IPCA sobe 0,67% em abril de 2026 com pressão dos alimentos no país

Alta da cenoura, leite e carnes manteve pressão sobre os preços, enquanto inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,39%

imagem do autor
Última atualização:  12 de maio, 2026 às 11:20
IPCA abril 2026 mostra alta nos preços de alimentos em feira com frutas, verduras e legumes expostos. Foto: Envato Elements

O IPCA registrou alta de 0,67% em abril de 2026, segundo dados divulgados nesta terça-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice, considerado a inflação oficial do país, desacelerou em relação a março, quando havia avançado 0,88%.

Apesar da perda de ritmo, os alimentos continuaram como principal fator de pressão sobre o orçamento das famílias brasileiras.

No acumulado de 12 meses, a inflação passou de 4,14% para 4,39%, permanecendo próxima do teto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 4,5% para 2026.

O resultado reforça o cenário de atenção do mercado para os preços de itens básicos e para os próximos passos da política monetária.

O avanço da inflação em abril foi puxado principalmente pelos grupos de alimentação e bebidas, além de saúde e cuidados pessoais. Juntos, eles responderam por cerca de dois terços da alta do índice no mês.

Alimentos seguem como maior pressão no IPCA

O grupo Alimentação e bebidas subiu 1,34% em abril e teve o maior impacto individual sobre o índice geral. Segundo o IBGE, os alimentos consumidos dentro de casa ficaram 1,64% mais caros no período.

Entre os produtos que mais subiram no mês estão itens presentes no consumo diário das famílias brasileiras.

Produtos que mais subiram em abril

  • Cenoura: +26,63%
  • Leite longa vida: +13,66%
  • Cebola: +11,76%
  • Tomate: +6,13%
  • Carnes: +1,59%

Por outro lado, alguns produtos registraram queda de preço:

  • Café moído: -2,30%
  • Frango em pedaços: -2,14%

Segundo o IBGE, o aumento dos alimentos ainda reflete fatores ligados à oferta de produtos e aos custos logísticos. O encarecimento dos combustíveis nos últimos meses também impactou o transporte de mercadorias e acabou sendo repassado ao consumidor final.

A alimentação fora do domicílio também apresentou alta, embora em ritmo mais moderado. Restaurantes, lanchonetes e serviços semelhantes tiveram aumento médio de 0,59% em abril.

Saúde e cuidados pessoais também pesaram

Outro grupo que teve forte influência sobre o índice foi Saúde e cuidados pessoais, com alta de 1,16%. O segmento respondeu por impacto relevante no resultado mensal do IPCA.

Os reajustes de medicamentos e itens relacionados ao consumo básico de saúde ajudaram a pressionar o indicador. Além disso, despesas pessoais, comunicação e habitação também registraram avanço no período.

Veja o desempenho dos principais grupos pesquisados pelo IBGE:

  • Alimentação e bebidas: 1,34%
  • Habitação: 0,63%
  • Artigos de residência: 0,65%
  • Vestuário: 0,52%
  • Transportes: 0,06%
  • Saúde e cuidados pessoais: 1,16%
  • Despesas pessoais: 0,35%
  • Educação: 0,06%
  • Comunicação: 0,57%

Mesmo com a desaceleração frente a março, economistas seguem monitorando a inflação dos alimentos, considerada uma das mais sensíveis para o consumo das famílias.

INPC também desacelera em abril de 2026

O INPC registrou alta de 0,81% em abril de 2026, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta terça-feira (12). O resultado ficou 0,10 ponto percentual abaixo do registrado em março, quando o índice havia avançado 0,91%.

No acumulado do ano, o INPC soma alta de 2,70%. Já em 12 meses, o indicador acelerou para 4,11%, acima dos 3,77% observados no período imediatamente anterior. Em abril de 2025, a variação mensal havia sido de 0,48%.

O índice é utilizado como referência para reajustes salariais e benefícios sociais e acompanha principalmente o consumo das famílias de renda mais baixa.

Assim como no IPCA, os alimentos seguiram exercendo forte pressão sobre o indicador, embora em ritmo menor do que no mês anterior. Os produtos alimentícios desaceleraram de 1,65% em março para 1,37% em abril. Já os itens não alimentícios passaram de 0,67% para 0,63% no mesmo período.

A trajetória do INPC continua sendo acompanhada por investidores, empresas e pelo Banco Central, principalmente pelos impactos sobre consumo, renda e política de juros ao longo de 2026.

Mercado acompanha efeitos sobre juros e consumo

Os números divulgados pelo IBGE chegam em um momento de expectativa do mercado sobre os próximos movimentos da taxa Selic. Apesar da desaceleração mensal do IPCA, a inflação acumulada em 12 meses continua acima do centro da meta.

Esse cenário pode influenciar decisões do Banco Central sobre a política de juros nos próximos meses, já que o controle da inflação segue como prioridade da autoridade monetária.

Além disso, a alta persistente nos alimentos continua afetando diretamente o poder de compra da população, principalmente entre famílias de renda mais baixa, que concentram maior parte dos gastos em itens básicos.

Analistas também observam os impactos sobre setores do varejo e do consumo, já que inflação elevada costuma reduzir a capacidade de compra e desacelerar parte da economia.

FAQ: IPCA e inflação em abril de 2026

O que é o IPCA?

O IPCA é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, indicador oficial da inflação no Brasil calculado pelo IBGE.

Quanto foi o IPCA em abril de 2026?

O índice registrou alta de 0,67% em abril de 2026, abaixo dos 0,88% observados em março.

Quais produtos mais subiram no mês?

Cenoura, leite longa vida, cebola, tomate e carnes ficaram entre os itens com maiores altas em abril.

Acompanhe mais notícias sobre inflação, juros, economia e mercado na editoria de Economia.

Carolina Gandra

Carolina Gandra é Jornalista e Redatora do portal Melhor Investimento, especializada em criptomoedas, ações, tecnologia, mercado internacional e tendências financeiras. Transforma temas complexos como blockchain, inteligência artificial e estratégias de mercado em conteúdos acessíveis e envolventes. Com análises atuais e visão estratégica, ajuda leitores a decifrar o futuro dos investimentos e identificar oportunidades no mercado financeiro.