Ações da C&A (CEAB3) começam 2026 em queda após desaceleração nas vendas
Vendas abaixo no 4º trimestre frustram o mercado, pressionam margens e colocam as ações da CEAB3 entre as maiores quedas da Bolsa em 2026.
Imagem: iStock
Apesar da alta registrada na sessão desta terça-feira (15), as ações da C&A (CEAB3) acumulam forte queda no início de 2026 após a varejista sinalizar a analistas um desempenho mais fraco nas vendas do quarto trimestre de 2025.
Por que as ações da CEAB3 caíram?
O principal gatilho para a queda de CEAB3 veio da sinalização da própria companhia sobre a desaceleração das vendas no quarto trimestre de 2025. Analistas esperavam crescimento entre 4% e 5%, mas a empresa indicou variação próxima de zero, frustrando as projeções do mercado.
Além disso, a C&A apontou antecipação de liquidações, uma Black Friday mais agressiva do que o habitual, fluxo mais fraco em shoppings e aumento da concorrência no varejo de moda. Esses fatores elevaram a pressão sobre margens e rentabilidade, especialmente no varejo discricionário.
No acumulado desde o fim de novembro de 2025, as ações da C&A passaram a registrar queda próxima de 44%, apesar da valorização expressiva ao longo do ano passado. Em 2026, CEAB3 já figura entre os piores desempenhos do Ibovespa.
Desaceleração do consumo amplia pressão no varejo de moda
Dados macroeconômicos reforçam o cenário mais desafiador. O consumo das famílias perdeu força em meio à taxa Selic em patamar elevado, crédito mais caro e aumento do endividamento. Indicadores de vendas de Natal mostraram crescimento modesto, tanto no varejo físico quanto nos shoppings, o que reforçou a leitura de um quarto trimestre mais fraco para o setor.
O movimento não afetou apenas a C&A. A leitura mais cautelosa sobre o consumo também pressionou ações de outras varejistas de moda, como Lojas Renner (LREN3) e Vivara (VIVA3), que encerraram o pregão em queda.
Leia também:
O que dizem os especialistas sobre as ações da C&A
Analistas da Genial Investimentos, em depoimento ao InfoMoney, avaliam que a reação do mercado pode ter exagerado no curto prazo, mas destacam que o guidance fraco para vendas mesmas lojas evidencia uma pressão estrutural no varejo discricionário. Segundo a casa, a combinação de consumo enfraquecido e promoções agressivas tende a reduzir margens ao longo dos próximos trimestres.
O UBS BB também destacou um ambiente competitivo mais duro no quarto trimestre, com shoppings menos movimentados e uma Black Friday marcada por descontos acima do padrão histórico, especialmente no comércio eletrônico.
O JPMorgan reforça a cautela com o varejo cíclico e mantém preferência por empresas consideradas mais defensivas, como RD Saúde (RADL3), Smart Fit (SMFT3) e Vivara (VIVA3). Segundo o banco, os primeiros dados indicam riscos de revisão negativa nas estimativas para varejistas mais expostas ao consumo discricionário.
Com informações de Lara Rizério / InfoMoney