Guerra no Irã pressiona bancos centrais europeus por alta de juros

Guerra no Irã eleva preços da energia e reacende preocupações com inflação na Europa, levando investidores a apostar em novos aumentos de juros.

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Última atualização:  09 de mar, 2026 às 17:29
Bandeira da União Europeia na fachada do edifício. Imagem: Envato Elements

A escalada da guerra envolvendo o Irã voltou a colocar a inflação no radar das autoridades monetárias. Nesta segunda-feira (9), investidores passaram a pressionar bancos centrais europeus a elevar as taxas de juros diante do aumento nos preços da energia e do risco de um novo choque inflacionário.

Nos mercados financeiros, cresceram as apostas de que instituições como o Banco Central Europeu (BCE), o Banco Nacional Suíço e o Riksbank podem promover novas altas nas taxas de juros antes do fim do ano. Já o Banco da Inglaterra é esperado por analistas para iniciar um ciclo de aperto monetário mais adiante, possivelmente a partir de 2027.

O movimento ocorre em meio à forte valorização do petróleo, que ultrapassou US$ 119 por barril, atingindo o nível mais elevado desde meados de 2022.

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Alta do petróleo reacende temor inflacionário

O avanço do petróleo tem sido impulsionado tanto pela guerra no Oriente Médio quanto por preocupações com possíveis interrupções nas rotas de transporte marítimo de energia.

Ao mesmo tempo, grandes produtores da commodity vêm reduzindo a oferta global, o que aumenta ainda mais a pressão sobre os preços.

Com combustíveis mais caros, os custos de transporte e produção tendem a subir, espalhando impactos por diferentes setores da economia — um cenário semelhante ao observado em 2022 após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Para muitos formuladores de política monetária na Europa, essa experiência recente ainda pesa nas decisões atuais. Segundo Frederik Ducrozet, chefe de pesquisa macroeconômica da Pictet Wealth Management, o trauma inflacionário daquele período ainda influencia o comportamento de alguns bancos centrais.

Ele afirmou que as autoridades monetárias continuam preocupadas com a possibilidade de um novo choque de oferta que possa gerar efeitos em cadeia na economia global.

Expectativa de novos aumentos de juros

Dados de mercado indicam que investidores esperam ao menos duas altas de juros pelo BCE ao longo de 2026, possivelmente uma até meados do ano e outra até dezembro.

Já o banco central da Suécia pode realizar uma ou duas elevações das taxas no segundo semestre, enquanto a Suíça é vista como candidata a aumentar os juros em outubro.

Apesar dessas apostas, não há expectativa de mudanças imediatas na política monetária. As próximas reuniões dessas autoridades estão previstas para 18 e 19 de março.

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Bancos centrais enfrentam dilema

Mesmo diante da alta da energia, autoridades do BCE têm sinalizado cautela. Parte dos dirigentes avalia que uma elevação temporária do petróleo não necessariamente exige reação imediata na política monetária.

Contudo, o risco de uma alta prolongada no custo da energia pode mudar esse cenário.

Uma análise da consultoria TS Lombard sugere que, caso os preços atuais do petróleo e do gás sejam mantidos, a inflação da zona do euro poderia subir cerca de um ponto percentual.

Economistas lembram que, em 2022, o BCE demorou a reagir ao choque inflacionário causado pela crise energética. Agora, a tendência é que a instituição adote postura mais preventiva para evitar um novo ciclo de inflação persistente.

Ainda assim, alguns especialistas alertam que os mercados podem estar antecipando movimentos de política monetária antes de haver evidências claras de inflação estrutural mais alta.

Com informações de CNN Brasil.

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Lucas Machado

Redator e psicólogo com quase 5 anos de experiência na produção de artigos e notícias sobre uma ampla gama de temas. Suas áreas de interesse e expertisse incluem previdência, seguros, direito sucessório e finanças, em geral. Atualmente, faz parte da equipe do Melhor Investimento, abordando uma variedade de tópicos relacionados ao mercado financeiro.