, como o Ibovespa e os contratos de juros futuros.
Decisão sobre tarifas nos EUA pode gerar incerteza nos mercados globais
Outro fator relevante que vai mexer com o mercado nesta sexta é a expectativa em torno de uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre a legalidade das tarifas globais impostas durante o governo do presidente Donald Trump.
Nos últimos dias, cresceu a percepção de que as tarifas podem ser anuladas, após magistrados demonstrarem ceticismo quanto à autoridade do Executivo para impor as medidas. Caso isso ocorra, pode haver uma disputa judicial envolvendo cerca de US$ 150 bilhões em pedidos de reembolso por parte de empresas afetadas.
Além do impacto financeiro direto, a decisão pode gerar incertezas sobre acordos comerciais firmados no ano passado e alterar a dinâmica do comércio internacional, afetando moedas, commodities e bolsas globais.
Ibovespa retoma fôlego após correção recente
No mercado doméstico, o Ibovespa voltou a subir após a correção da sessão anterior. O principal índice da B3 encerrou a quinta-feira em alta de 0,59%, aos 162.936,48 pontos, se reaproximando da marca dos 163 mil pontos.
Com isso, o índice acumula ganho de 1,49% na semana e de 1,12% no mês e no ano. O movimento reflete a combinação de expectativas mais favoráveis para a inflação doméstica e maior atenção aos dados externos, especialmente aos indicadores dos EUA.
Veto presidencial e acordo UE-Mercosul também entram no radar
No campo político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou integralmente o Projeto de Lei da Dosimetria na quinta-feira (8). Agora, o Congresso Nacional deverá decidir se mantém o veto ou se derruba a decisão presidencial. Para isso, serão necessários ao menos 257 votos na Câmara dos Deputados e 41 votos no Senado.
No cenário internacional, autoridades da União Europeia se reúnem para deliberar sobre o acordo comercial entre o bloco e o Mercosul. O tema enfrenta resistência, especialmente da França. O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que seu país votará contra a assinatura do acordo, aumentando as incertezas sobre o avanço do tratado.
Por que a agenda desta sexta é decisiva para os mercados
A combinação de dados econômicos relevantes, decisões judiciais e fatores políticos explica por que o que vai mexer com o mercado nesta sexta é acompanhado com atenção redobrada por investidores. Payroll, IPCA e tarifas têm potencial de influenciar expectativas de juros, fluxo de capitais e o desempenho dos principais ativos financeiros ao longo do dia.
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