Focus eleva projeção da inflação para 2026 e mercado já vê juros maiores em 2027

Analistas elevaram estimativas para o IPCA e passaram a enxergar Selic mais alta por período prolongado

imagem do autor
Última atualização:  11 de maio, 2026 às 12:44
Focus - Banco Central do Brasil Adriano Machado/Reuters/Reprodução via Agencia Brasil.

O mercado financeiro voltou a piorar suas projeções para a inflação brasileira e passou a prever juros mais altos por mais tempo, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (11) pelo Banco Central do Brasil no Boletim Focus.

A estimativa para o IPCA de 2026 subiu de 4,89% para 4,91%, marcando a nona alta consecutiva nas projeções dos analistas consultados pela autoridade monetária. Ao mesmo tempo, a expectativa para a taxa Selic em 2027 avançou de 11% para 11,25% ao ano, reforçando a percepção de um cenário monetário ainda restritivo nos próximos anos.

Inflação segue pressionando expectativas do mercado

A nova elevação das projeções mostra que o mercado continua enxergando dificuldades para a inflação convergir rapidamente à meta definida pelo Conselho Monetário Nacional.

Além da alta para 2026, as expectativas para os próximos anos permaneceram acima do centro da meta inflacionária. Para 2027, os economistas mantiveram projeção de 4%, enquanto para 2028 a estimativa ficou estável em 3,64%.

Já para 2029, a expectativa permaneceu em 3,50%, nível mantido há 36 semanas consecutivas no levantamento do Banco Central.

O comportamento das projeções reforça o cenário de cautela do mercado diante das pressões fiscais, do ambiente internacional instável e dos impactos recentes da alta do petróleo e das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Leia também:

Mercado vê juros altos por mais tempo

As estimativas para a taxa básica de juros também seguem indicando manutenção de uma política monetária apertada nos próximos anos.

Para o fim de 2026, a projeção da Selic permaneceu em 13% ao ano pela terceira semana consecutiva. Já para 2027, houve nova alta nas expectativas, passando de 11% para 11,25%.

O movimento sugere que os analistas continuam avaliando que o Comitê de Política Monetária (Copom) poderá manter juros elevados por um período mais prolongado para conter as pressões inflacionárias.

As projeções para 2028 e 2029 permaneceram em 10% ao ano.

PIB de 2026 segue com crescimento moderado

Apesar da piora nas expectativas de inflação e juros, os economistas mantiveram a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 1,85% para 2026. Para 2027, a projeção avançou levemente de 1,75% para 1,76%.

Já as estimativas para 2028 e 2029 seguiram estáveis em 2% ao ano, patamar considerado moderado para o potencial de crescimento da economia brasileira.

O cenário reflete uma combinação de juros elevados, desaceleração global e menor impulso do consumo interno.

Dólar tem leve melhora nas projeções

O Boletim Focus também mostrou uma leve redução nas estimativas para o dólar em 2026. A projeção para a moeda norte-americana caiu de R$ 5,25 para R$ 5,20. Para 2027, o mercado manteve expectativa de câmbio em R$ 5,30.

Já para 2028, houve novo recuo, de R$ 5,39 para R$ 5,35. Para 2029, a projeção permaneceu em R$ 5,40. A melhora parcial nas expectativas cambiais ocorre em meio à percepção de manutenção de juros elevados no Brasil e ao fluxo externo ainda favorável para mercados emergentes.

IGP-M e preços administrados também avançam

Outro indicador acompanhado pelo mercado, o IGP-M, também registrou nova alta nas projeções para 2026. A expectativa passou de 5,50% para 5,60%, acumulando dez semanas consecutivas de avanço nas estimativas.

Já os chamados preços administrados — grupo que inclui combustíveis, energia elétrica e tarifas públicas — subiram de 4,98% para 5,01% em 2026. Para os anos seguintes, as projeções permaneceram praticamente estáveis.

Mercado acompanha cenário fiscal e ambiente externo

Analistas seguem monitorando o impacto do cenário internacional sobre a economia brasileira, especialmente diante da escalada das tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Irã e o mercado global de energia.

Além disso, investidores continuam atentos à política fiscal do governo federal e aos efeitos de programas de estímulo econômico sobre inflação, juros e trajetória da dívida pública.

A combinação desses fatores tem mantido as projeções do mercado em níveis elevados, principalmente para inflação e taxa Selic nos próximos anos.

Lucas Machado

Redator e psicólogo com quase 5 anos de experiência na produção de artigos e notícias sobre uma ampla gama de temas. Suas áreas de interesse e expertisse incluem previdência, seguros, direito sucessório e finanças, em geral. Atualmente, faz parte da equipe do Melhor Investimento, abordando uma variedade de tópicos relacionados ao mercado financeiro.