Crédito no Brasil cai 18,9%; inadimplência atinge maior nível desde 2017
Dados do Banco Central desta quarta-feira (25) mostram recuo nas concessões de empréstimos, alta nos juros e aumento da inadimplência em meio à Selic elevada.
Imagem: Envato Elements.
O crédito no Brasil registrou forte retração em janeiro, com queda de 18,9% nas concessões de empréstimos em relação ao mês anterior, segundo dados divulgados pelo Banco Central.
Além disso, o estoque total de crédito do sistema financeiro recuou 0,2% no período, atingindo R$ 7,116 trilhões, refletindo o impacto dos juros elevados e do ambiente econômico mais restritivo.
O recuo nas concessões indica maior cautela tanto por parte das instituições financeiras quanto dos tomadores, em um cenário marcado pelo alto custo do crédito e aumento do risco de inadimplência.
Crédito livre e direcionado registram queda expressiva
O desempenho negativo foi observado em diferentes modalidades de crédito. Nas operações com recursos livres — em que bancos e clientes negociam diretamente as condições — houve queda de 17,2% em janeiro na comparação mensal.
Já as concessões com recursos direcionados, que seguem regras definidas pelo governo, apresentaram retração ainda mais intensa, de 32,9% no mesmo período.
Esse movimento evidencia um enfraquecimento da demanda por empréstimos e condições mais restritivas para a concessão de crédito no país.
Juros sobem e encarecem o crédito no Brasil
Ao mesmo tempo, o custo do crédito continuou elevado. A taxa média de juros nas operações com recursos livres subiu para 47,8% ao ano em janeiro, representando um aumento de 1,2 ponto percentual em relação ao mês anterior.
Nas operações com recursos direcionados, os juros também avançaram, ainda que de forma mais moderada, atingindo 11,6% ao ano.
Além disso, o spread bancário — diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa cobrada do cliente — aumentou para 34,3 pontos percentuais, reforçando o encarecimento do crédito para consumidores e empresas.
Inadimplência avança para 5,5%
Outro dado que chamou atenção foi o aumento da inadimplência. O índice de atrasos em empréstimos com recursos livres subiu para 5,5% em janeiro, o maior patamar desde agosto de 2017.
Em dezembro, o indicador estava em 5,4%. No acumulado de 12 meses, houve aumento de 1,1 ponto percentual, refletindo o impacto prolongado das taxas de juros elevadas sobre a capacidade de pagamento de famílias e empresas.
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Selic elevada continua pressionando o crédito
O cenário atual está diretamente relacionado ao nível elevado da taxa básica de juros. A Selic permanece em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas, após um ciclo de aperto monetário conduzido pelo Banco Central para conter a inflação.
No entanto, a autoridade monetária sinalizou que poderá iniciar um ciclo de redução dos juros nos próximos meses, caso os sinais de desaceleração econômica se confirmem.
Segundo o próprio Banco Central, mudanças regulatórias contribuíram para o aumento da inadimplência ao longo do último ano. Ainda assim, a instituição afirmou já observar sinais iniciais de estabilização.
Perspectivas para o crédito no Brasil
O comportamento do crédito no Brasil nos próximos meses dependerá principalmente da trajetória da Selic e da evolução da atividade econômica. Caso os juros comecem a cair, a tendência é de melhora gradual nas concessões e redução da pressão sobre consumidores e empresas.
Por outro lado, enquanto as taxas permanecerem elevadas, o crédito deve seguir mais restrito, limitando o consumo e os investimentos no país.
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