IBC-Br cresce 1,88% em 12 meses até fevereiro
Indicador do Banco Central aponta perda de ritmo da atividade econômica, com desaceleração em serviços, indústria e agropecuária.
Imagem: Envato Elements.
O IBC-Br, considerado uma prévia do PIB, registrou alta de 1,88% nos 12 meses encerrados em fevereiro, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (16) pelo Banco Central do Brasil. O resultado indica desaceleração da atividade econômica, já que no período encerrado em janeiro o crescimento acumulado era de 2,28%.
No curto prazo, porém, o indicador mostrou leve surpresa positiva. O IBC-Br avançou 0,6% em fevereiro de 2026 na comparação com janeiro, levemente acima dos 0,5% esperados pelo mercado. O desempenho foi puxado principalmente pela indústria, que cresceu 1,2% no período.
Apesar do avanço mensal, a comparação anual trouxe um sinal mais negativo. O IBC-Br apresentou queda de 0,3% frente a fevereiro de 2025, contrariando a expectativa de alta de 0,2% do mercado. A retração foi disseminada entre todos os segmentos.
Segundo Sara Paixão, Analista de Macroeconomia da InvestSmart, a queda é explicada “pela desaceleração gradual na economia brasileira, que crescia em ritmo constante e acima do potencial ao longo do primeiro semestre do ano passado”.
“Para esse primeiro semestre, espera-se que haja crescimento na atividade econômica brasileira, sustentado principalmente pelas medidas já divulgadas pelo Governo de apoio ao consumo. Porém, com desaceleração quando comparado ao crescimento do ano passado. Para o COPOM, a expectativa continua em um corte de 25 bps na próxima reunião, que acontece no final desse mês”, acrescenta.
Desempenho por setores mostra perda de força
A desaceleração foi disseminada entre os principais segmentos da economia. O índice que exclui a agropecuária avançou 1,40% em 12 meses, abaixo dos 1,65% registrados até janeiro.
Já o setor agropecuário, que vinha sustentando parte do crescimento, também perdeu fôlego. O avanço caiu de 12,48% para 9,66% no mesmo período.
Outros segmentos também mostraram desaceleração:
- Serviços: de 2,10% para 1,91%
- Impostos sobre produtos: de 0,70% para 0,13%
Saiba mais:
Crescimento modesto no início de 2026
No acumulado de janeiro a fevereiro de 2026, o IBC-Br total registrou alta de 0,39% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
O desempenho por setor foi misto:
- Serviços: +1,60%
- Ex-agropecuária: +0,49%
- Agropecuária: -0,41%
- Indústria: -1,24%
- Impostos: -1,98%
Os dados mostram que o crescimento segue sustentado principalmente pelo setor de serviços, enquanto indústria e agro apresentam retração no início do ano.
Atividade mantém avanço no trimestre móvel
Apesar da desaceleração anual, a atividade econômica apresentou avanço no curto prazo. No trimestre móvel encerrado em fevereiro, o IBC-Br cresceu 1,13%, na série com ajuste sazonal.
O desempenho por setor no período foi positivo:
- Agropecuária: +1,78%
- Serviços: +1,10%
- Indústria: +1,01%
- Impostos: +1,35%
Já na comparação com o mesmo trimestre de 2025, sem ajuste sazonal, o índice geral avançou 1,28%. Na comparação anual do trimestre, os serviços mantiveram crescimento mais robusto, com alta de 2,18%. Por outro lado, a indústria registrou queda de 0,26%, enquanto os impostos recuaram 0,45%.
Com informações de Bacen e UOL Notícias