IGP-M acelera para 2,73% em abril com impacto da alta do petróleo
Disparada no atacado e repasses ao consumidor marcam mudança de tendência após meses de variações mais moderadas
Imagem: Envato Elements.
O IGP-M registrou alta de 2,73% em abril de 2026, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (29) pela FGV IBRE. O resultado representa uma forte aceleração em relação a março, quando o índice havia subido 0,52%.
O indicador superou as projeções do mercado, apresentando uma alta superior aos 2,53% previstos pela pesquisa da Reuters. O número também ultrapassou a mediana do Projeções Broadcast, que estimava um avanço de 2,69% dentro de um intervalo entre 1,50% e 3,26%.
Conflito no Oriente Médio impulsiona preços
De acordo com a Fundação Getulio Vargas, o avanço do índice foi influenciado principalmente pelo cenário internacional, com destaque para o conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. A tensão na região do Estreito de Ormuz tem pressionado os preços do petróleo, gerando efeitos em cadeia sobre diversos setores da economia.
Segundo economistas da instituição, todos os componentes do índice foram impactados, direta ou indiretamente, pelo aumento dos custos associados às commodities energéticas.
Atacado dispara e lidera alta
O principal destaque da leitura de abril foi o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que responde por cerca de 60% do IGP-M e mede a variação dos preços no atacado.
O indicador avançou 3,49% no mês, após alta de 0,61% em março, refletindo a elevação dos custos de produção, especialmente em setores ligados à energia e matérias-primas.
Inflação ao consumidor também acelera
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que acompanha os preços ao consumidor final, também registrou aceleração, passando de 0,30% em março para 0,94% em abril.
Esse movimento indica que parte da alta de custos já começa a ser repassada ao consumidor, o que pode pressionar ainda mais a inflação nos próximos meses.
Evolução recente do IGP-M
A forte alta de abril marca uma mudança na trajetória recente do índice, que vinha apresentando variações mais moderadas ou até negativas em meses anteriores.
| Mês | Variação mensal | Acumulado em 12 meses |
|---|---|---|
| abr/26 | 2,73% | 0,61% |
| mar/26 | 0,52% | -1,83% |
| fev/26 | -0,73% | -2,67% |
| jan/26 | 0,41% | -0,91% |
No acumulado do ano, o IGP-M já registra alta de 2,93%, enquanto em 12 meses o índice voltou ao campo positivo, com avanço de 0,61%.
Mercado acompanha decisão do Banco Central
O resultado do IGP-M chega em um momento importante para a política monetária. O Banco Central do Brasil divulga nesta quarta-feira sua decisão sobre a taxa Selic, atualmente em 14,75% ao ano.
A expectativa predominante do mercado é de um corte de 0,25 ponto percentual, embora o cenário de inflação pressionada e incertezas externas, como a alta do petróleo, tragam cautela para a autoridade monetária.
A semana ainda é marcada por uma super quarta, coincidência das reuniões de política monetária do Comitê de Política Monetária (Copom), no Brasil, e do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), nos Estados Unidos.
Sob pressão dos conflitos internacionais e de uma inflação ainda elevada, o Federal Reserve (Fed) deve manter os juros inalterados. A expectativa do mercado nos EUA é que as taxas sejam fixadas no intervalo de 3,5% a 3,75%.
O avanço do IGP-M reforça o ambiente de pressão inflacionária, especialmente no atacado, com potencial de impacto sobre os preços ao consumidor nos próximos meses.