BTG eleva projeção da inflação e vê Selic em 14,25% até o fim de 2026
Banco revisa estimativas para IPCA e dívida pública, mantém previsão de um último corte de juros e vê crescimento mais lento em 2027.
Foto: Reprodução/Facebook
O BTG Pactual revisou suas projeções para a economia brasileira e passou a prever uma inflação mais alta nos próximos anos, além de um aumento da dívida pública. A atualização foi divulgada nesta segunda-feira (9) e mantém a expectativa de um último corte da taxa Selic ainda em junho, levando os juros básicos para 14,25% ao ano. Após esse movimento, o banco espera estabilidade da taxa até o final de 2026.
Segundo a instituição, a revisão do cenário reflete principalmente a piora das perspectivas para a inflação, impulsionada pela alta dos preços do petróleo e pelos desafios fiscais enfrentados pelo país. O banco também reduziu sua projeção de crescimento econômico para 2027.
Inflação sobe e pressiona expectativas
A principal mudança nas estimativas do BTG ocorreu nas projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação brasileira.
Para 2026, a expectativa passou de 4,9% para 5,3%. Já para 2027, a projeção foi elevada de 4,2% para 4,5%.
Na avaliação do banco, o aumento dos preços do petróleo tem gerado impactos em diferentes setores da economia. Além de pressionar os custos dos combustíveis, o movimento afeta o transporte de mercadorias e a produção industrial, contribuindo para uma inflação mais persistente.
O cenário também influencia os preços de serviços, segmento que costuma responder mais lentamente às medidas de política monetária.
Selic deve ter apenas mais um corte
Apesar da deterioração do ambiente inflacionário, o BTG manteve sua projeção de um corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
Caso a previsão se confirme, a Selic passará dos atuais 14,50% para 14,25% ao ano.
Após esse ajuste, o banco acredita que o Banco Central deverá interromper o ciclo de redução dos juros e manter a taxa estável por um período prolongado.
Segundo a instituição, a continuidade dos cortes poderia ampliar os riscos de desancoragem das expectativas de inflação, dificultando futuras reduções dos juros.
Entre os principais fatores apontados pelo BTG estão:
- Pressões inflacionárias vindas do mercado internacional;
- Alta dos preços do petróleo e da energia;
- Persistência da inflação de serviços;
- Expansão dos gastos públicos e estímulos à economia;
- Expectativas de inflação acima da meta.
Esses elementos, segundo o banco, reduzem o espaço para uma política monetária mais flexível nos próximos trimestres.
Dívida pública continua avançando
O cenário fiscal também motivou revisões nas projeções do BTG.
A instituição passou a estimar que a dívida bruta do governo geral alcance 80,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. Para 2027, a projeção foi elevada para 85% do PIB.
O banco atribui esse movimento ao crescimento dos gastos parafiscais anunciados desde 2025. Essas medidas, segundo os cálculos da instituição, já representam cerca de R$ 275 bilhões em estímulos à economia.
Somente em 2026, o impacto estimado é de aproximadamente R$ 142 bilhões.
Com isso, o BTG também projeta déficits nominais elevados nos próximos anos, impulsionados principalmente pelas despesas com juros da dívida pública.
Economia mostra força em 2026
Apesar das revisões negativas para inflação e contas públicas, o banco elevou ligeiramente sua expectativa para o crescimento econômico em 2026. A projeção para o PIB passou de 1,9% para 2%.
A revisão foi motivada pelo desempenho mais forte da atividade econômica no início do ano e por indicadores que continuam mostrando resiliência do consumo e do mercado de trabalho.
Na avaliação do BTG, a economia brasileira ainda tem sido sustentada por estímulos fiscais, crédito e um mercado de trabalho aquecido.
Crescimento deve perder força em 2027
Para 2027, no entanto, o cenário é mais cauteloso. O banco reduziu sua projeção de crescimento de 1,6% para 1,1%.
A expectativa reflete o impacto dos juros elevados por mais tempo e a perspectiva de menor impulso fiscal na economia.
Segundo a instituição, a combinação entre política monetária restritiva e menor expansão dos gastos públicos tende a limitar o ritmo de crescimento nos próximos anos.
Petróleo e cenário internacional seguem no radar
O BTG também destacou que o ambiente internacional continua sendo uma importante fonte de riscos para a economia global.
As tensões no Oriente Médio e as preocupações relacionadas ao transporte de petróleo permanecem entre os principais pontos de atenção dos investidores.
Por outro lado, o banco avalia que o Brasil pode se beneficiar parcialmente desse cenário por meio do aumento das exportações de commodities.
A instituição manteve a projeção de superávit comercial de US$ 90 bilhões para 2026 e 2027, impulsionado pelos preços mais elevados das commodities e pelo crescimento dos volumes exportados.
Além disso, o BTG preservou sua estimativa de câmbio em R$ 4,90 por dólar ao final de 2026, apoiada pelo fluxo comercial positivo e pelo diferencial de juros ainda elevado em relação a outras economias.
Acompanhe mais notícias sobre economia, juros, inflação, mercado financeiro e decisões do Banco Central na editoria de Economia.