Inadimplência bate recorde histórico e chega a 4,7%, segundo BC

Taxa de atrasos nas operações de crédito alcança o maior nível da série histórica; famílias seguem mais endividadas apesar do mercado de trabalho aquecido.

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Última atualização:  01 de jul, 2026 às 12:31
Bandeira do Brasil em moedas, dinheiro, finanças e contabilidade, conceito bancário. Imagem: Envato Elements.

A taxa média de inadimplência das operações de crédito no Brasil atingiu 4,7% em maio, o maior patamar desde o início da série histórica do Banco Central, iniciada em março de 2011. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (1º) no Relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito.

O indicador subiu 0,1 ponto percentual em relação a abril, quando estava em 4,6%, e foi divulgado poucos dias após o lançamento do Desenrola 2.0, programa do Governo Federal voltado à renegociação de dívidas.

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Entre as pessoas físicas, a taxa de inadimplência chegou a 5,6% em maio, alta de 0,1 ponto percentual na comparação mensal e de 1,2 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025. Nas empresas, o indicador avançou para 3,2%, também com alta de 0,1 ponto percentual no mês e de 0,5 ponto percentual em 12 meses.

Já nas operações com recursos livres — modalidade em que os bancos têm maior liberdade para definir taxas e condições — a inadimplência atingiu 6,2% da carteira de crédito. Nesse segmento, o índice alcançou 7,6% entre as famílias e 4,1% entre as empresas.

Juros recuam

Apesar da deterioração da qualidade do crédito, o custo médio das novas operações apresentou leve redução.

Segundo o Banco Central, a taxa média de juros das concessões ficou em 33,4% ao ano em maio, recuo de 0,1 ponto percentual em relação ao mês anterior. O spread bancário também registrou pequena queda no período.

Ainda assim, os indicadores de endividamento permanecem elevados. O comprometimento da renda das famílias ficou em 28,2%, praticamente estável em relação ao mês anterior, mas 1,1 ponto percentual acima do registrado um ano antes.

Já o endividamento das famílias alcançou 49,8% da renda acumulada em 12 meses, mantendo-se praticamente estável no mês e apresentando crescimento de 0,9 ponto percentual na comparação anual.

Economia aquecida contrasta com aumento das dívidas

Os dados chamam atenção porque ocorrem em um cenário de melhora de importantes indicadores econômicos. Nos últimos meses, o Brasil registrou taxa de desemprego próxima das mínimas históricas, crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e aumento da renda média dos trabalhadores.

O mercado de trabalho registrou um desempenho histórico no trimestre encerrado em março, com o desemprego recuando para 6,1%, o menor índice já visto para o período. Conforme o IBGE, o cenário positivo também se refletiu nos ganhos, com a renda média mensal superando R$ 3.722.

Ainda assim, o custo de vida elevado e os juros altos do crédito forçam a população a recorrer a financiamentos, mantendo as famílias pressionadas. Sob condições normais, a combinação de inflação controlada e mais vagas de trabalho traria um alívio financeiro que a realidade atual ainda restringe.

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Apostas online entram no radar de economistas

Além dos fatores tradicionais, estudos recentes passaram a analisar o impacto das plataformas de apostas esportivas sobre as finanças das famílias brasileiras. Segundo reportagem publicada pela Forbes Brasil, economistas afirmam que a expansão das chamadas “bets” tem reduzido a renda disponível para consumo e contribuído para o aumento do endividamento.

A publicação cita um estudo elaborado pelo economista Claudio Felisoni, da FIA e do IBEVAR, segundo o qual o impacto das apostas online sobre o endividamento das famílias seria superior ao efeito isolado da taxa de juros.

“O impacto das bets é três vezes maior do que o dos juros sobre o endividamento das famílias”, afirma Felison à revista

O modelo estatístico desenhado por Felisoni foi criado para mapear as principais causas do endividamento das famílias no Brasil. A pesquisa cruzou três indicadores: o volume de crédito disponível frente à renda, as oscilações nos juros e a expansão do mercado de apostas virtuais (bets).

Ao mensurar a relevância de cada um, constatou-se que o crédito tem um peso de 0,04 no endividamento, os juros respondem por 0,07 e o impacto das apostas chega a 0,23. Para traduzir esses coeficientes, o autor propõe uma analogia física: em uma balança que mede a pressão financeira sobre os lares, o crédit

Outro levantamento, produzido pela Tendências Consultoria em parceria com a PwC Consulting estima que o mercado brasileiro de apostas poderá gerar R$ 37 bilhões em receita bruta em 2026.

Embora esses estudos indiquem uma possível relação entre a expansão das apostas e a deterioração das finanças das famílias, o Banco Central não atribui o aumento da inadimplência a um fator específico em seu relatório divulgado nesta quarta-feira.

Lucas Machado

Redator e psicólogo com quase 5 anos de experiência na produção de artigos e notícias sobre uma ampla gama de temas. Suas áreas de interesse e expertisse incluem previdência, seguros, direito sucessório e finanças, em geral. Atualmente, faz parte da equipe do Melhor Investimento, abordando uma variedade de tópicos relacionados ao mercado financeiro.