Venda de CDBs do Banco Master coloca Nubank, XP e BTG na mira da Justiça

Ação civil pública questiona a forma como CDBs do Banco Master foram ofertados, com uso do FGC como principal argumento de segurança.

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Última atualização:  27 de jan, 2026 às 17:07
nubank xp btg envolvidos no caso banco master Imagem meramente ilustrativa, gerada por IA.

O Nubank é um banco confiável? A pergunta voltou a ganhar força após a fintech, ao lado da XP Investimentos e do BTG Pactual, passar a integrar uma ação civil pública que questiona a forma como foram comercializados CDBs do Banco Master com destaque para a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

A ação tramita na 6.ª Vara Empresarial da Comarca do Rio de Janeiro e foi movida pela Associação Brasileira de Defesa do Consumidor e do Trabalhador (Abradecont).

O foco não é a legalidade do Nubank como instituição financeira, mas a comunicação de risco adotada na oferta de investimentos de terceiros antes da liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro de 2025.

Leia em detalhes:

“Banco Master: baixo risco”

Segundo a Abradecont, plataformas de investimento teriam utilizado o FGC como principal argumento de venda dos CDBs do Banco Master, criando no investidor uma percepção de segurança que não refletia, necessariamente, a real situação financeira do emissor dos títulos.

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central deixando cerca de R$ 40,6 bilhões em aplicações a serem ressarcidas pelo FGC. A associação sustenta que expressões como “baixo risco” e “perfil conservador” teriam reforçado uma confiança excessiva, especialmente em aplicações que ultrapassavam o limite de cobertura do fundo, de R$ 250 mil por CPF e instituição.

Qual foi o papel do Nubank no caso Master

De acordo com os dados apresentados no processo, o Nubank distribuiu aproximadamente R$ 2,9 bilhões em CDBs do Banco Master, valor inferior ao da XP e do BTG, mas suficiente para incluir a fintech na ação.

O Nubank afirmou que deixou de ofertar novos CDBs do Banco Master ainda em 2024 e reforçou que atua em conformidade com as normas regulatórias. A instituição também destacou que não trabalha com assessores de investimento, modelo diferente do adotado por grandes corretoras tradicionais.

Parte desses produtos passou a integrar a plataforma do Nubank após a incorporação da Easynvest.

O papel do FGC e o alerta ao investidor

O caso reacende o debate sobre o uso do FGC como ferramenta de marketing. Embora o fundo seja um importante mecanismo de proteção, especialistas lembram que ele não elimina o risco do emissor, nem substitui a análise da saúde financeira da instituição que emite o título.

A própria ação pede que o Banco Central, a CVM e o FGC prestem esclarecimentos sobre alertas de risco, reclamações de investidores e a forma como a cobertura do fundo foi apresentada ao público.

Para o investidor, o episódio reforça a importância de:

  • Diferenciar o risco do banco emissor do produto e o risco da plataforma que o distribui;
  • Não se basear exclusivamente na cobertura do FGC;
  • Avaliar limites de garantia e concentração de investimentos;
  • Ler atentamente as informações de risco, mesmo em produtos classificados como conservadores.
Pedro Gomes

Jornalista formado pela UniCarioca, com experiência em esportes, mercado imobiliário e edtechs. Desde 2023, integra a equipe do Melhor Investimento.