Copom reduz Selic para 14,50% ao ano e mantém cautela diante de inflação e cenário externo

Decisão unânime mantém ciclo de cortes, mas BC condiciona próximos passos ao cenário inflacionário e externo

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Última atualização:  29 de abr, 2026 às 21:11
Selic Hoje Imagem: Reprodução

O Banco Central do Brasil decidiu nesta quarta-feira (29) reduzir a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, levando-a para 14,50% ao ano. A decisão foi unânime e já era amplamente esperada pelo mercado financeiro.

Este foi o terceiro encontro do Copom em 2026 e ocorre em um contexto de elevada incerteza global, especialmente por conta do conflito no Oriente Médio, que tem pressionado os preços do petróleo e impactado as expectativas de inflação.

No comunicado, o Banco Central evitou sinalizar claramente os próximos movimentos da política monetária e reforçou uma postura prudente. Segundo o Comitê, as decisões futuras dependerão da evolução do cenário econômico, tanto no Brasil quanto no exterior.

A autoridade monetária destacou que ainda é necessário observar “que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”.

Inflação segue pressionada e acima da meta

Apesar da desaceleração da atividade econômica, o Copom ressaltou que a inflação e seus núcleos voltaram a acelerar recentemente, afastando-se da meta estabelecida. As expectativas do mercado seguem elevadas:

  • 2026: cerca de 4,9%
  • 2027: em torno de 4,0%

Já a projeção do próprio Banco Central para o fim de 2027 está em 3,5%, ainda no limite superior da meta.

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Riscos seguem elevados

O Comitê apontou que o balanço de riscos para a inflação permanece assimétrico e mais elevado do que o usual. Entre os principais fatores de preocupação estão:

  • (i) Uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, com horizontes mais longos incorporando impactos potenciais de segunda ordem de restrições de oferta de petróleo e seus derivados;
  • (ii) Uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo;
  • (iii) Uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada

Por outro lado, o BC também mencionou riscos de baixa, como uma desaceleração mais intensa da economia global ou queda nos preços das commodities.

O cenário doméstico segue misto. De um lado, há sinais de moderação no crescimento econômico ao longo de 2026. De outro, o mercado de trabalho continua relativamente forte, o que pode sustentar pressões inflacionárias, especialmente no setor de serviços.

Copom vê espaço para ajustes, mas sem pressa

O Banco Central indicou que o ciclo de cortes de juros continua, mas sem compromisso com um ritmo definido. A autoridade reforçou que o longo período de juros elevados já contribuiu para desacelerar a economia, abrindo espaço para ajustes graduais.

Ainda assim, o Copom deixou claro que qualquer decisão futura dependerá da evolução dos dados e do cenário global.

O Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14,50% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante”, informou o comunicado

A decisão foi ratificada pelos seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), seguido por Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David e Paulo Picchetti.

Lucas Machado

Redator e psicólogo com quase 5 anos de experiência na produção de artigos e notícias sobre uma ampla gama de temas. Suas áreas de interesse e expertisse incluem previdência, seguros, direito sucessório e finanças, em geral. Atualmente, faz parte da equipe do Melhor Investimento, abordando uma variedade de tópicos relacionados ao mercado financeiro.