BCE alerta que países de fora da zona do euro seguem longe da adesão

O Banco Central Europeu (BCE) afirmou que os países da União Europeia que ainda não adotaram o euro fizeram pouco progresso rumo à adesão ao bloco monetário.

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Última atualização:  24 de jun, 2026 às 10:29
Fotografia de meio corpo de Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, falando ao microfone em um púlpito. Ela tem cabelos brancos curtos, usa óculos de armação transparente, brincos de pingente e veste um blazer marrom sobre uma camisa branca. O fundo está desfocado, mostrando tons de azul e cinza. Foto: Martin Lamberts/European Central Bank 2019

Os países de fora da zona do euro seguem sem avanços significativos rumo à adoção da moeda comum europeia, segundo avaliação divulgada nesta quarta-feira pelo Banco Central Europeu (BCE). O relatório de convergência da instituição aponta que as economias da União Europeia que ainda não utilizam o euro registraram progresso limitado nos últimos anos e continuam distantes de cumprir os requisitos necessários para ingressar no bloco monetário.

O documento mostra que os efeitos de choques econômicos recentes, aliados à deterioração das contas públicas em diversos países, dificultaram o atendimento das exigências estabelecidas pela União Europeia. Atualmente, cinco países permanecem fora da zona do euro e, de acordo com o BCE, nenhum deles está próximo de concluir o processo de adesão.

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Países de fora da zona do euro continuam longe da adesão

O relatório divulgado pelo BCE analisa o desempenho de países da União Europeia que ainda não adotaram a moeda única europeia. Embora a legislação comunitária determine que todos os membros do bloco, com exceção da Dinamarca, devem aderir ao euro em algum momento, não existem sanções para aqueles que adiam esse processo.

Segundo a instituição, o avanço em direção ao cumprimento dos chamados critérios de convergência permaneceu praticamente estagnado desde a última avaliação. O cenário econômico global, marcado por pressões inflacionárias, desaceleração do crescimento e desafios fiscais, contribuiu para esse resultado.

Na avaliação do BCE, a situação das finanças públicas piorou em grande parte dos países analisados. Em alguns casos, a relação entre dívida pública e Produto Interno Bruto (PIB) apresentou aumento relevante, tornando ainda mais difícil alcançar os parâmetros exigidos para a entrada na zona do euro.

Cinco países ainda buscam atender aos critérios

Após a entrada da Bulgária no bloco monetário europeu, os potenciais candidatos à adesão passaram a ser República Tcheca, Hungria, Polônia, Romênia e Suécia.

Apesar de manterem vínculos econômicos estreitos com a União Europeia, essas nações ainda enfrentam obstáculos para cumprir os critérios de Maastricht, conjunto de regras que avalia fatores como estabilidade de preços, situação fiscal, taxas de juros e estabilidade cambial.

O BCE destacou que nenhum dos cinco países está próximo de atender plenamente às exigências. Dessa forma, a perspectiva é que a adesão permaneça um objetivo de médio ou longo prazo para essas economias.

Além dos desafios econômicos, muitos governos demonstram pouca pressa para substituir suas moedas nacionais pelo euro. A manutenção de uma política monetária própria é vista como um instrumento importante para responder a crises econômicas e controlar variáveis como juros e inflação.

Hungria concentra as maiores dificuldades

Entre os países avaliados, a Hungria aparece como o caso mais complexo. Embora o governo tenha manifestado a intenção de cumprir as condições necessárias até 2030, o relatório mostra que o país ainda está distante desse objetivo.

De acordo com a análise, a economia húngara apresenta os maiores níveis de dívida pública e de taxas de juros entre os candidatos à adesão. Além disso, indicadores como inflação, déficit orçamentário e volatilidade cambial permanecem acima dos limites considerados adequados pelo BCE.

O documento também aponta que a legislação relacionada ao banco central do país ainda não está alinhada aos requisitos exigidos para participação na zona do euro.

Esses fatores colocam a Hungria em uma posição particularmente desafiadora quando comparada aos demais países que ainda permanecem fora do bloco monetário.

BCE aponta necessidade de reformas institucionais

Além dos indicadores econômicos, o Banco Central Europeu chamou atenção para questões institucionais que podem influenciar o desenvolvimento econômico da Hungria.

Segundo o relatório, o fortalecimento das instituições públicas, a redução de interferências políticas indevidas e o combate à corrupção são medidas consideradas fundamentais para aumentar a confiança dos investidores e estimular o crescimento sustentável.

A instituição também defende melhorias no ambiente de negócios e no funcionamento dos mercados, criando condições mais favoráveis para investimentos privados e aumento da produtividade.

Na avaliação do BCE, avanços nessas áreas são importantes não apenas para uma eventual entrada na zona do euro, mas também para garantir maior competitividade econômica no longo prazo.

Desafios estruturais continuam no radar europeu

O relatório destaca ainda que a Hungria enfrenta desafios estruturais que podem limitar seu potencial de crescimento nos próximos anos.

Entre os principais pontos estão o envelhecimento da população e os desequilíbrios entre a oferta e a demanda por profissionais qualificados no mercado de trabalho. Essas questões tendem a aumentar a pressão sobre a economia e exigir políticas públicas voltadas para produtividade e inovação.

Enquanto isso, os demais países candidatos também continuam enfrentando obstáculos próprios para alcançar os critérios necessários à adoção da moeda comum.

Diante desse cenário, o BCE conclui que os países de fora da zona do euro ainda têm um longo caminho pela frente antes de integrarem plenamente o bloco monetário europeu. A combinação de desafios fiscais, econômicos e institucionais indica que novas adesões deverão ocorrer apenas após um processo gradual de ajustes e reformas.