Ambev (ABEV3) deve crescer acima da indústria de cerveja no 2º trimestre

Estimativas do Bradesco BBI apontam crescimento operacional impulsionado pela divisão de cervejas no Brasil e ganhos de eficiência.

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03 de jul, 2026 às 15:42
Fachada da cervejaria Ambev, destaque da Ambev (ABEV3) após projeções positivas para o segundo trimestre de 2026. Foto: Giselle Ulbrich/Arquivo/Tribuna do Paraná

A Ambev (ABEV3) deve divulgar um conjunto de resultados mais fortes no segundo trimestre de 2026, segundo projeções do Bradesco BBI. A expectativa é de crescimento na receita, no lucro líquido e na geração de caixa operacional, impulsionados principalmente pelo desempenho da operação de cervejas no Brasil, que continua ganhando espaço mesmo em um ambiente de consumo considerado desafiador.

O banco estima que a companhia divulgará seu balanço em 30 de julho, com receita líquida consolidada de aproximadamente R$ 20,8 bilhões, avanço de 3,5% na comparação com o mesmo período do ano passado. Já o EBITDA, indicador que mede a geração operacional de caixa, pode alcançar R$ 6,6 bilhões, crescimento anual de 7%.

A projeção também indica que o lucro líquido ajustado poderá chegar a R$ 3 bilhões, igualmente representando uma alta de 7% em relação ao segundo trimestre de 2025.

Operação de cervejas no Brasil deve liderar crescimento

Na avaliação dos analistas do Bradesco BBI, o principal destaque da Ambev (ABEV3) continua sendo o segmento de cervejas no mercado brasileiro.

Mesmo com a indústria apresentando retração em alguns indicadores, a companhia deve registrar crescimento de volumes e ampliar sua participação de mercado.

A expectativa é que a divisão de cervejas entregue um avanço expressivo na rentabilidade, sustentado por fatores como:

  • Crescimento das vendas em relação ao setor;
  • Gganho de participação de mercado;
  • Estratégia comercial considerada consistente;
  • Melhora na eficiência operacional;
  • Comparação mais favorável com o mesmo período do ano anterior.

Caso essas estimativas sejam confirmadas, a empresa deverá manter um desempenho superior ao da indústria de bebidas no trimestre.

Receita e geração de caixa seguem em expansão

Além do avanço esperado nas vendas, o banco acredita que a companhia continuará apresentando melhora operacional.

O EBITDA projetado de R$ 6,6 bilhões representa um crescimento anual de 7%, refletindo tanto a expansão da receita quanto ganhos de eficiência na gestão dos custos.

Para investidores, esse indicador costuma ser acompanhado de perto porque mostra a capacidade da empresa de gerar caixa com suas operações antes dos efeitos financeiros, tributários e contábeis.

O lucro líquido ajustado também deverá acompanhar essa evolução, alcançando aproximadamente R$ 3 bilhões no período.

Ambiente de consumo ainda inspira cautela

Apesar das projeções positivas para o trimestre, os analistas ressaltam que o cenário macroeconômico ainda impõe desafios para empresas ligadas ao consumo.

Mesmo com inflação mais controlada em comparação aos anos anteriores e perspectiva de estabilização dos juros ao longo do tempo, o ritmo de crescimento do consumo das famílias continua relativamente moderado.

Esse ambiente pode limitar uma aceleração mais intensa das vendas nos próximos trimestres.

Além disso, parte dos ganhos observados recentemente pode estar relacionada a fatores conjunturais, como diferenças no comportamento dos concorrentes e efeitos temporários de mercado.

Segundo o relatório, ainda não existem evidências suficientes para concluir que as marcas concorrentes enfrentam uma deterioração estrutural de longo prazo.

Valuation dependerá da continuidade dos resultados

Na avaliação do Bradesco BBI, o mercado já reconhece parte da qualidade operacional da Ambev (ABEV3), o que faz com que a companhia negocie com múltiplos superiores aos de algumas empresas do setor.

Por isso, manter esse prêmio dependerá da capacidade da empresa de continuar entregando crescimento consistente nos próximos trimestres.

Entre os fatores observados pelos investidores estão:

  • Manutenção dos ganhos de participação de mercado;
  • Evolução das receitas;
  • Crescimento dos lucros;
  • Preservação das margens operacionais;
  • Continuidade da eficiência na execução da estratégia comercial.

Caso esses indicadores permaneçam positivos, a empresa tende a sustentar sua posição de destaque entre as companhias de consumo listadas na Bolsa brasileira.

Mercado acompanhará divulgação do balanço

A divulgação dos resultados do segundo trimestre está prevista para 30 de julho e deverá ser acompanhada de perto por investidores e analistas.

Além dos números financeiros, o mercado observará as perspectivas apresentadas pela administração para o restante de 2026, especialmente em relação ao comportamento do consumo no Brasil, à evolução das margens e às estratégias para manter o crescimento acima da média do setor.

O desempenho da operação brasileira continuará sendo um dos principais indicadores para avaliar se a Ambev (ABEV3) conseguirá sustentar o ritmo de expansão observado nos últimos trimestres em um ambiente econômico ainda marcado por desafios para o consumo.

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Carolina Gandra

Carolina Gandra é Jornalista e Redatora do portal Melhor Investimento, especializada em criptomoedas, ações, tecnologia, mercado internacional e tendências financeiras. Transforma temas complexos como blockchain, inteligência artificial e estratégias de mercado em conteúdos acessíveis e envolventes. Com análises atuais e visão estratégica, ajuda leitores a decifrar o futuro dos investimentos e identificar oportunidades no mercado financeiro.