Tesouro IPCA+ dispara 73% no semestre com juros reais em nível elevado

Busca por proteção contra a inflação impulsiona demanda por títulos públicos indexados ao IPCA.

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Última atualização:  03 de jul, 2026 às 11:25
Bandeira do Brasil sobre moedas e notas de dólar, representando economia, inflação e investimentos. Foto: Envato Elements

As compras de títulos do Tesouro IPCA+ cresceram de forma expressiva no primeiro semestre de 2026, impulsionadas pelas taxas reais de juros em níveis elevados. Entre janeiro e junho, os investidores aplicaram R$ 18,8 bilhões nessa modalidade do Tesouro Direto, um avanço de 73% em relação aos R$ 10,9 bilhões registrados no mesmo período do ano passado.

O aumento da demanda ocorreu em um cenário marcado por juros reais acima de 7% ao ano na maior parte dos vencimentos, inflação ainda pressionada, incertezas fiscais e expectativa de manutenção da taxa Selic em patamar elevado. Esse conjunto de fatores levou muitos investidores a reforçar a parcela da carteira voltada para títulos indexados ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Embora o Tesouro Selic continue sendo o título mais procurado do programa Tesouro Direto, o ritmo de crescimento do Tesouro IPCA+ foi significativamente maior ao longo do semestre.

Tesouro IPCA+ reduz distância para o Tesouro Selic

Os números mostram que o Tesouro Selic permaneceu na liderança em volume de aplicações, com R$ 30,7 bilhões captados entre janeiro e junho, crescimento de 23% na comparação anual.

Mesmo assim, o Tesouro IPCA+ ganhou participação. Enquanto há um ano suas vendas correspondiam a cerca de 44% do volume negociado pelo Tesouro Selic, neste primeiro semestre essa relação subiu para aproximadamente 61%.

O movimento reflete o interesse crescente dos investidores em travar taxas reais consideradas atrativas para o longo prazo.

Juros elevados aumentam atratividade

O principal fator por trás da alta nas compras foi a remuneração oferecida pelos títulos.

Ao longo do semestre, diversos vencimentos passaram a pagar juros reais superiores a 7% ao ano, enquanto alguns papéis de prazo intermediário chegaram a superar 8% em determinados momentos de junho.

Esse comportamento foi influenciado por diferentes fatores econômicos, entre eles:

  • Inflação acima da meta estabelecida;
  • Expectativa de Selic elevada ao longo de 2026;
  • Preocupações com o cenário fiscal brasileiro;
  • Aumento da volatilidade em ano eleitoral;
  • Juros elevados nas principais economias internacionais.

Esse ambiente fez com que muitos investidores enxergassem uma oportunidade de garantir uma remuneração elevada acima da inflação para períodos mais longos.

Junho concentrou maior volume de aplicações

O mês de junho foi o período de maior procura pelos títulos indexados à inflação durante o semestre.

Sozinho, o Tesouro IPCA+ captou aproximadamente R$ 5,1 bilhões, representando mais de um quarto de todo o volume vendido entre janeiro e junho.

Janeiro e março também registraram forte procura, enquanto abril e maio apresentaram ritmo mais moderado antes da aceleração observada no encerramento do semestre.

Investidores priorizaram títulos sem juros semestrais

Entre as modalidades disponíveis, o Tesouro IPCA+ tradicional concentrou a maior parte das aplicações.

Esse tipo de título, que acumula toda a rentabilidade até o vencimento sem realizar pagamentos periódicos de juros, respondeu por cerca de 83% das vendas no semestre.

Já a versão com juros semestrais, voltada principalmente para investidores que buscam geração periódica de renda, representou aproximadamente 17% das aplicações.

Em junho, a preferência pelo modelo tradicional ficou ainda mais evidente, reduzindo a participação dos títulos com pagamento semestral.

Especialistas destacam benefícios e riscos

Analistas do mercado financeiro avaliam que os juros reais elevados aumentaram a atratividade do Tesouro IPCA+, especialmente para investidores com objetivos de longo prazo.

Ao mesmo tempo, especialistas lembram que esses títulos estão sujeitos à chamada marcação a mercado. Isso significa que seu preço pode oscilar diariamente antes do vencimento, gerando ganhos ou perdas para quem decidir vender antecipadamente.

Por isso, muitos profissionais recomendam que o investimento seja feito apenas quando o objetivo for permanecer com o papel até sua data final, evitando que oscilações temporárias afetem o resultado esperado.

Proteção contra a inflação continua sendo diferencial

O Tesouro IPCA+ é considerado um dos principais instrumentos de proteção do poder de compra no longo prazo porque combina uma taxa fixa de juros com a variação da inflação oficial.

O investidor recebe uma remuneração composta pelo IPCA acrescido da taxa contratada no momento da aplicação, desde que mantenha o título até o vencimento.

Esse mecanismo ajuda a preservar o valor real do patrimônio mesmo em períodos de inflação elevada, característica que explica o aumento da procura observado em 2026.

Apesar da forte demanda, especialistas reforçam que a escolha do prazo deve considerar os objetivos financeiros de cada investidor, já que títulos de vencimentos mais longos tendem a apresentar oscilações maiores durante sua negociação no mercado.

Com os juros ainda elevados e as incertezas econômicas presentes no cenário doméstico e internacional, o Tesouro IPCA+ segue entre os ativos mais observados pelos investidores que buscam equilibrar rentabilidade e proteção contra a inflação.

Continue acompanhando a editoria de Investimentos e Finanças para conferir análises sobre Tesouro Direto, renda fixa, inflação e oportunidades no mercado financeiro.

Carolina Gandra

Carolina Gandra é Jornalista e Redatora do portal Melhor Investimento, especializada em criptomoedas, ações, tecnologia, mercado internacional e tendências financeiras. Transforma temas complexos como blockchain, inteligência artificial e estratégias de mercado em conteúdos acessíveis e envolventes. Com análises atuais e visão estratégica, ajuda leitores a decifrar o futuro dos investimentos e identificar oportunidades no mercado financeiro.