Bancos Internacionais dizem que é hora de investir no Brasil
Bank of America, Goldman Sachs e Morgan Stanley recomendam investir no Brasil em 2026. Saiba mais no Melhor Investimento
Imagem: Shutterstock
Em 2025, o Ibovespa teve uma valorização recorde, encerrando o ano com alta de 33,95%, seu melhor desempenho anual desde 2016, impulsionado pela retomada do apetite por risco e pela maior entrada de capital estrangeiro na B3.
Segundo dados oficiais da própria B3, investidores internacionais injetaram R$ 25,5 bilhões em recursos no mercado acionário brasileiro ao longo do ano, revertendo o saldo negativo de 2024 e sinalizando um renovado interesse global por ativos listados no Brasil.
A tendência de alta segue para 2026, com o “carimbo de confirmação” nos relatórios de grandes bancos internacionais, que agora veem oportunidades expressivas em ações brasileiras:
Bank of America eleva recomendação para ações do Brasil
O Bank of America (BofA) elevou, em janeiro de 2026, sua recomendação para o Brasil dentro de sua carteira de estratégia para a América Latina, passando de “marketweight” (na média) para “overweight” (acima da média, equivalente a recomendação de compra) para ações brasileiras.
Essa mudança sinaliza que o banco enxerga melhores perspectivas de retorno no país em comparação com outros mercados da região.
Segundo o BofA, a mudança está diretamente relacionada à expectativa de um ciclo profundo de queda da taxa de juros no Brasil, possivelmente já a partir do primeiro trimestre de 2026, o que tende a favorecer empresas sensíveis à política monetária e melhorar o desempenho de setores domésticos, como financeiro e consumo.
“O Brasil está prestes a iniciar um ciclo profundo de cortes de juros, possivelmente já no 1º trimestre de 2026”, avaliaram os estrategistas do banco americano, ressaltando que a combinação de valuation descontado e maior correlação positiva com queda dos juros cria um ambiente atraente para investidores.
Saiba mais:
Goldman Sachs de olho nos bancos brasileiros
Por sua vez, o Goldman Sachs avalia que os bancos da América Latina entram em 2026 bem posicionados para mais um ano sólido, com destaque para o Brasil, onde as instituições financeiras são vistas como de maior qualidade e ainda negociadas a valuations razoáveis.
Em relatório recente, o banco projeta crescimento do crédito próximo a 9,5% em termos anuais, apoiado por um mercado de trabalho resiliente, estímulos fiscais e pela introdução de novas modalidades, como o consignado privado, mesmo com a Selic ainda em patamar restritivo.
Entre as ações preferidas do Goldman estão Nubank, BTG Pactual, Banco Inter e Itaú, enquanto o banco ressalta que, apesar dos desafios políticos, do ciclo eleitoral e do elevado endividamento das famílias, os fundamentos do setor seguem sólidos e sustentam uma visão construtiva para 2026.
Morgan Stanley reforça visão otimista
No mesmo movimento, o Morgan Stanley revisou sua visão sobre o mercado de ações brasileiro em maio de 2025, elevando a recomendação de ações brasileiras de “Equalweight” para “Overweight” (equivalente a compra) em seus modelos para América Latina.
4 fatores principais para essa melhoria de recomendação:
- Valuations baratos, com ações brasileiras negociadas em múltiplos baixos em comparação com outros mercados globais, cerca de P/L ~9x em algumas medições, o que indica um desconto relevante frente a retornos potenciais.
- Expectativa de mudança política no Brasil, com o cenário político em evolução, há potencial para uma reorientação das políticas fiscais e econômicas.
- Possível redução das taxas de juros no país, o que poderia diminuir o custo de capital para empresas e apoiar múltiplos de valuation.
- Desvalorização do dólar frente a moedas de emergentes, favorecendo retornos em termos de moeda local.
Riscos e contexto macroeconômico
Apesar do otimismo sobre valuation e perspectivas de juros, os bancos e analistas continuam enfatizando que riscos macro e políticos não desapareceram.
Alguns apontam que o ambiente eleitoral em 2026 pode criar volatilidade adicional, e que as avaliações de mercado na América Latina como um todo estão menos atraentes do que em 2025, exigindo seletividade e foco em fundamentos sólidos.
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