CMN proíbe apostas em política, esportes e entretenimento em mercados preditivos no Brasil

Nova regra limita contratos a indicadores econômicos e financeiros

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24 de abr, 2026 às 17:30
Sede do Banco Central em Brasília, ligada à decisão do CMN que proíbe apostas em política e esportes em mercados preditivos. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou uma resolução que proíbe, no Brasil, a negociação de contratos ligados a eventos como política, eleições, esportes e entretenimento em mercados preditivos. A decisão foi tomada em reunião realizada na quinta-feira (23) e divulgada nesta sexta-feira (24), com validade a partir de 4 de maio.

A medida se aplica a operações feitas no país e também a ofertas estrangeiras direcionadas a investidores brasileiros. O objetivo é limitar esse tipo de atividade ao campo econômico-financeiro e evitar o crescimento de apostas disfarçadas de instrumentos financeiros.

A nova norma estabelece que apenas contratos baseados em indicadores econômicos poderão ser negociados no mercado de derivativos. A regulamentação complementar e a fiscalização ficarão sob responsabilidade da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

O que muda com a nova regra

Com a resolução, ficam proibidas operações que envolvam previsões sobre eventos não financeiros, como resultados eleitorais, partidas esportivas ou programas de entretenimento. Plataformas que operam com esse tipo de contrato deixam de poder atuar no país nesse formato.

Por outro lado, continuam permitidos contratos ligados a variáveis econômicas, como inflação, juros, câmbio e preços de ativos. Esses instrumentos são considerados parte do mercado financeiro tradicional e têm função de proteção ou investimento.

O que continua permitido

A resolução detalha quais referências seguem autorizadas no mercado de derivativos. Entre elas:

  • Índices de preços e indicadores econômicos;
  • Taxas de juros e câmbio;
  • Índices de ações e títulos financeiros;
  • Preços de commodities, como petróleo e soja;
  • Ativos negociados em bolsa ou mercado organizado.

Esses contratos são amplamente utilizados por empresas e investidores para proteção contra oscilações de mercado e gestão de riscos.

Impacto nas plataformas de mercado preditivo

A decisão afeta diretamente empresas que operam mercados de previsão, modelo no qual usuários negociam contratos baseados na probabilidade de um evento ocorrer. Nesse sistema, o retorno depende do acerto da previsão, semelhante a uma aposta, mas estruturada como derivativo.

Nos últimos anos, esse tipo de plataforma ganhou espaço globalmente, permitindo apostas sobre temas variados, incluindo política e eventos internacionais. No entanto, o governo brasileiro avaliou que essas operações não se enquadram na legislação vigente do mercado financeiro.

Além disso, a interpretação oficial é de que esses contratos funcionam, na prática, como apostas online e, por isso, deveriam seguir as regras específicas do setor, que no Brasil são mais restritivas.

Diferença entre mercado preditivo e apostas

A medida também reforça a distinção entre mercados preditivos e as chamadas “bets”. Enquanto as apostas tradicionais operam com cotas fixas e pagamento definido, os mercados de previsão funcionam como negociação entre participantes, com preços variando conforme a demanda.

Mesmo assim, autoridades consideram que ambos os modelos compartilham riscos semelhantes, especialmente para investidores individuais. Por isso, a decisão busca evitar que essas operações cresçam sem controle regulatório.

Objetivo da medida

O governo argumenta que a resolução tem como foco proteger o sistema financeiro e os investidores, além de evitar o avanço desordenado de um novo tipo de mercado no país.

Entre os principais objetivos estão:

  • Evitar que apostas sejam oferecidas como produtos financeiros;
  • Reduzir riscos de perdas para investidores;
  • Garantir que derivativos tenham base econômica verificável;
  • Fortalecer a supervisão do mercado pela CVM.

A medida também fecha brechas regulatórias que permitiam a atuação dessas plataformas no Brasil.

Efeitos no mercado

A decisão ocorre em um momento de maior atenção às apostas online no país. Nos últimos anos, o setor cresceu rapidamente, levando o governo a criar regras específicas para sua operação.

No caso dos mercados preditivos, a avaliação foi de que havia uma tentativa de enquadrar apostas como instrumentos financeiros, o que não está previsto na legislação brasileira.

Para o mercado financeiro tradicional, a resolução tende a trazer mais clareza regulatória, mantendo o foco dos derivativos em sua função original: proteção e gestão de riscos.

Próximos passos

A Comissão de Valores Mobiliários será responsável por detalhar as regras e garantir o cumprimento da resolução. A expectativa é que novas orientações sejam divulgadas nas próximas semanas.

A partir da entrada em vigor, empresas que não se adequarem poderão sofrer restrições para operar no país.

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Carolina Gandra

Jornalista do portal Melhor Investimento, especializada em criptomoedas, ações, tecnologia, mercado internacional e tendências financeiras. Transforma temas complexos como blockchain, inteligência artificial e estratégias de mercado em conteúdos acessíveis e envolventes. Com análises atuais e visão estratégica, ajuda leitores a decifrar o futuro dos investimentos e identificar oportunidades no mercado financeiro.