IGP-M cai 0,50% em junho com queda de commodities e preços no atacado
Recuo foi impulsionado pelo comportamento do índice de preços ao produtor, enquanto inflação ao consumidor desacelerou e construção manteve alta.
Foto: Envato Elements
O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou queda de 0,50% em junho, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta segunda-feira (29). O resultado representa uma mudança em relação ao avanço de 0,84% observado em maio e ficou abaixo das expectativas do mercado, refletindo principalmente a redução dos preços no atacado, influenciada pelo comportamento de diversas commodities.
Conhecido como um dos principais indicadores de inflação do país e amplamente utilizado no reajuste de contratos de aluguel e outros acordos comerciais, o IGP-M mostrou um cenário de desaceleração nos custos de produção, enquanto a inflação ao consumidor permaneceu positiva, porém em ritmo menor.
IPA-M foi o principal responsável pela queda
O principal fator para o resultado de junho foi o desempenho do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-M), que passou de alta de 0,91% em maio para queda de 0,97% no mês seguinte.
Como o IPA-M possui maior peso na composição do IGP-M, o recuo nos preços praticados entre produtores teve impacto direto sobre o índice geral.
Entre os produtos que contribuíram para a deflação estão commodities importantes para a economia brasileira, especialmente matérias-primas ligadas aos setores mineral, agrícola e de combustíveis.
Produtos que mais influenciaram o resultado
Segundo a FGV, os principais movimentos registrados em junho foram:
- queda dos preços do minério de ferro;
- recuo do café em grão;
- redução no preço do óleo diesel;
- baixa no farelo de soja;
- diminuição dos preços da cana-de-açúcar.
Na direção oposta, alguns produtos apresentaram valorização ou aceleraram o ritmo de alta, amenizando parcialmente a queda do índice. Entre eles estiveram soja em grão, feijão, batata-inglesa, óleos lubrificantes e leite in natura.
Inflação ao consumidor perde força
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M) também mostrou desaceleração em junho.
Após avançar 0,61% em maio, o indicador passou para alta de 0,47%, sinalizando que os preços ao consumidor continuaram subindo, mas em ritmo menos intenso.
Esse comportamento indica uma redução gradual da pressão inflacionária em alguns segmentos do consumo das famílias, embora o índice permaneça em território positivo.
Construção civil mantém trajetória de alta
Enquanto atacado e consumo apresentaram desaceleração, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) seguiu em sentido contrário.
O indicador acelerou de 0,77% para 0,85% em junho, mostrando que os custos ligados ao setor da construção continuam pressionados, especialmente por despesas com mão de obra, materiais e serviços.
Esse comportamento demonstra que diferentes setores da economia continuam apresentando dinâmicas distintas de preços.
O que explica o desempenho do IGP-M
A queda registrada em junho ocorreu principalmente pela combinação de fatores ligados ao mercado internacional de commodities e ao comportamento dos preços de insumos utilizados pela indústria e pelo agronegócio.
Entre os principais fatores observados estão:
- redução de preços de importantes commodities;
- alívio nos custos de combustíveis para produtores;
- menor pressão sobre matérias-primas industriais;
- desaceleração parcial da inflação ao consumidor;
- manutenção da alta dos custos da construção civil.
Indicador é referência para contratos
O IGP-M é acompanhado de perto por empresas, investidores e consumidores porque serve de base para diferentes tipos de contratos econômicos.
Além de reajustes de aluguel, o índice pode influenciar contratos de prestação de serviços, tarifas privadas e negociações empresariais.
Quando apresenta deflação, parte desses contratos pode registrar reajustes menores ou até redução dos valores, dependendo das cláusulas estabelecidas.
Mercado acompanha próximos indicadores
O resultado de junho reforça o acompanhamento dos próximos indicadores de inflação e atividade econômica, que ajudarão a medir se a desaceleração observada no atacado será mantida nos próximos meses ou se haverá novas pressões sobre os preços.
Para o mercado financeiro, a trajetória dos índices de inflação continua sendo um dos fatores relevantes para as expectativas sobre juros, consumo, investimentos e crescimento da economia brasileira ao longo do segundo semestre.
Acompanhe a editoria de Economia para conferir os principais indicadores de inflação, decisões econômicas e os impactos sobre o mercado e o bolso dos brasileiros.