Inflação dentro da meta? Veja os preços que mais caíram e os que mais subiram em 2025

A inflação de 2025 caminhou para ficar dentro da meta, contrariando projeções pessimistas do início do ano.

imagem do autor
06 de jan, 2026 às 18:00
Ilustração de crescimento financeiro com pilhas de moedas e símbolos de porcentagem ascendentes, representando aumento de juros, economia ou investimentos. Foto: inkdrop

A inflação dentro da meta voltou ao centro do debate econômico em 2025, após um ano que começou sob forte pessimismo e terminou com surpresa positiva. Dados consolidados e projeções atualizadas indicam que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar o ano em 4,4%, abaixo das expectativas iniciais do mercado e dentro do intervalo perseguido pelo Banco Central.

O resultado contraria as projeções feitas no fim de 2024, quando economistas temiam uma inflação mais resistente, impulsionada pelo dólar valorizado, impactos climáticos e um ritmo ainda forte da atividade econômica. Ao longo de 2025, no entanto, fatores internos e externos ajudaram a conter os preços, principalmente no grupo de alimentos.

Aproveite para ler:

O que aconteceu foi uma revisão gradual das expectativas ao longo do ano. Quando o primeiro Boletim Focus de 2025 foi divulgado, o mercado estimava inflação próxima de 4,99% e câmbio ao redor de R$ 6 no fim do ano. Com o passar dos meses, essas projeções foram sendo ajustadas.

Segundo levantamento do economista sênior da 4Intelligence, Fabio Romão, ao menos quatro dos nove grupos que compõem o IPCA tiveram queda nas expectativas de inflação, enquanto um permaneceu estável. O movimento foi suficiente para puxar o índice cheio para baixo.

Esse processo ocorreu ao longo de 2025, em todo o Brasil, influenciado por mudanças nas condições de oferta, comportamento do câmbio e política monetária. O resultado foi um IPCA mais comportado do que o previsto inicialmente.

Alimentos foram o principal motivo da desaceleração

O principal fator por trás da inflação dentro da meta em 2025 foi a forte desaceleração dos preços de alimentação no domicílio. No início do ano, a projeção indicava alta de 5,8%, que chegou a 7% no meio do ano, mas caiu para 2,3% nas estimativas mais recentes.

Esse recuo teve relação direta com:

  • Safras agrícolas melhores do que o esperado
  • Ausência de eventos climáticos extremos
  • Aumento da oferta de proteínas no mercado interno
  • Valorização do real frente ao dólar

Com maior oferta e menor pressão de custos, alimentos que vinham pesando no orçamento passaram a ficar mais baratos, ajudando a conter a inflação geral.

Itens que mais caíram ajudaram a aliviar o bolso

Levantamento do FGV Ibre, com base no IPCA-15 entre janeiro e novembro, mostra que metade dos dez itens que mais ajudaram a segurar a inflação pertence ao grupo de alimentos.

Os principais destaques de queda foram:

  • Laranja-pera: -27,21%
  • Batata-inglesa: -26,57%
  • Arroz: -24,24%
  • Azeite de oliva: -19,82%
  • Leite longa vida: -5,34%

Além dos alimentos, alguns bens duráveis e serviços também ficaram mais baratos, como televisores, aparelhos telefônicos, passagens aéreas e seguros de veículos.

Segundo o FGV, esses produtos tiveram queda média de 16,9%, reduzindo o custo da cesta básica e beneficiando principalmente as famílias de menor renda, que destinam maior parte do orçamento à alimentação.

Serviços e habitação impediram uma queda maior da inflação

Apesar do alívio vindo do supermercado, a inflação de serviços continuou elevada em 2025 e impediu um recuo ainda maior do IPCA. Grupos como habitação, educação, despesas pessoais e alimentação fora do domicílio registraram variações acima da média do índice.

A inflação de alimentação fora do domicílio, por exemplo, fechou o ano em 7,1%, refletindo custos de mão de obra, reajustes salariais e repasses acumulados dos últimos anos. Já o grupo habitação foi pressionado por aumentos em aluguel, condomínio e tarifas de serviços públicos em algumas regiões.

Esse comportamento está ligado ao mercado de trabalho ainda aquecido e à rigidez dos preços de serviços, que costumam responder mais lentamente à política monetária.

Inflação mais baixa, mas impacto desigual entre as famílias

Embora a inflação dentro da meta represente um avanço macroeconômico, o impacto não foi sentido de forma igual por toda a população. Famílias de menor renda foram as principais beneficiadas pela queda dos alimentos, enquanto a classe média continuou enfrentando pressão em despesas fixas.

Gastos como aluguel, mensalidades escolares, planos de saúde e serviços pessoais seguiram subindo acima da inflação média, limitando a percepção de alívio no orçamento de parte da população.

O desafio para 2026

Economistas avaliam que o principal desafio para 2026 será garantir que a desaceleração da inflação se espalhe também pelos serviços. Para isso, fatores como política monetária, cenário internacional e comportamento do mercado de trabalho serão decisivos.

A trajetória de 2025, no entanto, reforça que a inflação dentro da meta voltou a ser uma possibilidade concreta, após anos de maior instabilidade nos preços.

Gostou deste conteúdo? Siga o Melhor Investimento nas redes sociais: 

Instagram | Facebook