A presidente do conselho de administração do Magazine Luiza (MGLU3), Luiza Trajano, tem intensificado sua luta contra a atual taxa de juros, em uma manifestação que não é a primeira do tipo. Após revelar que entrou em contato com o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, mais de 20 vezes solicitando a redução da taxa Selic, Trajano adotou uma nova abordagem: fez ligações diretas para membros do “Conselhão” de Lula, buscando apoio para um abaixo-assinado que visa pressionar o BC. A informação exclusiva foi divulgada por Lauro Jardim, do jornal O Globo.

A atual presidente do conselho de administração do Magazine Luiza tem cobrado continuamente Campos Neto sobre a possibilidade de um corte na Selic, que foi mantida na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em junho, a 13,75% ao ano.

Em maio, a empresária expressou sua frustração, dizendo: “Estou lutando para reduzir os juros. Espero pelo menos um sinal [na próxima reunião]. Se não vier, será muito triste. Pequenas e médias empresas estão sofrendo muito”, afirmou em entrevista a jornalistas após participar de um seminário do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

De acordo com informações do jornal Valor Econômico, a empresária declarou que esperava “pelo menos um sinal” dessa redução na reunião do Comitê do BC em 20 e 21 de junho de 2023.

Entretanto, o colegiado do Banco Central optou por manter os juros inalterados. As próximas reuniões estão agendadas para 1º e 2 de agosto, e analistas de mercado estão divididos quanto à possibilidade de o primeiro corte da Selic ocorrer nessa reunião ou na de setembro, em 19 e 20 de setembro.

Na Ata do Copom divulgada no dia 27 de junho, referente à decisão de manter os juros em 13,75%, o Banco Central afirma que continuará mantendo a taxa no patamar atual “até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas”.

Além disso, a Ata do Copom revelou divergências em relação aos próximos passos da política monetária do Brasil. O comitê destacou que já existe consenso para “um processo gradual de inflexão na próxima reunião”.

No entanto, há ainda um grupo de diretores mais conservadores que ressaltou que o processo de desinflação ainda se baseia em núcleos voláteis dentro do indicador oficial. O grupo também solicita maior cautela e reafirmação das expectativas. Por isso, Luiza Trajano está convocando empresários e políticos para fortalecer a campanha em prol da redução da taxa Selic.

Segundo a empresária, juros altos afetam diretamente as operações da Magazine Luiza

No evento promovido pelo Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) em 12 de junho, a empresária manifestou seu desejo por um corte na taxa básica de juros, a Selic, durante um encontro com os líderes do varejo.

Luiza revelou ter realizado mais de 20 ligações ao presidente do Banco Central (BC) e transmitido diversos recados com o intuito de convencê-lo. No entanto, em resposta, o presidente do BC ressaltou que suas decisões são apenas um dos oito votos que compõem o Comitê de Política Monetária (Copom) e, portanto, não pôde confirmar um corte na Selic.

Anteriormente, em um seminário do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em maio, Trajano havia abordado as dificuldades enfrentadas pelo setor do varejo. Ela afirmou estar empenhada em reduzir os juros e expressou sua esperança por um sinal positivo na próxima reunião do Copom, que ocorreria em 20 e 21 de junho.

Durante a conversa com os jornalistas, a empresária também ressaltou que o aumento dos juros afeta as operações do Magazine Luiza, pois reduz o poder de compra dos consumidores.

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Equipe MI

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