Ambev (ABEV3) dispara mais de 10% após resultado forte com cerveja no Brasil no 1T26

A Ambev (ABEV3) registrou lucro de R$ 3,89 bilhões no primeiro trimestre de 2026 e viu suas ações dispararem mais de 10%, impulsionadas pelo forte desempenho do segmento de cerveja no Brasil.

imagem do autor
05 de maio, 2026 às 16:35
Um trabalhador industrial com capacete e protetores auriculares opera uma válvula em uma grande instalação industrial. Imagem: Reuters

A Ambev (ABEV3) registrou forte reação no mercado após divulgar seus resultados do primeiro trimestre de 2026, com as ações subindo mais de 10% impulsionadas por um desempenho acima do esperado no segmento de cerveja no Brasil. O movimento chamou a atenção de analistas e investidores, especialmente diante de um cenário que ainda apresenta desafios para a indústria de bebidas.

O balanço foi divulgado nesta terça-feira (5), e mostrou lucro líquido de R$ 3,89 bilhões no período, crescimento de 2,1% em relação ao mesmo trimestre de 2025. Por volta das 10h13 (horário de Brasília), os papéis da companhia avançavam 10,73%, cotados a R$ 15,99. O desempenho surpreendeu positivamente o mercado, principalmente pelo resultado da operação brasileira.

Leia também: 

O principal destaque do trimestre foi o segmento de cerveja no Brasil, que apresentou desempenho sólido e acima das expectativas. Segundo análise da XP Investimentos, os volumes cresceram 1,2% na comparação anual, contrariando projeções do mercado que indicavam queda entre 1% e 2%.

Além disso, o volume registrado foi o maior já observado para um primeiro trimestre, indicando ganho de participação no mercado. Esse resultado reforça a competitividade da Ambev em um ambiente considerado desafiador para o setor.

Outro ponto relevante foi o crescimento da receita líquida por hectolitro, que avançou 8,3% na base anual. O desempenho reflete uma combinação de estratégias mais eficientes de precificação e uma melhora no mix de produtos, com maior presença de itens de maior valor agregado.

Estratégia premium fortalece margens

A expansão das categorias premium e super premium foi um dos pilares do resultado positivo. De acordo com estimativas, esses segmentos registraram crescimento na casa dos 20%, compensando a retração observada nas categorias mais básicas, como core e value.

Esse movimento indica uma mudança estrutural importante no portfólio da companhia, que passa a depender menos de produtos de menor margem e amplia sua exposição a linhas mais rentáveis. Na prática, isso contribui diretamente para o aumento da rentabilidade e melhora da percepção do mercado sobre a empresa.

Mudança de percepção entre analistas

O Bradesco BBI destacou que o resultado representa uma inflexão relevante na operação brasileira. Segundo o banco, pela primeira vez em um longo período, a companhia conseguiu combinar crescimento de volume com aumento de preços sem perder participação de mercado.

Esse cenário é visto como um sinal de fortalecimento do portfólio da Ambev, especialmente após anos de questionamentos sobre a falta de consistência no crescimento da divisão de cervejas no Brasil.

Já o Itaú BBA apontou que o EBITDA veio acima das expectativas, impulsionado principalmente pela dinâmica mais forte de receitas no país. A instituição avalia que o resultado oferece um ponto de partida sólido para 2026, com potencial de melhora nos próximos trimestres.

Desempenho internacional e eficiência operacional

Apesar do destaque no Brasil, as operações internacionais ainda enfrentam desafios. Regiões como Canadá e América Latina Sul seguem pressionadas por um ambiente de consumo mais fraco. Ainda assim, a companhia conseguiu expandir margens nessas localidades, mostrando disciplina operacional e eficiência na gestão de custos.

Esse fator foi visto como positivo por analistas, já que indica capacidade da empresa de preservar rentabilidade mesmo em cenários adversos.

Perspectivas: Copa do Mundo pode impulsionar vendas

Para os próximos meses, a expectativa do mercado é de continuidade no crescimento, especialmente com a chegada de eventos que tradicionalmente impulsionam o consumo de bebidas. A Copa do Mundo aparece como um dos principais catalisadores de curto prazo, com potencial de elevar volumes e receitas no segundo e terceiro trimestres de 2026.

Além disso, o atual momento da companhia sugere um cenário mais favorável para revisões positivas nas estimativas de lucro ao longo do ano.

Recomendação ainda é neutra

Apesar da leitura mais construtiva no curto prazo, os principais bancos mantiveram postura cautelosa em relação às ações. O Bradesco BBI reiterou recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 14, citando preocupações com o valuation elevado e dúvidas sobre a sustentabilidade do crescimento no longo prazo.

O Itaú BBA também manteve recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 17, apesar de reconhecer a melhora operacional recente.