FMI reduz previsão de crescimento da zona euro para 1,1% em 2026
Relatório do Fundo Monetário Internacional aponta impacto da crise energética e da inflação global sobre as economias europeias.
Imagem: FMI/Reprodução
O crescimento da zona euro deve desacelerar em 2026. O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para baixo sua projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) do bloco, reduzindo a estimativa de expansão de 1,4% para 1,1% neste ano.
A revisão foi divulgada no relatório World Economic Outlook e reflete, principalmente, os impactos da recente escalada de tensões no Oriente Médio sobre os mercados globais de energia.
Segundo o documento, o bloqueio do estreito de Ormuz e danos em infraestruturas energéticas na região provocaram forte volatilidade nos preços do petróleo e do gás, afetando o ritmo de recuperação econômica em diversas partes do mundo.
Crise energética pressiona a economia europeia
O FMI avalia que o aumento dos custos energéticos representa um obstáculo relevante para as economias europeias. De acordo com as estimativas do organismo, os preços da energia registraram alta de cerca de 19%, pressionando especialmente a produção industrial da região.
O economista-chefe do FMI, Pierre-Olivier Gourinchas, afirmou que a economia global vinha demonstrando resiliência diante de tensões comerciais e mudanças na política econômica internacional. No entanto, a nova crise geopolítica interrompeu parte desse processo de recuperação.
Além disso, os países que utilizam o euro estão entre os mais vulneráveis ao choque energético. Isso ocorre porque muitos deles dependem fortemente da importação de energia, o que aumenta a exposição a oscilações nos preços internacionais.
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Inflação global também sobe
A escalada das tensões no Oriente Médio também levou a uma revisão das expectativas para a inflação global. O FMI estima que os preços ao consumidor no mundo devem crescer 4,4%, refletindo os efeitos da energia mais cara sobre cadeias produtivas e transporte.
Segundo a estrategista de investimentos Lindsay James, parte desse impacto pode ser temporária, desde que o conflito não se prolongue.
Ela destaca, no entanto, que a duração da crise será determinante para o cenário econômico. Caso as hostilidades persistam, aumenta o risco de desaceleração mais intensa da atividade global e até mesmo de uma recessão em algumas regiões.
Impactos se espalham pela economia mundial
Além da zona euro, outras economias também tiveram projeções revisadas. Nos Estados Unidos, a expectativa de crescimento foi reduzida para 2,3%. Ainda assim, o FMI avalia que os efeitos das tarifas comerciais adotadas pelo país foram menores do que inicialmente previsto.
Já a Rússia pode registrar leve melhora na atividade econômica, com previsão de crescimento revisada para 1,1%, beneficiada pela elevação dos preços do petróleo e pelo aumento das receitas de exportação.
Enquanto isso, países importadores de energia enfrentam maior pressão fiscal. Regiões como a zona euro e partes da África Subsaariana tendem a sentir com mais intensidade os efeitos do encarecimento das commodities energéticas.
FMI alerta para riscos ao crescimento global
Apesar de sinais pontuais de redução das tensões, o FMI destaca que o cenário permanece incerto. Mesmo com notícias sobre um possível cessar-fogo, o organismo considera que os riscos para a economia mundial continuam elevados.
Caso a volatilidade nos mercados de energia persista até 2027, o fundo projeta um cenário mais adverso. Nesse caso, o crescimento global poderia desacelerar para cerca de 2%, enquanto bancos centrais seriam obrigados a manter taxas de juros mais altas por mais tempo para conter a inflação.
Com informações de Euronews