Gasolina terá 32% de etanol a partir de agosto

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32%, com início previsto para 1º de agosto.

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Última atualização:  14 de jul, 2026 às 15:56
Close-up de um bico de abastecimento de combustível inserido no tanque de um veículo. Ao fundo, desfocado, vê-se a conveniência de um posto Shell. Foto: Reuters/Andrew Kelly

O aumento de etanol na gasolina para 32% foi aprovado pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) nesta terça-feira (14), em Brasília, como parte da estratégia do governo federal para reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados diante da alta do petróleo causada pela escalada da guerra no Oriente Médio. A nova mistura obrigatória, chamada de E32, substituirá o atual percentual de 30% de etanol anidro na gasolina e deverá entrar em vigor em 1º de agosto, inicialmente por 180 dias, podendo ser prorrogada por mais seis meses. Segundo o governo, a medida fortalece a segurança energética do país, amplia o uso de combustíveis renováveis e pode até reduzir o preço da gasolina nas bombas.

Aumento de etanol na gasolina para 32% entra em vigor em agosto

A decisão foi aprovada durante reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), colegiado responsável por definir diretrizes para o setor energético brasileiro. A expectativa do Ministério de Minas e Energia é que a nova composição passe a valer em 1º de agosto, com validade inicial de 180 dias.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que o governo está seguro quanto à adoção da nova mistura e destacou que a frota nacional já possui tecnologia suficiente para operar com percentuais elevados de etanol.

Segundo ele, muitos veículos produzidos no Brasil já utilizam etanol hidratado como combustível principal, o que reforça a confiança na ampliação da participação do etanol anidro na gasolina. O ministro também deixou aberta a possibilidade de tornar a medida definitiva após o período inicial de vigência.

A aprovação ocorre em um cenário de forte instabilidade no mercado internacional de petróleo, pressionado pelos conflitos no Oriente Médio. Com isso, o governo aposta no aumento da produção nacional de biocombustíveis para reduzir os impactos da volatilidade externa sobre o abastecimento interno.

Governo aposta no biocombustível para reduzir importações

De acordo com o Ministério de Minas e Energia, o aumento de etanol na gasolina para 32% poderá reduzir em aproximadamente 500 milhões de litros por mês a necessidade de importação de gasolina.

Na avaliação da pasta, esse volume é suficiente para tornar o Brasil praticamente autossuficiente no abastecimento do combustível, diminuindo a exposição do país às oscilações dos preços internacionais do petróleo.

Além disso, o governo estima que a mudança poderá gerar uma pequena redução no preço pago pelos consumidores. A previsão apresentada pelo ministério aponta uma queda de cerca de R$ 0,03 por litro da gasolina comercializada nos postos.

A iniciativa integra o programa Combustível do Futuro, marco regulatório criado para incentivar combustíveis renováveis, ampliar a participação dos biocombustíveis e reduzir as emissões de gases de efeito estufa no setor de transportes.

CNPE afirma que testes comprovaram segurança da nova mistura

Antes da aprovação da medida, foram realizados estudos para avaliar os impactos da nova composição sobre os veículos em circulação.

Segundo o CNPE, os testes analisaram fatores como desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo de combustível e emissões de poluentes, tanto em ambiente controlado quanto em condições reais de utilização.

De acordo com o conselho, os resultados demonstraram que o combustível com 32% de etanol apresentou comportamento equivalente ao observado nas misturas atualmente utilizadas, sem provocar impactos relevantes no funcionamento dos veículos, inclusive aqueles equipados com motores movidos apenas a gasolina.

O governo também reforça que a adoção do E32 faz parte da estratégia de ampliar o uso de fontes renováveis e reduzir a dependência de derivados de petróleo importados.

Indústria automotiva questiona estudos e pede novas avaliações

Apesar da posição do governo, a aprovação do aumento de etanol na gasolina para 32% foi recebida com ressalvas pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Em nota divulgada após a decisão, a entidade afirmou que os estudos utilizados para embasar a mudança não comprovam tecnicamente a segurança da adoção obrigatória do E32.

Segundo a associação, os testes realizados durante a implementação da mistura E30 avaliaram apenas desempenho e dirigibilidade dentro da margem de tolerância prevista para o combustível, sem contemplar análises de longa duração.

Para a Anfavea, ainda faltam estudos específicos sobre durabilidade dos motores, autonomia, emissões ao longo do tempo e compatibilidade da frota brasileira com a nova concentração de etanol.

A entidade também ressalta que a especificação técnica do E32 permite combustíveis com teor de até 34% de etanol, percentual que, segundo os fabricantes, ainda não passou por validação técnica específica.

Especialistas alertam para possíveis impactos em veículos antigos

Embora o governo afirme que os testes não identificaram problemas relevantes, especialistas do setor automotivo defendem cautela, principalmente em relação aos veículos mais antigos.

Engenheiros ouvidos por diferentes estudos apontam que automóveis importados ou desenvolvidos para operar com menores concentrações de etanol podem apresentar aumento no consumo de combustível, desgaste prematuro de componentes e processos de corrosão.

O etanol anidro possui elevada capacidade de absorver umidade do ambiente. Quando essa água entra em contato com componentes metálicos não preparados para essa condição, pode favorecer processos de corrosão eletroquímica e acelerar o desgaste de peças do sistema de alimentação.

Por esse motivo, especialistas recomendam que proprietários de veículos mais antigos acompanhem as orientações das montadoras sobre a compatibilidade de seus modelos com a nova mistura.

CNPE também altera regras para biodiesel e combustível nuclear

Além da aprovação do E32, o Conselho Nacional de Política Energética também adotou outras medidas durante a reunião desta terça-feira.

Uma delas atualiza as regras para o fornecimento de biodiesel utilizado na mistura obrigatória ao diesel. Pela nova resolução, apenas unidades autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) poderão produzir o biodiesel destinado ao chamado diesel B.

O colegiado ainda determinou que sejam elaborados estudos periódicos comparando os preços do combustível nuclear praticados no Brasil com aqueles observados nos mercados internacionais. Os levantamentos serão coordenados pela Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar), com divulgação de relatórios técnicos em intervalos máximos de cinco anos.

Com a aprovação do aumento de etanol na gasolina para 32%, o governo reforça sua estratégia de ampliar o uso de biocombustíveis, reduzir a dependência da gasolina importada e minimizar os impactos da instabilidade internacional sobre o mercado brasileiro de combustíveis. Ao mesmo tempo, a decisão mantém o debate aberto entre autoridades, indústria automotiva e especialistas sobre os possíveis efeitos da nova mistura na frota nacional.