IPCA sobe 0,88% em março e fica acima das projeções do mercado

Alta foi impulsionada por combustíveis e alimentos, mas índice segue dentro da meta oficial de inflação

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Última atualização:  10 de abr, 2026 às 10:39
Feira com verduras e legumes; alta dos alimentos pressiona inflação medida pelo IPCA em março. Foto: Envato Elements

A inflação oficial do Brasil acelerou em março e ficou acima das expectativas do mercado. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,88% no mês, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Rio de Janeiro.

O avanço foi impulsionado principalmente pelos preços dos combustíveis e dos alimentos, em meio a pressões no mercado internacional de petróleo e reajustes internos.

Com o resultado, o IPCA acumula alta de 4,14% em 12 meses, ainda dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

O índice veio acima das projeções de economistas, que esperavam alta de cerca de 0,7% no mês e inflação anual próxima de 4%. Mesmo assim, o dado não rompe o limite da meta, o que mantém o cenário de atenção, mas sem sinal imediato de descontrole inflacionário.

Combustíveis lideram alta da inflação

O principal impacto sobre o IPCA de março veio do grupo Transportes, que registrou alta de 1,64%. O destaque foi o aumento dos combustíveis, que avançaram de forma significativa no período.

A gasolina teve papel central na inflação do mês, com alta de 4,59%, após queda registrada em fevereiro. Já o diesel apresentou uma das maiores variações, com forte elevação, enquanto o etanol também subiu.

Esse movimento foi influenciado por fatores externos, como tensões geopolíticas que afetaram o mercado global de petróleo, além de reajustes de preços no Brasil.

Sem a alta dos combustíveis, a inflação de março teria sido menor, mostrando o peso desse grupo no resultado geral.

Alimentos também pressionam o índice

Outro fator relevante para a inflação foi o aumento dos preços de alimentos e bebidas, que subiram 1,56% em março, acelerando em relação ao mês anterior.

A alta foi puxada principalmente pelos alimentos consumidos em casa, com destaque para produtos básicos que fazem parte do dia a dia das famílias.

Entre os itens que mais subiram estão:

  • Tomate: +20,31%.
  • Cebola: +17,25%.
  • Batata-inglesa: +12,17%.
  • Leite longa vida: +11,74%.
  • Carnes: +1,73%.

Por outro lado, alguns produtos registraram queda de preços, ajudando a conter parcialmente a inflação:

  • Maçã: -5,79%.
  • Café moído: -1,28%.
  • Laranja e abacate também tiveram recuos.

O comportamento dos alimentos reflete fatores como clima, oferta e demanda, além de custos de produção e transporte.

Outros grupos e serviços

Além de combustíveis e alimentos, outros grupos também apresentaram variações, mas com menor impacto no índice geral.

O grupo de despesas pessoais subiu, influenciado pelo aumento de preços de atividades de lazer, como cinema e teatro. Já saúde e cuidados pessoais tiveram leve alta, com destaque para planos de saúde.

Nos transportes, além dos combustíveis, serviços como passagens aéreas e tarifas de ônibus também contribuíram para a inflação, embora com menor intensidade.

Inflação segue dentro da meta, mas cenário exige atenção

Apesar da aceleração em março, a inflação acumulada ainda está dentro da meta estabelecida para o ano. No entanto, o resultado acima do esperado reforça a necessidade de monitoramento do cenário econômico.

A pressão vinda dos combustíveis, ligada ao mercado internacional de petróleo, pode continuar influenciando os preços nos próximos meses. Além disso, a alta dos alimentos segue como ponto de atenção, especialmente por impactar diretamente o custo de vida da população.

Diante desse cenário, o governo já anunciou medidas para tentar conter o avanço dos preços, especialmente no setor de combustíveis, com impacto fiscal relevante.

Para analistas, o comportamento da inflação nos próximos meses será determinante para decisões de política monetária, como o rumo dos juros no país.

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Carolina Gandra

Jornalista do portal Melhor Investimento, especializada em criptomoedas, ações, tecnologia, mercado internacional e tendências financeiras. Transforma temas complexos como blockchain, inteligência artificial e estratégias de mercado em conteúdos acessíveis e envolventes. Com análises atuais e visão estratégica, ajuda leitores a decifrar o futuro dos investimentos e identificar oportunidades no mercado financeiro.