ABEV3 dispara na Bolsa após JCP; entenda o que surpreendeu

ABEV3 tem queda de 9,9% no lucro do 4T25, mas ações sobem após balanço e anúncio de JCP. Veja números, análises e perspectivas para 2026.

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Última atualização:  12 de fev, 2026 às 13:30
ambev 4t25 Reprodução

As ações da Ambev (ABEV3) operaram em alta nesta quinta-feira (12) após a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025 e o anúncio de pagamento de juros sobre capital próprio (JCP). Apesar da reação positiva do mercado, a companhia reportou queda no lucro líquido e na receita no período.

No 4T25, a Ambev registrou lucro líquido de R$ 4,529 bilhões, recuo de 9,9% na comparação com o mesmo período de 2024. O Ebitda ajustado somou R$ 8,845 bilhões, queda de 8% ano contra ano.

A receita líquida foi de R$ 24,807 bilhões, redução de 8,2%, enquanto o volume total vendido caiu 3,8% no trimestre.

Mesmo com o desempenho mais fraco no quarto trimestre, o mercado reagiu positivamente. Por volta das 12h23, os papéis ABEV3 subiam 4,25%, a R$ 16,44, refletindo também o anúncio de R$ 0,075 por ação em JCP, com pagamento previsto para 6 de abril.

Resultado anual da ABEV3 em 2025

No acumulado de 2025, a Ambev apresentou desempenho mais resiliente:

  • Lucro líquido: R$ 15,988 bilhões (+7,7%)
  • Receita líquida: R$ 88,242 bilhões (-1,4%)
  • Volume: queda de 3,3%
  • Ebitda ajustado: R$ 29,506 bilhões (+1,6%)

Apesar da pressão sobre volumes, a companhia conseguiu sustentar rentabilidade no consolidado anual.

O que dizem os analistas sobre ABEV3

O Citi avaliou que os números vieram, em grande parte, em linha com as expectativas. O banco destacou que a perspectiva de margem para 2026 deve sofrer pressão do câmbio e da política de hedge. Segundo estimativas, o custo por hectolitro da divisão de cerveja no Brasil pode crescer entre 4,5% e 7,5%, considerando taxa média de hedge de R$ 5,50 por dólar.

Caso o real se estabilize entre R$ 5,00 e R$ 5,20, o risco de custo tende a se aproximar do piso da projeção. O Citi mantém recomendação neutra para ABEV3.

O Itaú BBA destacou que os resultados superaram levemente suas estimativas, com desempenho mais forte na América do Sul, compensando fraqueza na América Central e Caribe, impactada por condições climáticas adversas.

Já a Ativa Investimentos avaliou que o trimestre refletiu o cenário desafiador da indústria e a pressão macroeconômica, com retração de volumes em praticamente todas as regiões. A corretora mantém recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 15.

Por que as ações ABEV3 subiu mesmo com queda no lucro?

A reação positiva das ações pode ser explicada por três fatores principais:

  1. Resultado dentro do consenso do mercado
  2. Distribuição de JCP
  3. Percepção de que o pior cenário já estaria precificado

Além disso, parte dos investidores aposta em recuperação de volumes como gatilho para nova valorização da ação em 2026.

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Pedro Gomes

Jornalista formado pela UniCarioca, com experiência em esportes, mercado imobiliário e edtechs. Desde 2023, integra a equipe do Melhor Investimento.