IGP-M cai 0,50% em junho com queda de commodities e preços no atacado

Recuo foi impulsionado pelo comportamento do índice de preços ao produtor, enquanto inflação ao consumidor desacelerou e construção manteve alta.

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29 de jun, 2026 às 11:14
Prédios residenciais com apartamentos e varandas sob céu azul, imagem usada para ilustrar o mercado imobiliário. Foto: Envato Elements

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou queda de 0,50% em junho, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta segunda-feira (29). O resultado representa uma mudança em relação ao avanço de 0,84% observado em maio e ficou abaixo das expectativas do mercado, refletindo principalmente a redução dos preços no atacado, influenciada pelo comportamento de diversas commodities.

Conhecido como um dos principais indicadores de inflação do país e amplamente utilizado no reajuste de contratos de aluguel e outros acordos comerciais, o IGP-M mostrou um cenário de desaceleração nos custos de produção, enquanto a inflação ao consumidor permaneceu positiva, porém em ritmo menor.

IPA-M foi o principal responsável pela queda

O principal fator para o resultado de junho foi o desempenho do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-M), que passou de alta de 0,91% em maio para queda de 0,97% no mês seguinte.

Como o IPA-M possui maior peso na composição do IGP-M, o recuo nos preços praticados entre produtores teve impacto direto sobre o índice geral.

Entre os produtos que contribuíram para a deflação estão commodities importantes para a economia brasileira, especialmente matérias-primas ligadas aos setores mineral, agrícola e de combustíveis.

Produtos que mais influenciaram o resultado

Segundo a FGV, os principais movimentos registrados em junho foram:

  • queda dos preços do minério de ferro;
  • recuo do café em grão;
  • redução no preço do óleo diesel;
  • baixa no farelo de soja;
  • diminuição dos preços da cana-de-açúcar.

Na direção oposta, alguns produtos apresentaram valorização ou aceleraram o ritmo de alta, amenizando parcialmente a queda do índice. Entre eles estiveram soja em grão, feijão, batata-inglesa, óleos lubrificantes e leite in natura.

Inflação ao consumidor perde força

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M) também mostrou desaceleração em junho.

Após avançar 0,61% em maio, o indicador passou para alta de 0,47%, sinalizando que os preços ao consumidor continuaram subindo, mas em ritmo menos intenso.

Esse comportamento indica uma redução gradual da pressão inflacionária em alguns segmentos do consumo das famílias, embora o índice permaneça em território positivo.

Construção civil mantém trajetória de alta

Enquanto atacado e consumo apresentaram desaceleração, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) seguiu em sentido contrário.

O indicador acelerou de 0,77% para 0,85% em junho, mostrando que os custos ligados ao setor da construção continuam pressionados, especialmente por despesas com mão de obra, materiais e serviços.

Esse comportamento demonstra que diferentes setores da economia continuam apresentando dinâmicas distintas de preços.

O que explica o desempenho do IGP-M

A queda registrada em junho ocorreu principalmente pela combinação de fatores ligados ao mercado internacional de commodities e ao comportamento dos preços de insumos utilizados pela indústria e pelo agronegócio.

Entre os principais fatores observados estão:

  • redução de preços de importantes commodities;
  • alívio nos custos de combustíveis para produtores;
  • menor pressão sobre matérias-primas industriais;
  • desaceleração parcial da inflação ao consumidor;
  • manutenção da alta dos custos da construção civil.

Indicador é referência para contratos

O IGP-M é acompanhado de perto por empresas, investidores e consumidores porque serve de base para diferentes tipos de contratos econômicos.

Além de reajustes de aluguel, o índice pode influenciar contratos de prestação de serviços, tarifas privadas e negociações empresariais.

Quando apresenta deflação, parte desses contratos pode registrar reajustes menores ou até redução dos valores, dependendo das cláusulas estabelecidas.

Mercado acompanha próximos indicadores

O resultado de junho reforça o acompanhamento dos próximos indicadores de inflação e atividade econômica, que ajudarão a medir se a desaceleração observada no atacado será mantida nos próximos meses ou se haverá novas pressões sobre os preços.

Para o mercado financeiro, a trajetória dos índices de inflação continua sendo um dos fatores relevantes para as expectativas sobre juros, consumo, investimentos e crescimento da economia brasileira ao longo do segundo semestre.

Acompanhe a editoria de Economia para conferir os principais indicadores de inflação, decisões econômicas e os impactos sobre o mercado e o bolso dos brasileiros.

Carolina Gandra

Carolina Gandra é Jornalista e Redatora do portal Melhor Investimento, especializada em criptomoedas, ações, tecnologia, mercado internacional e tendências financeiras. Transforma temas complexos como blockchain, inteligência artificial e estratégias de mercado em conteúdos acessíveis e envolventes. Com análises atuais e visão estratégica, ajuda leitores a decifrar o futuro dos investimentos e identificar oportunidades no mercado financeiro.