Motoristas de aplicativo enfrentam maior risco de endividamento, aponta estudo do TST

Pesquisa revela que custos da atividade podem ultrapassar R$ 5 mil por mês e alerta para impactos da instabilidade da renda.

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23 de jun, 2026 às 17:00
Um jovem dirigindo um carro. Imagem: Envato Elements.

Um estudo divulgado nesta terça-feira (23) pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) aponta que motoristas de aplicativos estão mais expostos ao endividamento devido à instabilidade da renda e aos custos elevados da atividade.

O levantamento também chama atenção para a oferta de empréstimos pelas próprias plataformas, prática que, segundo os pesquisadores, pode agravar a situação financeira desses profissionais.

De acordo com o documento, os empréstimos disponibilizados por aplicativos de transporte costumam ser descontados diretamente dos ganhos obtidos nas corridas, podendo comprometer até 30% da remuneração dos trabalhadores.

Atualmente, mais de 1,7 milhão de pessoas atuam por meio de plataformas digitais no Brasil. As empresas do setor sustentam que não existe vínculo empregatício com os motoristas, enquanto os profissionais assumem os custos operacionais e os riscos da atividade.

Custos da atividade superam R$ 5 mil por mês

O levantamento foi elaborado pelo Centro de Pesquisas Judiciárias, Estatística e Ciência de Dados do TST e considerou um motorista que trabalha 22 dias por mês, com jornada diária de oito horas em ambiente urbano.

Segundo os cálculos apresentados, os gastos mensais chegam a R$ 5.566 para quem utiliza veículo próprio. Já os profissionais que trabalham com carros alugados enfrentam despesas ainda maiores, alcançando cerca de R$ 5.706 por mês.

Entre os custos considerados estão combustível, manutenção, depreciação do veículo, seguros, tributos, alimentação, multas e despesas com internet móvel. Além disso, a pesquisa indica que a média de trabalho semanal dos motoristas de aplicativos alcança 44,8 horas.

TST critica modelo de trabalho em plataformas

Para o presidente do TST, o ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, a ideia de autonomia frequentemente associada ao trabalho em plataformas digitais não corresponde à realidade enfrentada pelos profissionais.

Segundo ele, o modelo é marcado por jornadas extensas, remuneração considerada insuficiente e elevado grau de controle exercido por algoritmos das plataformas.

Os pesquisadores também destacam que as empresas retêm parte significativa dos valores pagos pelos passageiros, com descontos que costumam variar entre 20% e 30% dos ganhos dos motoristas.

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Trabalhadores relatam dificuldades financeiras

A preocupação com o endividamento não aparece apenas nos números da pesquisa. Motoristas ouvidos ao longo dos estudos relatam dificuldades para equilibrar receitas e despesas diante dos custos crescentes da atividade.

Para muitos profissionais, a combinação entre renda variável, despesas elevadas e ausência de garantias trabalhistas torna cada vez mais difícil manter a atividade como principal fonte de sustento.

O estudo reforça o debate sobre as condições de trabalho nas plataformas digitais e os desafios enfrentados pelos milhões de brasileiros que dependem desse modelo para gerar renda.

Com informações de Agência Brasil.

Lucas Machado

Redator e psicólogo com quase 5 anos de experiência na produção de artigos e notícias sobre uma ampla gama de temas. Suas áreas de interesse e expertisse incluem previdência, seguros, direito sucessório e finanças, em geral. Atualmente, faz parte da equipe do Melhor Investimento, abordando uma variedade de tópicos relacionados ao mercado financeiro.